Longas filas de espera para abastecer os carros, corrida a comida enlatada, teletrabalho para funcionários públicos, mudanças de horário de trabalho, paralisações, redução de aulas presenciais e cancelamento de eventos culturais. Cuba tem colocado em marcha um plano para combater a escassez de combustível mas, ainda assim, esta terça-feira há um novo problema que, garante Havana, se tornará realidade: o país vai ficar sem combustível para a aviação.

O anúncio, noticia a agência EFE, foi feito este domingo e tem como prazo de validade o período entre esta terça-feira e o dia 11 de março. As companhias aéreas afetadas são, na sua grande maioria, americanas, espanholas, panamenhas e mexicanas. A mais recente companhia a anunciar a suspensão de trabalhos em Cuba foi a Air Canada.

O Governo de Cuba, que na véspera já tinha anunciado o fecho de hotéis e a relocalização de turistas estrangeiros, aponta o dedo a Washington pela escassez de combustíveis fósseis depois de os EUA terem dissuadido com tarifas qualquer que fosse o país que fornecesse combustíveis a Havana.

Até à detenção do Presidente Nicolás Maduro pelos EUA, a Venezuela era o maior fornecedor de petróleo de Cuba, com as exportações a atingirem diariamente os 31 mil barris de crude, gasolina e combustível para aviação em agosto, de acordo com a Reuters, e a representarem cerca de 30% do petróleo total que chegava à ilha.

Atualmente, a Rússia está a trabalhar com Havana para tentar resolver diplomaticamente este entrave imposto por Washington. “Temos contacto próximo com os nossos amigos cubanos através de canais diplomáticos. A situação de Cuba é crítica“, defendeu Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, citado pela agência EFE. O mesmo responsável considerou ainda que as medidas norte-americanas “estão a criar grandes dificuldades” e que Moscovo e Havana estão a explorar “maneiras de resolvê-las ou, pelo menos, mitigá-las”.

O México, também um dos fornecedores dos cubanos, suspendeu o fornecimento de petróleo a Cuba, com receio de uma resposta firme de Donald Trump, que se mostrou intransigente com a possibilidade de qualquer exportação de combustível para a ilha.

Ainda assim, Claudia Sheinbaum, Presidente Mexicana, diz que o país está empenhado em “retomar os embarques de petróleo” em direção a Cuba, garantindo que, para agora, enviará ajuda humanitária, enquanto se reúnem condições diplomáticas para a resolução do problema cubano, noticiou a Reuters.

Encontrar uma solução é o principal objetivo de Miguel Díaz-Canel. O Presidente cubano quer falar com os EUA e diz que o “estrangulamento económico pela maior potência mundial” está a piorar a já frágil economia cubana. “A perseguição energética, a perseguição financeira, a intensificação das medidas coercitivas são tais que sabemos que temos de fazer um trabalho muito forte, muito criativo e muito inteligente para superar todos esses obstáculos”, assumiu o Chefe de Estado.

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