Mais de 3.600 botijas de óxido nitroso, substância psicoativa conhecida como “gás do riso”, foram apreendidas numa operação realizada pela PSP no início de fevereiro no Porto, a maior apreensão dos últimos quatro anos, indicou esta quinta-feira aquela polícia.
Em comunicado, a PSP refere que apreendeu 3.639 botijas de óxido nitroso durante uma operação policial realizada a 4 de fevereiro no concelho de Matosinhos que teve como objetivo “a repressão ao consumo de substâncias proibidas utilizadas para fins recreativos”.
Nesta operação, realizada em locais de armazenamento e distribuição, a PSP aprendeu o maior número de botijas de óxido nitroso dos últimos quatro anos, que totalizaram 521 apreensões entre 2022 e 2025.
Segundo dados da Polícia de Segurança Pública, em 2022 foram apreendidas 173 botijas de óxido nitroso, no ano a seguir 69, aumentando para 152 em 2024 e 127 no ano passado.
Na operação de fiscalização de fevereiro a PSP apreendeu ainda 123 boquilhas próprias para as botijas de óxido nitroso e 120 unidades individuais de “Vaper Smoke” (cigarro eletrónico) de vários sabores.
Esta força de segurança identificou também um cidadão de nacionalidade portuguesa e outro de nacionalidade espanhola que estavam na posse dos materiais apreendidos.
A PSP refere que foram levantados os autos de contraordenação e remetidos à entidade competente, que é a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
De acordo com a legislação, “é proibido produzir, importar, exportar, publicitar, distribuir, vender, deter ou disponibilizar novas substâncias psicoativas, exceto quando destinadas a fins industriais ou uso farmacêutico, desde que devidamente autorizados pelo INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P.”.
A contraordenação para uma pessoa singular varia entre os 750 euros e os 3.740 euros, enquanto para as entidades coletivas o valor entre 5.000 euros e máximo de 44.890 euros.
A PSP refere que “o simples consumo configura uma ilegalidade de natureza contraordenacional”.
A PSP salienta que está em alerta devido ao consumo desta substância desde 2021, quando foi emitido um alerta operacional para todo o dispositivo policial com o intuito de reforçar as medidas de fiscalização de venda e o consumo desta substância.
“Este gás [óxido nitroso], inodoro e incolor, tornou-se uma droga popular em festas e em contexto de diversão noturna. Pode ser inalado através de balões ou cartuchos vendidos para culinária, como os encontrados nos recipientes de chantilly”, refere a nota.
O gás é transferido para um balão e inspirado pelo utilizador, levando a uma sensação de euforia, à alteração do estado da consciência, a sensação de desconexão do ambiente circundante, entre outros sintomas, segundo a PSP.
A força de segurança refere ainda que o uso continuado do gás pode provocar, a longo prazo, “sérios danos no sistema imunitário”, alterações na memória, entre outros danos neurológicos (lesões ou doenças no sistema nervoso).
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