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Erfan Soltani, o jovem iraniano que tinha sido detido por protestos contra o regime e terá estado à beira da execução por enforcamento, foi libertado sob fiança, segundo uma organização não-governamental norueguesa e a imprensa estatal iraniana.
Trata-se de um jovem de 26 anos que foi detido em casa, sem que houvesse relatos públicos de antes disso estar envolvido em política de forma organizada — ou seja, não era conhecido como um influente ativista político.
A família disse ter sido informada de que devia despedir-se dele, porque seria executado, porém o Presidente dos EUA indicou, nessa altura, que não iria “tolerar” a execução de manifestantes, o que poderá ter contribuído para evitar o enforcamento do jovem.
As autoridades iranianas garantiram, depois, que nunca houve planos de executar o jovem, alegando que isso eram “notícias falsas”. E, no sábado, o jovem terá sido libertado, segundo uma ONG humanitária norueguesa, a Hengaw.
Já a INSA, uma agência noticiosa estatal iraniana, escreveu no Telegram oficial, citada pela CNN, que “Erfan Soltani, que foi detido durante os recentes acontecimentos e que alguns meios de comunicação estrangeiros afirmaram ter sido condenado à morte, foi libertado da prisão mediante o pagamento de uma caução de dois mil milhões de tomans [aproximadamente 10 mil euros]”.
A libertação do jovem também foi noticiada pela britânica Sky News, citando um familiar de Erfan Soltani.
Antes de ser preso, Soltani já teria dito à família que recebera mensagens ameaçadoras das forças de segurança e que estava a ser vigiado. Mas continuou a participar nas manifestações, recusando-se a desistir.
Residente na zona de Karaj, foi detido em casa no dia 8 de janeiro e, ao longo de vários dias, a família não soube nada sobre o seu paradeiro. Só no último dia 11 de janeiro (outros relatos apontam para dia 12) é que a família terá sido contactada por agentes das forças de segurança que confirmaram que o jovem estava detido e que já tinha sido condenado à morte.
A irmã é advogada e terá sido, segundo a mesma fonte, impedida de consultar o processo ou de encetar qualquer tipo de esforço para defender o irmão. Não se sabe, aliás, se houve um julgamento formal em que Erfan Soltani tenha sido defendido por um advogado. Mesmo que tenha havido, foi um julgamento feito em tempo recorde.
“A família está sob extrema pressão“, disse ao IranWire uma fonte próxima da família, que revelou que esta estava a ser ameaçada para não falar publicamente sobre o caso. Quando rejeitaram partilhar o processo com a irmã, advogada, ter-lhe-ão dito: “Não há processo para analisar. Qualquer pessoa presa nos protestos será executada. A sentença de Erfan é Moharebeh (Inimizade contra Deus) é definitiva e será cumprida”.