Um grupo de 486 suspeitos de pertencerem ao gangue centro-americano Mara Salvatrucha (MS-13) enfrentam um processo judicial por “47 mil crimes”, cometidos entre 2012 e 2022.
O julgamento teve início na segunda-feira e, de acordo com a Procuradoria Geral da República de El Salvador, na rede social X, os suspeitos estão acusados de crimes de homicídio, incluindo de 80 polícias, femicídio, extorsão, narcotráfico, desaparecimentos forçados e tráfico de armas. Terão ainda dado ordem para serem executadas 86 pessoas.
#CombateAPandillas | Este día, 486 cabecillas de la MS-13, se enfrentan a la justicia, en una audiencia abierta.
A estos criminales se les acusa de cometer más de 47,000 delitos, ordenados directamente por ellos y ejecutados a nivel nacional entre 2012 y 2022.
Durante años,… pic.twitter.com/achqpMpaMB
— Fiscalía General de la República El Salvador (@FGR_SV) April 21, 2026
O julgamento decorre em grande parte por videoconferência, com os suspeitos detidos em várias prisões de alta segurança. A Procuradoria-Geral afirma ter “provas contundentes que permitirão a imposição de penalidades máximas a cada um dos arguidos“.
Esta ação judicial massiva insere-se na estratégia de combate ao crime organizado do Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que declarou estado de emergência em 2022 com esse objetivo. Desde então, mais de 90 mil pessoas foram detidas e, segundo a Reuters, a taxa de homicídios desceu, em 2025, para 1.3 por 100.000 pessoas, em comparação com 7.8 em 2022.
Se les imputan crímenes que marcaron al país:
✅ Homicidios y feminicidios.
✅ Extorsión y narcotráfico.
✅ Desapariciones y tráfico de armas.Estos hechos no solo afectaron vidas, sino que también, limitaron el desarrollo económico y social del país.
Además, son procesados por… pic.twitter.com/WlhascHmQA
— Fiscalía General de la República El Salvador (@FGR_SV) April 21, 2026
O MS-13 é um gangue que estabeleceu uma reputação de violência extrema. Foi fundado em Los Angeles, em 1980, por imigrantes que fugiram da guerra civil de El Salvador. A Procuradoria Geral da República do país da América Central afirma que, “durante anos, esta estrutura operou de forma sistemática, causando medo e luto nas famílias salvadorenhas”.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) declarou, na terça-feira, profundas preocupações sobre as violações dos direitos humanos durante o longo estado de emergência e pediu o fim do seu uso como estratégia de combate ao crime organizado. “Este regime suspende os direitos a uma defesa legal e à inviolabilidade das comunicações, e também estende os prazos de detenção administrativa”, disse o organismo comunicado.
*texto editado por Cátia Andrea Costa
[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista social. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]