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"Vil a todos os níveis": Tucker Carlson admite estar "atormentado" por ter apoiado Donald Trump

Em 1999, o antigo rosto da Fox News apelidou Trump como “a pessoa mais repugnante do planeta". Em 2016, pediu que fosse levado a sério e em 2024 apoiou-o durante toda a campanha presidencial.

epaselect epa10100951 (L-R) Republican Congresswoman Majorie Taylor Greene of Georgia, Fox News television personality Tucker Carlson, and former US President Donald J. Trump watch the third round of the LIV Golf Bedminster invitational, part of the new LIV Golf Invitational Series, at the Trump National Golf Club in Bedminster, New Jersey, USA, 31 July 2022.  EPA/JUSTIN LANE
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▲A revista Time descreveu Tucker Carlson como um homem assente na “provocação” e a New Yorker já o classificou como “a voz mais influente da direita”

JUSTIN LANE/EPA

▲A revista Time descreveu Tucker Carlson como um homem assente na “provocação” e a New Yorker já o classificou como “a voz mais influente da direita”

JUSTIN LANE/EPA

Tucker Carlson, antigo rosto da Fox News, afirmou estar “atormentado” por ter apoiado Donald Trump no passado e pediu desculpa aos seus apoiantes por os ter “enganado”. Numa conversa no seu podcast, The Tucker Carlson Show, com o irmão, Buckley Carlson, o comentador refletiu sobre o afastamento dos valores conservadores tradicionais no Partido Republicano que, segundo defende, se encontra atualmente dominado pelo Presidente dos Estados Unidos.

“Seremos atormentados por isto durante muito tempo – eu serei”, admitiu Carlson ao irmão, antigo responsável pelos discursos de Donald Trump. “Quero pedir desculpa por ter enganado as pessoas. Não foi intencional, é tudo o que vou dizer”, acrescentou ainda o podcaster conservador, citado pelo The Guardian.

Embora Tucker Carlsontenha descrito em 1999 o atual Presidente dos Estados Unidos da América como “a pessoa mais repugnante do planeta”, viria mais tarde a antecipar-se à maioria dos comentadores ao defender que Donald Trump deveria ser levado a sério antes da sua primeira eleição presidencial, em 2016. Já na campanha de 2024, quando Trump voltou a candidatar-se à presidência, o comentador conservador apoiou-o ao longo de todo o processo e chegou mesmo a discursar num evento poucos dias antes das eleições.

Entretanto, desde o início do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, Tucker Carlson tem-se vindo a mostrar cada vez mais em desacordo com Donald Trump. O antigo rosto da Fox News terá mesmo afirmado, segundo o The Guardian, que a linguagem utilizada pelo Presidente ao referir-se ao Irão era “vil a todos os níveis”, chegando a assumir responsabilidade pessoal pelo regresso de Trump ao poder. “De formas muito pequenas, mas reais, tu, eu e milhões de pessoas como nós somos a razão pela qual isto está a acontecer agora”, disse ao irmão no podcast The Tucker Carlson Show.

“Sempre gostei de Trump e sinto pena dele, como sinto por todos os escravos”

No início de abril, Donald Trump lançou um ataque na rede social Truth Social dirigido a Tucker Carlson e a outras figuras associadas ao movimento MAGA, como Candace Owens e Alex Jones. “Carlson, que nem sequer conseguiu terminar a faculdade, estava devastado quando foi despedido da Fox e nunca mais foi o mesmo — talvez devesse consultar um bom psiquiatra”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos.

“Sempre gostei de Trump e sinto pena dele, como sinto por todos os escravos. Está encurralado por outras forças e não pode tomar as suas próprias decisões. É horrível de se ver”, reagiu o comentador dias depois da publicação do Presidente, em entrevista à Newsmax.

Recentemente, Carlson questionou se Trump seria o “anticristo”, após os recentes ataques do Presidente dos Estados Unidos contra o Papa Leão XIV, crítico do atual conflito com o Irão. “Ele está a gozar com Jesus. Está a ridicularizar o cristianismo. A figura central da religião está a ser usada como alvo de escárnio”, afirmou o antigo rosto da Fox News, citado pelo The Guardian. “Será este o anticristo? Bem, quem sabe? Pelo menos é essa a minha conclusão. Quem sabe?”, acrescentou.

Tucker Carlson reiterou ainda as suas críticas à intervenção militar dos Estados Unidos ao Irão, afirmando que Trump “claramente não tinha um plano para [a guerra], não estava entusiasmado com [ela], estava plenamente consciente dos riscos e de que isso representava uma traição às suas promessas explícitas ao longo de 10 anos de não o fazer — fê-lo e fê-lo contra a sua vontade”.

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