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Comportamentos “inaceitáveis e abomináveis”. Noma perde patrocinadores nos EUA após denúncias de ex-funcionários

Este artigo tem mais de 6 meses

Em resposta a mais de 30 testemunhos de abusos por parte do chef René Redzepi, dois grandes patrocinadores retiraram o seu apoio ao Noma antes da abertura de uma pop-up do restaurante em Los Angeles.

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▲O dinamarquês Noma deixou de funcionar como um restaurante convencional no final de 2024 para se tornar um “laboratório de alimentos”

AFP via Getty Images

▲O dinamarquês Noma deixou de funcionar como um restaurante convencional no final de 2024 para se tornar um “laboratório de alimentos”

AFP via Getty Images

Murros, empurrões e agressões com utensílios de cozinha são algumas das denúncias feitas por ex-funcionários do Noma ao chef e coproprietário René Redzepi, segundo mais de 30 testemunhos recolhidos pelo The New York Times. Em resposta, a American Express e a empresa de hotelaria Blackbird suspenderam os contratos com o restaurante dinamarquês dias antes da abertura de uma pop-up de quatro meses em Los Angeles, prevista para esta quarta-feira.

Os comunicados dos patrocinadores surgiram depois de o The New York Times expor um alegado padrão de abusos físicos e psicológicos de René Redzepi contra os funcionários do Noma. De acordo com jornal, ambas as empresas tinham adquirido bilhetes para os seus clientes para a pop-up de 16 semanas. O restaurante, semelhante aos que o Noma já realizou em Sydney, Quioto e Tulum, vendeu 42 bilhetes noite, estimando arrecadar 63 mil dólares diários e cerca de 4 milhões no total.

A American Express comprou bilhetes para seis noites para os seus clientes Platinum nos Estados Unidos e, segundo o jornal nova-iorquino, três já tinham sido vendidos e os outros três ainda não tinham sido disponibilizados. Um porta-voz da empresa disse que os clientes que compraram os bilhetes podem pedir reembolso, enquanto a receita das três vendas já realizadas será doada. Os restantes serão devolvidos ao Noma.

Entretanto a Blackbird, que investiu cerca de 100 mil dólares para garantir entradas durante todo o período do evento, afirma que vai reembolsar os clientes e doar os lucros da venda dos bilhetes a grupos de defesa de profissionais do setor da hotelaria. “As práticas passadas de René, segundo o próprio admitiu, em inaceitáveis ​​e abomináveis. Não nos podemos apoiar no tempo decorrido e em alegações de reabilitação quando estes casos ressurgem. Independentemente do contexto, este comportamento é extremamente problemático”, disse Ben Leventhal, CEO da Blackbird, ao Eater Los Angeles.

World's Number One Chef Rene Redzepi Forages In South Australia

▲ Redzepi já sido tinha filmado a gritar com cozinheiros no documentário de 2008 “Noma at Boiling Point”

Getty Images

A investigação do New York Times surgiu após Jason Ignacio White, o antigo diretor do laboratório de fermentação do Noma, ter denunciado no Instagram alguns dos abusos por parte de René Redzepi que presenciou, assim como de outros testemunhos que lhe foram chegando por mensagem. “O Noma não é a história da inovação. É a história de um maníaco que cultivou uma cultura de medo, abuso e exploração”, escreveu.

Em resposta às alegações, Redzepi publicou um comunicado nas redes sociais, onde diz que consegue ver nos testemunhos o suficiente para compreender que as suas ações foram “prejudiciais” para os funcionários com quem trabalhou. “Peço profundas desculpas aqueles que sofreram sob a minha liderança, o meu mau julgamento ou a minha raiva, eu trabalhei para mudar”, lê-se na publicação do Instagram.

Considerado o melhor restaurante do mundo cinco vezes, o dinamarquês Noma anunciou em 2023 os seus planos para fechar as portas como restaurante a tempo inteiro e abrir como um laboratório gastronómico de cozinha experimental, o Noma 3.0, continuando a realizar eventos pop-up por todo o mundo. Em Los Angeles, os preços rondavam os 1500 dólares por noite mas, mesmo assim, esgotou em cerca de três minutos, escreveu o The Guardian.

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