Depois de Hillary Clinton, foi a vez de Bill Clinton responder a questões sobre os crimes sexuais de Jeffrey Epstein. Pela primeira vez, um antigo Presidente norte-americano foi forçado pelo poder legislativo a testemunhar perante o Congresso e cumpriu esta sexta-feira essa obrigação, tendo “levantado mais questões sobre a relação entre o Presidente Trump e Epstein”, segundo os democratas que integram a comissão de inquérito.
“Não vi nada nem fiz nada de mal”, afirmou Clinton na sua declaração inicial, partilhada nas suas redes sociais. O antigo chefe de Estado começou por dizer que aceitou testemunhar — depois de ter sido ameaçado pelo Congresso com consequências legais — pelo respeito à democracia e o facto de as vítimas de Epstein “merecerem não só justiça, mas cura”. No entanto, fez questão de salientar que a sua relação próxima com o criminoso sexual “terminou anos antes de os seus crimes terem sido revelados”, o que aconteceu em 2008, quando Epstein foi condenado pela primeira vez por prostituição de menores.
Let's be clear: today, President Clinton raised more questions about the relationship between President Trump and Epstein – specifically with regards to the reason their relationship ended. Claims that President Clinton fully exonerated Trump are wrong and a mischaracterization.… https://t.co/Wor73BpJdC
— Oversight Dems (@OversightDems) February 27, 2026
Bill Clinton assegurou que durante o período em que foram próximos “não tinha ideia dos crimes que Epstein estava a cometer“. “Não importa as fotos que me mostrarem, tenho duas coisas que importam mais do que qualquer vossa interpretação dessas fotos com 20 anos. Eu sei o que vi e, mais importante, o que não vi. Eu sei o que fez e, mais importante, o que não fiz. Eu não vi nada nem fiz nada”, terá afirmado perante a comissão de inquérito, segundo o documento que partilhou.
A inocência de Bill Clinton é suportada pelo próprio com o seu passado. “Como alguém que cresceu numa casa com violência doméstica, não só não teria voado no seu avião se tivesse o mínimo conhecimento sobre o que ele estava a fazer — eu tê-lo-ia entregue eu mesmo e liderado o apelo para que se fizesse justiça pelos seus crimes”, continua. “Olhando para trás, não vi nada que me fizesse duvidar. Só estamos aqui porque ele escondeu tudo de todos tão bem durante tanto tempo”, remata.
As someone who grew up in a home with domestic abuse, not only would I not have flown on his plane if I had any inkling of what he was doing—I would have turned him in myself and led the call for justice for his crimes, not sweetheart deals. pic.twitter.com/0rX8cat5Pu
— Bill Clinton (@BillClinton) February 27, 2026
Para além dos seus argumentos, Clinton deixou críticas à comissão por ter exigido ouvir Hillary Clinton que “não teve nada a ver com Jeffrey Epstein”, “não tem memória de o ter conhecido” e “nunca viajou com ele ou visitou as suas propriedades”. Clinton rematou a sua declaração inicial com uma promessa de que não iria “especular” e dizendo que não é o seu papel “fazer de detetive 24 anos mais tarde” — que pode ser visto como uma crítica à comissão, responsável por exercer esse mesmo papel.
Num primeiro balanço, o presidente da comissão, James Comer, relatou que Clinton afirmou não ter qualquer conhecimento do envolvimento de Donald Trump nos crimes de Epstein. Porém, a declaração de Comer foi questionada pelos democratas na Comissão. “Não acho que isso seja uma descrição completa e exata do que foi dito”, comentou Robert Garcia em declarações aos jornalistas, em que voltou a exigir que o Presidente responda perante o Congresso.
I’m happy to clarify. President Clinton brought up a conversation he had with Trump in NYC re: Epstein. President Clinton said that Trump told him that he had a falling out with Epstein due to a land dispute. This directly refutes Trump’s claims about why he fell out with… https://t.co/g03ll16yrE
— Congressman Maxwell Alejandro Frost (@RepMaxwellFrost) February 27, 2026
Maxwell Frost, outro democrata da comissão, detalhou nas suas redes sociais que Bill Clinton mencionou especificamente uma conversa que teve com Trump em Nova Iorque, em que o agora Presidente lhe disse que se tinha afastado de Epstein por causa de “uma disputa de terras“, o que Frost sublinha como “uma contradição das alegações de Trump sobre porque se desentendeu com Epstein”.
Trump diz ter cortado relações com Epstein porque o empresário lhe “roubou” trabalhadores
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Notícia atualizada às 21h06 com as declarações de democratas e republicanos sobre Trump