A Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciou nesta quinta-feira lucros de 1,9 mil milhões de euros, mais 10% do que no ano anterior e o valor mais elevado de sempre. O banco vai pagar um dividendo de 1,25 mil milhões ao Estado – esse será o valor proposto em assembleia-geral (sendo que o único acionista é o Estado português). A carteira de crédito na atividade em Portugal aumentou em 8%, um dos principais destaques dos resultados anuais.

A informação foi publicada pelo banco público em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e foi apresentada em conferência de imprensa liderada pelo presidente da comissão executiva, Paulo Macedo. O banqueiro salientou a “remuneração significativa” que o Estado está a receber, não só nos dividendos como nos impostos (IRC), notando que já foi recuperado todo o investimento que o Estado fez na injeção de capital de 2016/2017.

Além da devolução feita em dinheiro, através de dividendos, o banco entregou, também, a sede ao Estado – estando prevista para o terceiro trimestre de 2026 a mudança para novas instalações. A mudança de sede ocorre no ano em que o banco público celebra os 150 anos de existência.

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No exercício de 2025, a Caixa Geral de Depósitos reduziu em 276 milhões de euros a margem financeira (estrita), para 2.503 milhões, num reflexo da redução das taxas de juro (Euribor) que ocorreu em relação aos máximos fixados em 2023. A queda da margem financeira rondou os 10%.

Por outro lado, a cobrança de comissões praticamente estabilizou nos 587 milhões de euros, “com o desempenho da atividade da Caixa em Portugal a resultar, essencialmente, da evolução favorável das comissões recebidas associadas a meios de pagamento, bem como à comercialização de produtos de seguros e fundos de investimento, refletindo o aumento sustentado do volume de negócios da Caixa”. O banco salienta que pelo terceiro exercício consecutivo, manteve inalterado o preçário de comissões.

Paulo Macedo admite que Caixa pode participar na venda em bolsa da Fidelidade

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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) garante que não está a negociar com os chineses da Fosun para potencialmente reforçar a participação de 15% que tem na seguradora Fidelidade, que também é sua parceira na venda de seguros. Por outro lado, Paulo Macedo admite que se as negociações existissem, não o diria em público.

“Não temos qualquer negociação com o outro acionista da Fidelidade para uma aquisição”, disse o banqueiro, acrescentando, porém, que “se houvesse alguma negociação também diria que não havia”.

O banco público tem “interesse da Caixa em que a Fidelidade esteja cotada em bolsa” e, caso essa venda em bolsa se confirme, “nessa altura logo iremos analisar”.

Importante para a evolução dos resultados foi o ganho não recorrente no valor de 188 milhões de euros, relativo à venda da participação da Caixa na ADP – Águas de Portugal. O banco finalizou em dezembro a venda da sua posição na Águas de Portugal por 375,5 milhões de euros, gerando uma mais valia de 188 milhões de euros.

O banco fechou o ano de 2025 com uma rentabilidade dos capitais próprios de 17,4%.

Os resultados também beneficiaram de terem sido feitos 228 milhões em reversões de imparidades feitas anteriormente. Por outro lado, o banco contabilizou um ganho de 29 milhões de euros com a devolução da taxa de solidariedade cobrada ao setor bancário nos últimos anos, bloqueada (com efeitos retroativos) pelo Tribunal Constitucional.

Caixa Geral de Depósito vende 19% da Águas de Portugal por 375,5 milhões e consegue mais-valia de 188 milhões

A apresentação de resultados da Caixa acontece um dia depois de o Millennium BCP apresentar lucros que foram os seus melhores de sempre, mais de mil milhões de euros. Entre os principais bancos a operar em Portugal, falta apenas o Novo Banco apresentar os resultados anuais – esse momento está marcado para a sexta-feira da próxima semana, dia 6 de março.

“Melhores resultados de sempre”. Millennium BCP aumenta lucros em mais de 12%, ultrapassando pela primeira vez os mil milhões de euros

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