“Sabem quem não é um dos meus convidados esta noite?”, perguntou Stephen Colbert à plateia do seu programa noturno da CBS na segunda-feira. “É o deputado estadual do Texas, James Talarico. Ele deveria estar aqui, mas fomos informados, sem rodeios, pelos advogados da nossa emissora, que nos contactaram diretamente, que não poderíamos tê-lo no programa”, acaba por responder Colbert à própria pergunta, recebida com vaias da plateia.
O comediante e apresentador do The Late Show, que já está de saída da emissora, garante ter sido avisado “com termos pouco claros” de que não só não podia ter o convidado no programa, como também não podia mencionar a sua ausência. “E como a minha emissora claramente não quer que falemos sobre isso, vamos falar sobre isso”, acrescentou.
Stephen Colbert acusou a própria emissora de impedir a transmissão de uma entrevista com James Talarico que é também candidato ao Senado dos Estados Unidos, alegadamente a pedido da equipa jurídica da Paramount Skydance, empresa‑mãe da CBS, noticiou o Washington Post.
O apresentador afirmou que a proibição estaria ligada a preocupações de que a entrevista violasse as regras da FCC (o equivalente norte‑americano da ANACOM) de tempo de antena equitativo para candidatos políticos.
This is the interview Donald Trump didn’t want you to see.
His FCC refused to air my interview with Stephen Colbert.
Trump is worried we’re about to flip Texas. pic.twitter.com/BCev5jZbKc
— James Talarico (@jamestalarico) February 17, 2026
A polémica surge num contexto de mudança recente das regras da FCC. Em janeiro, os programas de entrevistas diurnos e noturnos (talk shows, em inglês) passaram a estar obrigados a conceder espaço de antena equitativo a todos os candidatos políticos. Caso não pudessem cumprir esta exigência num episódio, as emissoras teriam de solicitar isenções individuais à Comissão Federal de Telecomunicações, atualmente liderada por republicanos.
A CBS, por seu lado, rejeitou a versão de Colbert. Num comunicado citado pelo Washington Post, afirmou que não pressionou o programa a cancelar a entrevista. “O The Late Show recebeu apenas orientação jurídica de que a transmissão poderia ativar a regra de tempo igualitário da FCC para outros dois candidatos, incluindo a deputada Jasmine Crockett, e foram apresentadas opções para garantir o cumprimento da regra”, explicou a emissora. A decisão do programa foi, então, disponibilizar a entrevista no YouTube, promovendo-a durante a emissão, em vez de arriscar infringir a regra na televisão.
“Este é o partido que se opôs à cultura de cancelamento”, disse Talarico a Colbert. “Agora estão a tentar controlar o que assistimos, o que dizemos, o que lemos. E este é o tipo mais perigoso de cultura de cancelamento — aquele que vem de cima.”
No dia seguinte à sua participação, James Talarico afirmou ter conseguido arrecadar 2,5 milhões de dólares (2,1 milhões de euros) para a sua campanha, o maior valor que já conseguiu.
BREAKING: Our campaign raised $2.5 million in 24 hours after the FCC banned our Colbert interview. pic.twitter.com/g6v4gzGAhS
— James Talarico (@jamestalarico) February 18, 2026