1243,3kWh poupados 1243,3 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

“Don Colossus”, o Donald Trump de quatro metros que está refém numa fundição no Ohio

Este artigo tem mais de 6 meses

Uma memecoin, um herói da Marvel e uma dívida de 76.000 euros. Ideia saiu de um grupo de investidores no Telegram, mas ainda não da fundição de Alan Cottrill. “Tive de lhe tirar o ‘pescoço de peru'".

Estátua Donald Trump "Don Colossus"
i

▲A obra, fundida em bronze e revestida por uma espessa camada de folha de ouro, retrata Donald Trump na Pensilvânia, nos instantes que se seguiram à tentativa de assassinato de que foi alvo

@Patriot Token / X

▲A obra, fundida em bronze e revestida por uma espessa camada de folha de ouro, retrata Donald Trump na Pensilvânia, nos instantes que se seguiram à tentativa de assassinato de que foi alvo

@Patriot Token / X

De punho erguido e com quatro metros e meio de altura — o equivalente a um prédio de dois andares — uma estátua do Presidente norte-americano repousa numa fundição nas colinas do Ohio, como se aguardasse o momento de ser despertada. Na cultura pop, Colossus é Piotr Rasputin, o gigante russo das bandas desenhadas da Marvel que, guiado por um forte sentido moral, transforma o corpo em aço pela vontade de fazer o que considera certo, independentemente do custo pessoal. Na política americana, “Don Colossus” é o nome da estátua erguida em homenagem a Trump por um um grupo de investidores de criptomoedas, referiu o New York Times (NYT). Embora o projeto pareça próximo da sua concretização, a obra permanece na oficina de Alan Cottrill: “Esta estátua não sairá da minha fundição até que tudo o que me devem seja pago”.

A obra, fundida em bronze e revestida por uma espessa camada de folha de ouro, é da autoria do escultor Alan Cottrill e retrata Donald Trump em Butler, na Pensilvânia, de pé e de punho erguido, nos instantes que se seguiram à tentativa de assassinato de que foi alvo, em julho de 2024. O episódio levou um grupo de investidores a pagar 300.000 dólares (253.000 euros) para encomendar a estátua em homenagem ao Presidente.

A ideia para construir o “Don Colossus” nasceu num grupo na aplicação Telegram, onde entusiastas de criptomoedas trocavam sugestões e promoviam novos projetos. Foi aí que um dos envolvidos, o investidor Anthony Sansalone, defendeu transformar a imagem de Trump — punho erguido após o ataque — na base de uma memecoin, um tipo de criptomoeda geralmente associada a fenómenos virais ou a figuras públicas e cujo valor depende sobretudo do entusiasmo que gere nas redes sociais. Para isso, juntou-se a Dustin Stockton, ativista da direita norte-americana, e a Brock Pierce, investidor em criptomoedas com ligações políticas e um longo historial de disputas legais e financeiras, segundo o NYT. A $PATRIOT acabaria por ser lançada no final de 2024.

A construção de uma estátua desta dimensão pode ter sido uma forma cara de captar a atenção nas redes sociais, mas foi vista pelos promotores como uma aposta com potencial financeiro. De acordo com um dos promotores citados pelo NYT, os financiadores do projeto ficaram com grandes lotes de $PATRIOT, na expectativa de que a visibilidade associada à escultura pudesse fazer disparar o seu valor.

Durante meses, essa estratégia passou por alimentar a presença online do “Don Colossus”: imagens da obra em curso circularam nas redes sociais, numa tentativa de transformar a escultura num símbolo político e mediático e conseguir instalá-la numa propriedade oficial de Donald Trump.

Mas o impulso inicial foi perdendo força. No ano seguinte, a cotação da $PATRIOT sofreu uma queda acentuada, acumulando perdas superiores a 90% até ao final de janeiro, segundo o jornal nova-iorquino. Ao mesmo tempo, as tentativas de concluir a estátua e reacender o interesse acabaram por gerar fricções com o autor, o escultor Alan Cottrill, no Ohio.

