O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, voltou a dizer esta segunda-feira que qualquer entrada de “unidades militares, instalações militares, armazéns e outras infraestruturas de países ocidentais” na Ucrânia seria “classificada como uma intervenção estrangeira que representa uma ameaça direta à segurança da Rússia”. Estas ameaças surgem a poucos dias do regresso da negociações a três entre representantes das diplomacias de Moscovo, Kiev e Washington, em Abu Dhabi, esta quarta e quinta-feira.

O lançamento de uma força de manutenção da paz tem sido uma das principais medidas a ser discutida pela chamada “coligação das vontades”, que junta vários países europeus, sendo um deles a Alemanha. Estas declarações foram feitas numa pergunta feita ao ministro numa conferência de imprensa e procurava perceber a opinião de Lavrov sobre a entrada de tropas alemãs na Ucrânia.

Para Lavrov, a entrada da Alemanha e o apoio “incondicional” de Berlim à Ucrânia é “uma manifestação de revanchismo” da derrota da Segunda Guerra Mundial para a União Soviética, cujo legado a Federação Russa quer que seja seu. E é a esses “revanchistas” a quem o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia enviou um aviso.

“Todos os contingentes militares estrangeiros, incluindo os alemães, caso sejam destacados para a Ucrânia, tornar-se-ão alvos legítimos para as Forças Armadas da Rússia, tal como foi repetidamente salientado publicamente pelos dirigentes do nosso país. As tentativas dos representantes das autoridades alemãs de dialogar com a Rússia através de ultimatos e de uma posição de força são, desde o início, absurdas e condenadas ao fracasso”, declarou.

Não é a primeira vez que Lavrov menciona que Moscovo agiria caso os países europeus colocassem tropas dentro do território da Ucrânia. Em dezembro do ano passado, o chefe da diplomacia prometeu, perante o parlamento russo, que o Kremlin iria “responder a quaisquer passos hostis, incluindo o lançamento de contingentes militares europeus”. “E já estamos prontos para esta resposta”, disse ainda o ministro, citado pela agência Anadolu.

Numa semana em que se prepara uma nova ronda de negociações tripartidas entre Rússia, Ucrânia e os Estados Unidos, Lavrov deixou ainda grandes elogios à Administração norte-americana e ao Presidente Donald Trump, a quem chamou de “um dos poucos políticos ocidentais que não só recusou imediatamente a imposição de pré-condições sem sentido e destrutivas para o início de um diálogo substantivo com Moscovo sobre a crise ucraniana, como também falou publicamente sobre as suas causas profundas“.

“Apreciamos, acima de tudo, os esforços determinados feitos pela Administração dos EUA desde os primeiros dias no poder para fazer avançar a questão da resolução do conflito ucraniano”, afirmou, tendo agradecido aos Emirados Árabes Unidos, “pelo seu sincero compromisso em ajudar a resolver” a guerra.

Zelensky diz que novo encontro terá “trabalho substantivo” sobre recuperação da Ucrânia

Antes da delegação partir para Abu Dhabi, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reuniu-se com a sua equipa para preparar esse encontro, tendo apontado que vai decorrer “quarta e quinta-feira”.

Na rede social X, Zelensky escreveu que quase todos os membros da equipa de negociação se tinham reunido com o líder esta segunda-feira. Os membros da equipa incluem o chefe do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, Rustem Umerov, o chefe de gabinete do Presidente, Kyrylo Budanov, o primeiro vice-chefe do gabinete do Presidente, Sergiy Kyslytsya, o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, Andrii Hnatov e o conselheiro Presidencial, Oleksandr Bevz. O Chefe de Estado ucraniano adiantou ainda que Davyd Arakhamiia, líder do grupo parlamentar do partido de Zelensky, Servo do Povo, também irá para Abu Dhabi na comitiva.

“A Ucrânia está pronta para dar passos concretos. Acreditamos que é realista alcançar uma paz digna e duradoura. Consideramos que o documento de garantias de segurança bilateral com os Estados Unidos está completo e prevemos mais trabalho substantivo em documentos relacionados com a recuperação e o desenvolvimento económico”, reforçou.