Afinal, não eram assim tão aliados. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pareceu distanciar-se, esta terça-feira, do primeiro-ministro em funções húngaro. Após o Fidesz ter perdido as eleições com 38% dos votos e a oposição ter obtido uma supermaioria no Parlamento húngaro, a Rússia assegurou que “nunca foi amiga” de Viktor Orbán.

Durante os últimos anos no poder, Viktor Orbán aproximou-se da Rússia. O primeiro-ministro húngaro em funções bloqueou as iniciativas da União Europeia (UE) de apoio à Ucrânia e vetou pacotes de sanções a Moscovo. Antes das eleições do passado domingo, foi divulgado um áudio em que o chefe do executivo da Hungria teria dito ao Presidente russo, Vladimir Putin, que estaria ao “seu serviço”.

Magyar garante que Orbán nunca mais se poderá candidatar ao cargo com mudança constitucional que planeia introduzir

O rival de Viktor Orbán, Péter Magyar, passou parte da campanha eleitoral a prometer distanciar a Hungria da Rússia. Numa conferência de imprensa esta segunda-feira, o futuro primeiro-ministro assegurou que atenderia uma chamada do Presidente russo, mas preconizou que seria “curta”: “Dir-lhe-ia para parar com as mortes na Ucrânia”.

Ainda assim, Péter Magyar defendeu uma “cooperação pragmática” com a Rússia, recordando que a Hungria ainda continua dependente de gás natural e petróleo russo.

Em reação às palavras do futuro primeiro-ministro, Dmitry Peskov afirmou, citado pelo jornal Guardian, estar “satisfeito” pela boa vontade demonstrada por Péter Magyar para encetar um “diálogo pragmático” com a Rússia. “Neste caso, existe uma vontade mútua da nossa parte. Seguiremos as orientações das medidas tomadas pelo novo governo húngaro”, destacou o porta-voz do Kremlin.

Sobre os resultados das eleições legislativas húngaras, a presidência russa assegurou que não os ia contestar. “A Hungria fez a sua escolha. Respeitamos essa escolha”, assinalou Dmitry Peskov.

[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui o segundo episódio, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio]