O raciocínio que presidiu ao lançamento de uma submarca da Audi para o mercado chinês, que se distingue da marca original sobretudo por abrir mão do tradicional emblema dos quatro anéis, foi relativamente simples. O construtor alemão pretendia lançar uma gama de modelos mais acessíveis, mas ainda assim a usufruir da imagem da marca e a respeitar os valores tradicionais do fabricante em termos de qualidade, mas isto sem que a baixa de preços belisque a reputação da Audi original, que se assume como um dos construtores premium europeus mais respeitados, até na China. Mas, por vezes, mesmo na melhor estratégia pode cair a nódoa e foi exactamente isso que aconteceu com a Audi sem os quatro anéis.
O primeiro modelo desta Audi “mais barata” e sem “jóias” foi lançado em final de 2024 na China. Denominado E5 Sportback, fabricado e vendido na China por uma joint venture com os chineses da SAIC, foi lançado por valores que começavam nos 235.900 yuans, o que equivale a 29.000€. Este valor é consideravelmente inferior a um modelo equivalente da Audi original, com quatro anéis e tudo. O Audi Q5 L, “devidamente” anelado, é proposto por 313.000 yuans, o que corresponde a aproximadamente 44.000€.
Após um ano no mercado chinês, o E5 Sportback comercializou apenas 7.070 unidades, tendo somente vendido 420 veículos em Janeiro de 2026, o que atira a média anual para 5.040 unidades, o que significa que a média anual, já de si baixa, revela tendência para descer. Daí que a Audi sem anéis tenha avançado para os descontos puros e duros para escoar a produção, retirando 30.000 yuans (3.700€) ao preço original, o que baixa o preço do E5 Sportback dos originais 29.000€ para apenas 25.300€, segundo a Car News China.
Graças ao desconto, o E5 Sportback coloca-se no mercado por um valor inferior ao novo Xiaomi SU7, modelo que vendeu 250.000 unidades em 2025, e ao mesmo nível de outro concorrente de peso como o Zeekr 007 GT. O E5 Sportback usufrui de 787 cv e anuncia uma autonomia de 773 km, mas segundo o método chinês CLTC, similar ao antigo NEDC europeu, que não se pautava pelo realismo no anúncio de emissões e consumos.