A “Marcha Pela Vida”, iniciativa anual que junta pessoas que acreditam que a vida começa no momento da conceção, que se declaram anti-aborto e contra a despenalização da morte medicamente assistida, ficou marcada pelo lançamento de um objeto incendiário contra as pessoas que se manifestavam pacificamente. A organização da “Marcha” fala em cocktail molotov. Não houve registo de feridos.

De acordo com a Rádio Renascença, o incidente aconteceu à frente do Parlamento, já no final da iniciativa e já depois de terem acabado os discursos. “Um indivíduo atirou um objeto incendiário na direção de mulheres, crianças e bebés. O objeto não chegou a incendiar”, avança a mesma Renascença, citando a organização da “Marcha Pela Vida”. O agressor acabou por ser detido pelos agentes da PSP presentes no local.

Em declarações à Agência Lusa, Nuno Marques Afonso, um dos coordenadores da iniciativa, explicou o que aconteceu. “Felizmente o pavio encharcou e a garrafa caiu sem chegar a incendiar-se”. Ninguém ficou ferido, mas muitas pessoas ficaram molhadas com o líquido incendiário.

A Marcha pela Vida, realizada em Lisboa no quadro da Caminhada pela Vida, que hoje teve lugar em 12 cidades do país, “é uma iniciativa pacífica, apartidária e aconfessional”, segundo os organizadores, que “condenam veementemente este ato de violência”.

Entretanto, o Patriarcado de Lisboa já emitiu um comunicado a condenar o sucedido. “O Patriarca de Lisboa recebeu, com preocupação, notícias de um ato de violência ocorrido durante a Marcha pela Vida, hoje, em Lisboa, num contexto onde se encontravam famílias e crianças. Os factos estão ainda a ser apurados, mas o que é relatado interpela profundamente a nossa consciência”, pode ler-se no site do Patriarcado.

“Tais acontecimentos são gravemente inaceitáveis. A violência nunca é caminho. Não constrói, não dignifica, não serve a verdade. E torna-se ainda mais dolorosa quando ameaça os mais frágeis, especialmente as crianças, que devem ser sempre sinal de esperança e nunca expostas ao medo.”

“O Patriarca de Lisboa apela a todos – cidadãos, instituições e autoridades – para que se preserve e promova um clima de respeito, liberdade e responsabilidade. Portugal deve continuar a ser uma casa onde as diferenças se exprimem em paz, sem medo, e onde o diálogo prevalece sobre o confronto”, remata-se.