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Pelo menos 2.842 palestinianos terão sido totalmente “vaporizados” em ataques levados a cabo por Israel na Faixa de Gaza com recurso a bombas termais e termobáricas internacionalmente proibidas, de acordo com uma investigação da Al Jazeera com base em dados da Defesa Civil de Gaza.

Estas bombas, por vezes classificadas como bombas de vácuo, geram temperaturas acima dos 3.500ºC no local do impacto, capazes não só de matar, mas de aniquilar por completo um corpo humano em poucos segundos, deixando poucos vestígios além de algum sangue e, por vezes, pedaços de carne.

A reportagem da Al Jazeera, publicada esta semana, inclui testemunhos de várias pessoas que perderam familiares desta forma — e que, por essa razão, não puderam enterrá-los.

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É o caso de Yasmin Mahani, que em agosto de 2024 entrou nas ruínas da escola de Al-Tabin, na Cidade de Gaza, em busca do seu filho Saad. “Entrei na mesquita e dei por mim a pisar carne e sangue”, disse Mahani à Al Jazeera. “Não encontrámos nada do Saad. Nem um corpo para enterrar. Essa foi a parte mais difícil.”

O uso de armas proibidas pelo direito internacional por parte de Israel na ofensiva contra a Faixa de Gaza tem motivado duras críticas contra o governo israelita.

As bombas de vácuo, que incluem compostos químicos como alumínio, magnésio e titânio, provocam não apenas explosões a temperaturas acima dos 3 mil graus, mas criam também um efeito de vácuo capaz de reduzir um corpo humano a cinzas em poucos segundos.

A investigação da Al Jazeera identificou três modelos diferentes de bombas usadas em Gaza com grande poder destrutivo, incluindo a MK-84, a BLU-109 e a GBU-39, todas de fabrico norte-americano.

Através do cruzamento de dados, por exemplo, relativos ao número de habitantes em cada casa, ao número de corpos encontrados em cada local, ao número de vítimas reportadas em hospitais, desaparecimentos e várias outras informações, a Defesa Civil de Gaza calculou que pelo menos 2.842 pessoas morreram totalmente vaporizadas por armas deste género.