Delegações dos EUA e do Hamas falaram diretamente pela primeira vez desde que foi acordado o cessar-fogo na Faixa de Gaza entre o exército israelita e o grupo armado palestiniano em outubro do ano passado. As conversas entre a Casa Branca e o Hamas não querem dizer, ainda assim, que o cenário de um regresso da guerra à Faixa de Gaza esteja totalmente afastado, com Telavive, segundo a CNN, a mostrar-se disposta a abrir um novo conflito armado no enclave.
Atualmente, o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, alcançado em outubro, encontra-se paralisado. Além disso, segundo o Ministério da Saúde palestiniano, pelo menos 765 pessoas morreram devido a ataques israelitas na região desde que o aordo foi alcançado.
Para evitar um eventual retrocesso irreversível no processo de paz, Aryeh Lightstone, conselheiro sénior dos EUA, e o Alto Representante do Conselho de Paz para Gaza (organismo criado por Trump), Nickolay Mladenov, reuniram-se com Khalil al-Hayya, principal negociador do Hamas, no Cairo, na última terça-feira à noite. Al-Hayya deslocou-se ao Egito com o objetivo de pressionar Lightstone para que Israel cumpra integralmente a primeira fase do acordo de cessar-fogo, que inclui o fim dos ataques e a entrada de mais ajuda humanitária em território palestiniano.
Dias antes, Lightstone esteve com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, precisamente com o mesmo objetivo, revelou uma fonte próxima à estação norte-americana. Israel terá demonstrado disponibilidade para cumprir o acordo, mas sob uma condição: o desarmamento total do Hamas.
Esta medida, porém, é uma das cláusulas da próxima fase do processo de paz, que também exige a chegada de uma força armada internacional a Gaza e a retirada das forças armadas israelitas. Por isso, o Hamas considera desequilibrada a condição imposta por Telavive, uma vez que “as medidas da primeira fase estão a ser adiadas ou marginalizadas”, disse um alto responsável à CNN. Havendo ainda compromissos por respeitar, o processo fica reduzido “a uma única cláusula”, defendeu. “O documento proposto reflete um grande desequilíbrio na ordem de prioridades: a segurança de Israel em primeiro lugar, enquanto os direitos humanitários, políticos e administrativos dos palestinianos são adiados”, afirmou.
Perante este impasse, Israel diz estar pronto para recomeçar um conflito armado. “Chegou mesmo ao ponto de Mladenov lançar ameaças indiretas: aceitem o acordo ou enfrentem o regresso à guerra”, concluiu a mesma fonte.
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