21 horas. Após praticamente um dia inteiro de negociações entre Estados Unidos e Irão mediadas pelo Paquistão, estas acabaram sem os dois países a chegarem a um acordo. Os iranianos acusam Washington de manter uma postura maximalista no que diz respeito à questão nuclear, enquanto os norte-americanos apontam que Teerão não está disposto a ceder no Estreito de Ormuz.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou este domingo que os Estados Unidos vão bloquear o Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira. Os EUA podem mesmo retomar as operações militares contra o território iraniano: o chefe de Estado assumiu que está “pronto” para acabar com o que “resta do Irão”. Por sua vez, a Guarda Revolucionária do Irão alertou para a possibilidade de Washington ficar “preso num vórtice mortal no Estreito se cometerem o erro” de o bloquearem.
No plano internacional, Donald Trump ameaçou a China com “tarifas esmagadoras” de 50% caso forneça apoio militar a Teerão. Após o falhanço nas negociações, o Presidente russo, Vladimir Putin, ligou ao homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, e ofereceu-se para mediar as conversações de paz.
Pode recordar todos os acontecimentos de sábado aqui.
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo deste domingo, dia 12 de abril:
No Irão
- As negociações entre os Estados Unidos e o Irão, realizadas no Paquistão, terminaram sem qualquer acordo após mais de 21 horas de reuniões.
- Os principais pontos de discórdia consistiram no controlo iraniano do Estreito de Ormuz e a recusa de Teerão em livrar-se do stock de urânio enriquecido.
- O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que é “irrealista” esperar um acordo numa única ronda de negociações, lembrando o ambiente como de “desconfiança e suspeita” em que ocorreram as conversações de paz.
- Ao mesmo tempo, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano deu a entender que a “diplomacia nunca acaba”, mas que Teerão não tem pressa em retomar as negociações — colocando a “bola” do lado dos Estados Unidos.
- A delegação iraniana abandonou o Paquistão imediatamente após o fim das conversações.
- Na mesma linha, a delegação norte-americana liderada pelo vice-presidente deixou o Paquistão após 21 horas de negociações. Após abandonar Islamabad, JD Vance confirmou o fracasso das conversações de paz, reiterando a linha vermelha dos EUA em relação ao programa nuclear iraniano.
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Tendo em conta que as negociações fracassaram, o Presidente norte-americano anunciou que as forças dos EUA vão “iniciar o processo de bloqueio de todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz” esta segunda-feira às 15h00.
- Donald Trump garantiu que as tropas norte-americanas estão “prontas” para acabar com o que “resta do Irão” e declarou que o Irão nunca vai ter uma arma nuclear. Os Estados Unidos estão a ponderar retomar com os ataques militares contra território iranianos após o falhanço nas negociações.
- A Guarda Revolucionária Iraniana avisou que qualquer navio militar que se aproxime do Estreito de Ormuz será considerado uma violação do cessar-fogo de duas semanas e enfrentará “resposta vigorosa”.
- Os iranianos classificaram a ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz de Donald Trump como “ridícula”. A Guarda Revolucionária alertou para a possibilidade de os Estados Unidos ficarem “presos num vórtice mortal no Estreito se cometerem o erro” de o bloquearem.
- Apenas um navio atravessou o Estreito de Ormuz no domingo sem utilizar as rotas impostas por Teerão.
- Dois contratorpedeiros norte-americanos transitaram no Estreito de Ormuz para preparar a limpeza de minas navais.
- Existem relatos de divisões na delegação iraniana entre uma ala radical, liderada pela Guarda Revolucionária, e uma fação mais pragmática, chefiada pelo Presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi. Enquanto os primeiros pretendem continuar o conflito, os segundos preferem uma abordagem mais cautelosa e explorar a possibilidade de negociações.
Em Israel e no Líbano
- O conflito terrestre prolongou-se no sul do Líbano. As Forças de Defesa de Israel lançaram pelo menos 35 ataques aéreos.
- Em resposta, a milícia libanesa Hezbollah lançou cerca de 20 rockets e drones contra o norte de Israel.
- As IDF levaram a cabo uma operação militar num hospital em Aainata, no Líbano, onde apreenderam um depósito de armas e eliminaram cerca de 20 militantes do Hezbollah.
- As forças israelitas abalroaram veículos da UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), causando danos significativos num dos casos.
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Apesar do conflito, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, reiterou o desejo de um “verdadeiro pacto de paz” com o Líbano.
- O Ministério da Saúde do Líbano confirmou um total acumulado de 2.020 vítimas mortais e 6.436 feridos desde o dia 2 de março.
- Várias pessoas manifestaram-se em Beirute contra a possibilidade de negociações diretas entre o Líbano e Israel.
Nos países do Golfo
- Não houve registo de quaisquer ataques iranianos contra nenhum país do Golfo no passado domingo.
- O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita convocou formalmente o embaixador do Iraque em Riade. Os sauditas pretendem obter esclarecimentos sobre os ataques de drones lançados por milícias iraquianas pró-Irão contra o território do país.
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No resto do mundo
- Donald Trump ameaçou a China com “tarifas esmagadoras” de 50% caso forneça apoio militar a Teerão e ordenou que os EUA investiguem qualquer violação das sanções ao petróleo iraniano.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, pediu a Washington e a Teerão para manterem o compromisso com o cessar-fogo e prosseguirem as negociações “num espírito positivo”.
- Após uma conversa com o Presidente iraniano Masoud Pezeshkian, o chefe de Estado da Rússia Vladimir Putin declarou-se pronto a ajudar na mediação dos esforços de paz.
- O Reino Unido lamentou o colapso das negociações entre Estados Unidos.
- O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, apelou ao cumprimento do cessar-fogo e ao regresso imediato às negociações, alertando para as consequências económicas globais do prolongamento do conflito.
- O colapso das negociações diplomáticas provocou uma subida imediata nos preços globais do petróleo e do gás natural.