“Eles devem-me 91.200 dólares e sabem que a peça não sai daqui enquanto não pagarem”

Aos 73 anos, Alan Cottrill já fez esculturas em bronze de 16 antigos Presidentes e de figuras históricas como Thomas Edison, que fica no Salão das Estátuas do Capitólio.

Foi nesse contexto que, em agosto de 2024, recebeu um telefonema inesperado. Do outro lado da linha, um escultor de Las Vegas: “Ei, quer fazer uma estátua do Trump de 4,5 metros?”, terá dito, segundo o The Times.

A encomenda vinha com urgência. A intenção inicial dos promotores era apresentar a obra na tomada de posse de Trump, com a possibilidade — discutida por Dustin Stockton — de a ver erguida perto do National Mall, em Washington. Cottrill aceitou o projeto, mas sublinha que o calendário era excecional. “Ninguém no país seria capaz de esculpi-la e fundi-la em bronze, numa escala de 4,5 metros e fazer um trabalho tão maravilhoso quanto todos imaginam em apenas alguns meses”, disse em declarações citadas pelo jornal britânico. “Normalmente isso encarece o trabalho, não o contrário.”

“Fiz uma versão muito realista”, contou Cottrill numa entrevista citada pelo NYT. “Os tipos das criptomoedas disseram que eu tinha de tirar um pouco do ‘pescoço de peru’. Tive de o tornar mais esguio.”

O escultor acabou por se ver envolvido num conflito quando a imagem da estátua começou a surgir no site da Patriot Token, para promover a criptomoeda associada ao projeto, sem o seu conhecimento. “Disse-lhes que era uma violação de direitos de autor”, recorda, explicando que, embora os promotores alegassem ter comprado a obra, isso não lhes dava o direito de a reproduzir para fins comerciais. Em mensagens analisadas pelo The Times, reclamava 75 mil dólares pelos direitos de autor e alertava um dos envolvidos: “Está a usar a minha imagem protegida para comercializar o seu token!”, escreveu a um dos promotores.

Entretanto, mesmo depois de alcançado um acordo que fixava em 150.000 dólares (126.000 euros) o valor pelos direitos da estátua, Cottrill afirma que continua à espera de parte do pagamento, bem como de outras quantias em dívida, num total de cerca de 90 mil dólares.

“Para mim, eles não compraram os direitos de propriedade intelectual e estão a usá-la ilegalmente”, declarou, deixando um aviso claro: “Esta estátua não sairá da minha fundição até que tudo o que me é devido seja pago”. “Eles devem-me 91.200 dólares (77.157 euros)”, insistiu. “E sabem que a peça não sai daqui enquanto não pagarem.”

O gigante que ainda aguarda uma casa

Nos bastidores, os promotores continuam a falar numa inauguração com peso político. O pastor Mark Burns, próximo de Trump e envolvido na iniciativa, disse ao grupo de investidores que o Presidente tencionava marcar presença na cerimónia e, em janeiro, escreveu que funcionários da Casa Branca estariam “ativamente à procura” de uma data.

A perspetiva de um destino para a peça ganhou contornos mais concretos no mês passado, com a instalação de um pedestal de betão e aço inoxidável no complexo de golfe de Trump, em Doral, na Florida. Se os planos avançarem, os líderes mundiais que se deslocarem a Miami para a cimeira do G20, este ano organizada pelos Estados Unidos, poderão deparar-se com uma estátua dourada de grandes dimensões do Presidente norte-americano.

Questionados pelo New York Times sobre a criptomoeda associada ao projeto, a Casa Branca e a Organização Trump não assumiram ligações. Eric Trump, filho do Presidente, reagiu depois no X: “Agradecemos o apoio e o entusiasmo”, escreveu, “mas queremos deixar bem claro: não estamos envolvidos com essa moeda”.

[Dezenas de portuguesas, recrutadas numa escola de yoga e tantra em Lisboa, acabaram em sites de sexo na internet. Elas, e mulheres de vários outros países, tinham em comum serem seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Ouça o segundo episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio.]

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.