A Polícia Judiciária (PJ) participou numa operação coordenada pela Europol que levou à detenção de dois suspeitos de crimes de aquisição de cartões ou dispositivos de pagamento obtidos por crime e sabotagem informática, informou esta quarta-feira a instituição.

Segundo a PJ, a operação da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica, denominada “LEAK”, que decorreu entre terça-feira e esta quarta-feira, além da detenção de dois suspeitos em Portugal, culminou na apreensão da base de dados do LeakBase, um dos maiores fóruns online do mundo utilizado por cibercriminosos para comprar e vender dados roubados.

Em Portugal, a PJ realizou seis buscas domiciliárias e uma não domiciliária que decorreram na Grande Lisboa e no Grande Porto e permitiram “a apreensão de relevante informação e de equipamento informático”, no âmbito de um inquérito liderado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

De acordo com a Judiciária, o LeakBase, ativo desde 2021, contava com mais de 142 mil utilizadores registados e especializava-se na comercialização de bases de dados divulgadas ilegalmente e nos chamados “stealer logs” – arquivos de credenciais roubadas recolhidas através de malware do tipo infostealer (códigos maliciosos (malware) que visam roubar dados pessoais sensíveis ou sessões autenticadas nos computadores pessoais).

A plataforma, acessível na Internet, combinava características de fórum de discussão, permitindo aos cibercriminosos comprar, vender e trocar dados comprometidos, explica a PJ, em comunicado, acrescentando que, em 2025, além dos mais de 142 mil utilizadores registados, tinha cerca de 32 mil publicações e mais de 215 mil mensagens privadas, “evidenciando a sua dimensão e alcance global”.

Na terça-feira, as autoridades policiais de Portugal, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Bélgica, Grécia, Países Baixos, Polónia, Roménia, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Malásia e Kosovo realizaram ações coordenadas de repressão em múltiplas jurisdições, incluindo detenções e buscas domiciliárias.

Segundo a Judiciária, as polícias dos diversos países “avançaram para a fase de perturbação técnica, apreendendo o domínio do fórum e substituindo-o por uma página informativa das autoridades”.

A PJ adianta que a operação vai entrar agora numa fase de prevenção destinada a dissuadir novas atividades criminosas e a aumentar a consciencialização sobre as consequências da prática de cibercrime.

Os parceiros têm trabalhado em estreita colaboração no âmbito da Joint Cybercrime Action Taskforce (J-CAT), acolhida na Europol, com vista à preparação da fase final da investigação.

Também esta quarta-feira, a PJ anunciou ter participado numa outra operação internacional coordenada pela Europol, que desmantelou a maior plataforma mundial de phishing, que afetou mais de 160 organizações em Portugal.

Em comunicado, a PJ explicou que a plataforma Tycoon 2FA estava em funcionamento desde agosto de 2023 e permitia “ultrapassar mecanismos de autenticação multifator e garantir o acesso ilegítimo a caixas de correio eletrónico”.

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