Matthew Blank, de 23 anos, e Annie Ramos, de 22, tinham casado há menos de um mês e planeavam começar uma vida familiar em conjunto.
Blank é um sargento do exército norte-americano com cinco anos de percurso militar e passagens pelo Médio Oriente e pela Europa. Annie Ramos é uma imigrante hondurenha nos EUA, em situação irregular por ter sido levada para o país pela família quando ainda era bebé.
O casal pretendia passar a viver numa base militar, como é direito dos militares norte-americanos e suas famílias. No final de março, Matthew e Annie apresentaram-se na base para que, na sequência do casamento (que permite a um imigrante indocumentado tornar-se elegível para obter autorização de residência e, três anos depois, a nacionalidade) a mulher pudesse receber os documentos que a tornariam elegível para receber os benefícios próprios do cônjuge de um militar.
Porém, como conta o The New York Times, a história precipitou-se rapidamente noutra direção — e, em poucas horas, Annie Ramos estava detida num centro de detenção, nas mãos do ICE (a agência federal norte-americana para as fronteiras e imigração), para ser deportada para um país onde nunca viveu.
Tal como aconteceu com milhares de imigrantes indocumentados nos EUA, em 2005, com apenas 22 meses de idade, Annie Ramos recebeu à revelia uma ordem de deportação porque a sua família não compareceu numa audiência judicial. Habitualmente, a estas pessoas sentenciadas à deportação em crianças era permitido regularizar a sua situação migratória posteriormente. Simultaneamente, Annie candidatou-se em 2020 ao programa D.A.C.A., que garantia proteção a cidadãos estrangeiros em situação irregular que tinham chegado aos EUA em crianças — mas o seu pedido nunca chegou a ser processado, já que Donald Trump suspendeu o programa.
Annie e Matthew procuraram ajuda especializada junto de um advogado e estavam a conduzir o processo de forma, aparentemente, legítima. A situação de Annie deveria ficar regularizada no dia em que o casal se apresentou na base militar.
Contudo, sob a presidência de Trump, muitos destes casos passaram a ter outro desfecho. Antes de o casal conseguir sequer formalizar a burocracia necessária junto de base militar, os responsáveis pelo atendimento aperceberam-se da situação irregular de Annie e contactaram o ICE.
Em poucas horas, a jovem de 22 anos estava algemada e a ser levada para um centro de detenção, de acordo com a mãe de Matthew, Jen Rickling, que estava presente no dia da detenção e se cruzou com os agentes do ICE à entrada da sala onde se encontrava o casal. “Eles disseram-nos que não tinham escolha, disseram que tinham de levar a Annie”, disse Rickling. “Eu implorei-lhes que não a levassem. Eles disseram que os superiores os obrigaram a fazê-lo.”
O advogado que acompanha o casal quer agora reabrir e contestar o antigo processo de deportação, o que terá o efeito imediato de impedir a retirada de Annie do país. Matthew deverá começar, no final deste mês, um novo treino com o objetivo de ser novamente mobilizado — e garante que pretende lutar por Annie ao mesmo tempo que serve o país.
De acordo com o The New York Times, o processo de autorização de residência de Annie está pronto, faltando apenas a assinatura da própria. Este fim de semana, Matthew visitou-a no centro de detenção, mas foi impedido de levar o documento para a visita, pelo que Annie não o pôde assinar.