Os CLA não são uma novidade na Mercedes, mas a mais recente geração do modelo é de longe o melhor CLA da história da marca, com ênfase para as versões eléctricas. Mas, para colocar nas mãos dos clientes versões mais acessíveis do CLA, o construtor alemão concebeu propostas com motores hybrid a gasolina, como o CLA 180 e CLA 220, que prometem melhores preços e um consumo (um pouco) mais comedido.

O curioso é que muitos clientes podem ficar surpreendidos pelo facto de a mecânica híbrida desta berlina alemã do segmento D, com 4,72 m de comprimento (apenas menos 7 cm do que o Classe C), ter muito pouco ou nada de alemão. Na realidade, o motor 1.5 sobrealimentado — que possui quatro cilindros e 1499 cc — é produzido pela Horse Powertrains, a empresa criada pelo Grupo Renault para a sua divisão de motores a combustão, que também servem as mecânicas híbridas e híbridas plug-in, joint-venture de que os chineses da Geely (donos de 10% da Mercedes e de 50% da Smart) também possuem 45%, o mesmo do construtor francês, com os sauditas da petrolífera Aramco a serem proprietários dos restantes 10%.

Estes motores 1.5 turbo, além de pertença da Horse, não se encontram entre os fabricados pela Renault na Europa ou fora dela, sendo antes produzidos pela Geely, na China, pelo menos assim garante a imprensa local. Os motores 1.5 sobrealimentados e electrificados por sistemas mild hybrid são concebidos de acordo com as especificações da Mercedes e de forma a estarem já de acordo com as futuras normas europeias Euro 7. Destinam-se a ser utilizados nos CLA 180, 200 e 220, esperando-se que motorizem igualmente outros modelos do construtor.

Este motor alemão com sotaque chinês e francês debita entre 136 cv (no CLA 180) e 190 cv (no CLA 220), caracterizando-se por possuir uma mais elevada do que o normal taxa de compressão (12:1), funcionando segundo o ciclo Miller, o melhor para extrair mais potência dos motores a combustão sobrealimentados, sem contudo abrir mão da tentativa de diminuir o consumo e as emissões poluentes. A unidade motriz recorre a cabeça e bloco em alumínio, revestidos com materiais como o Nanoslide nas zonas de fricção do seu interior, para incrementar a resistência e diminuir o atrito e as perdas de potência por aquecimento.

A componente eléctrica do 1.5 turbo mild hybrid assenta num motor eléctrico a 48V que fornece 30 cv (e uma respeitável força de 200 Nm), sendo alimentado por uma bateria de iões de lítio com uma capacidade bruta de 1,3 kWh, também aqui um acumulador mais em linha com um full hybrid do que apenas um mild hybrid. Tanto mais que a Mercedes reclama para o CLA a capacidade de circular puramente em modo eléctrico durante distâncias curtas em cidade (até aos 96 km/h), sendo capaz de recarregar a bateria com potências de até 25 kW durante as acelerações e travagens.

Uma vez instalado no CLA 180, o motor 1.5 fornece 136 cv e 200 Nm, o que conjugado com os 30 cv adicionais do motor eléctrico, permite um total modulado de 156 cv e 280 Nm, de acordo com a marca o suficiente para anunciar 218 km/h de velocidade máxima, 8,8 segundos de 0-100 km/h e um consumo de apenas 4,9 l/100 km. Mais uma vez, consumos mais dignos de um full hybrid do que um motor mild hybrid. Uma vez montado no CLA 220, o motor 1.5 eleva a potência para 190 cv, o que associado ao mesmo motor EV com 30 cv, atinge 211 cv e 380 Nm de torque. Valores que explicam os 240 km/h e 7,2 segundos de 0-100 km/h, com um consumo de 5 l/100 km.

O CLA 180 é proposto em Portugal por 48.250€, com o CLA 220 a exigir em troca 51.300€, preços que colocam este mHEV demasiado próximo das versões 100% eléctricas, já que o CLA 200 EQ é comercializado por 49.450€ (224 cv, bateria com 58 kWh e uma autonomia de 535 km), enquanto o CLA 250+ EQ está disponível a partir de 56.200€ (272 cv, 85 kWh e uma distância de 790 km entre carregamentos). O eléctrico mais potente dos CLA é o 350 4Matic EQ, o único com um motor por eixo e um preço de 60.750€ (354 cv, 85 kWh e 769 km entre visitas ao posto de carga).