A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, recordou, na Grande Entrevista da RTP, o momento em que se decidiu cortar a A1, revelando que sugeriu, todos aceitaram e o primeiro-ministro foi informado.
“Quando houve o galgar do dique [do Mondego] estávamos numa reunião da Proteção Civil em Coimbra, a meio da tarde. O primeiro-ministro e o Presidente da República tinham estado connosco. O primeiro-ministro tinha acabado de sair, estava a Proteção Civil, o secretário de Estado da Proteção Civil, os três presidentes de câmara, os bombeiros, a Proteção Civil distrital, o presidente da APA e vimos em direto [o romper do dique] e o escoamento foi tal que a minha primeira impressão, e disse-o em voz alta, foi: vamos cortar a A1. E felizmente toda a gente concordou”, contou, revelando que Montenegro e Pinto Luz foram avisados, concordaram e se procedeu a esse corte “em poucos minutos”.
“Passado nem sequer uma hora, cedeu”, vincou, realçando que as imagens permitiram ver a “força, velocidade, a turbulência à volta do pilar” e agradecendo a “formação de engenheira” que permitiu a “prevenção e precaução”. “Evitámos um grande desastre”, garantiu.
A ministra do Ambiente e Energia entende que a “maior urgência” pós-tempestades é “recuperar o que foi danificado e devolver bem-estar e rendimento às pessoas”. “A extensão desta calamidade é enorme”, realçou.
A governante salientou ainda que, depois da passagem da Kristin e das tempestades que se seguiram, há pinhais na zona de Leiria, como na Marinha Grande e em Pombal, “destruídos a 70/80%”. E sublinhou que há uma “enorme preocupação em recuperar as casas, as empresas, os postos de trabalho e voltar um pouco à normalidade”.
Sobre a área que tutela, alertou que é precisa “toda a recuperação dos rios e ribeiras que ficaram destruídos, dos diques”. “No caso do Mondego conseguimos em cinco, seis dias recuperar provisoriamente. Estamos agora a fazer os diques do rio Lis. Portanto, há todo o país que é preciso recuperar em termos de sistemas hídricos”, explicou, apontando que é preciso também recuperar o abastecimento de água porque “há muitas fugas de água” que aconteceram devido ao deslocamento de terras.
A ministra garante também que na próxima semana haverá um “retrato completo” do litoral, nomeadamente de arribas, e que haverá obras “urgentes, antes da época balnear” porque “não passa pela cabeça que portugueses e visitantes cheguem e não tenham praia”. “Mas acontece neste momento, há praias que ficaram completamente sem areia e perigosas de se ir”, enalteceu, dando o exemplo de Albufeira, que tem limitações no acesso às arribas.