Portugal precisa de fazer “uma reflexão” sobre porque é que metade das casas no país, aproximadamente, não tem qualquer seguro. Esta é a opinião de Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos, transmitida na conferência de imprensa de apresentação dos resultados anuais do banco público, respondendo a uma pergunta dos jornalistas sobre se deveria haver mais medidas de apoio para as pessoas afetadas pelas intempéries.

Paulo Macedo fez esse comentário depois de indicar que o banco público já concedeu, até esta altura, cerca de mil moratórias (685 das quais a particulares) relacionadas com os impactos das tempestades de final de janeiro e início de fevereiro. Houve, também, 383 pedidos por parte de empresas, segundo dados partilhados com o Observador por fonte oficial do banco, após a conferência de imprensa.

Alinhando-se com aquilo que disse Miguel Maya, presidente do BCP, Paulo Macedo também considerou que a moratória concedida às pessoas afetadas pelas intempéries deve ser alargada ao crédito ao consumo. “As pessoas quando têm dificuldades, numa situação emergente como esta, essas dificuldades são transversais”, afirmou o presidente do banco público.

O líder da Caixa Geral de Depósitos lembra que as pessoas e as empresas pagam os seguros que são obrigatórios, “parece que há disponibilidade financeira para pagar os seguros obrigatórios” e, até, “os seguros que mais crescem são os seguros de doença, em que as pessoas compram porque veem um valor neles”. Porém, no que diz respeito às casas, “50% das casas não tem qualquer seguro” e é “preciso refletir” sobre isso.

Parte da explicação estará ligado ao nível de rendimento disponível dos portugueses, mas isso não explica tudo Paulo Macedo, alertando que é necessário ter seguros para os bens e, também, devem existir fundos para catástrofes, incluindo sismos, para os quais “as entidades devem contribuir, ao longo de um período de tempo alargado”.

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Além das moratórias, Paulo Macedo disse que o banco recebeu também diversos pedidos de aumento de ‘plafonds’ de cartões de crédito por parte de clientes, assim como pedidos para reforço das contas correntes destinadas a aliviar a tesouraria das empresas.

O presidente executivo da CGD afirmou que, após os pagamentos das seguradoras e dos apoios do Estado, o banco público irá lançar “um conjunto importante de linhas de crédito de médio e longo prazo para serem utilizadas”. Da parte do Estado, defendeu mais medidas “a fundo perdido”, ainda que ressalvando que a decisão vai implicar uma escolha em termos de utilização dos dinheiro públicos.

O gestor admitiu ainda que o prazo de vigência das moratórias, fixado pelo Governo em três meses, poderá ter de ser prolongado.

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