Na noite do Jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, o “assassino federal amigável” — como se intitulou Cole Tomas Allen — tinha um objetivo: atingir elementos da Administração Trump, sem especificar quais. Além do próprio Presidente Trump, no hotel Washington Hilton encontravam-se o Vice-Presidente JD Vance e Mike Johnson, o presidente da Câmara dos Representantes, os três detentores dos cargos mais importantes do país.
Questionado acerca dos problemas de segurança motivados por ter no mesmo local os três primeiros governantes, o procurador-geral interino Todd Blanche garantiu em conferência de imprensa que os protocolos tinham funcionado e que o atirador não se tinha aproximado deles. “O facto de que o Vice-Presidente e de outros elementos da liderança estavam na noite passada numa sala é a razão pela qual tínhamos um dispositivo robusto de segurança a rodear o local, e dentro do local. E é essa a razão pela qual estamos todos seguros”, assinalou Todd Blanche numa entrevista à ABC News.
“Qualquer pessoa podia entrar no hotel com armas.” As falhas do Serviço Secreto no ataque a Trump
Certo é que, segundo o The Wall Street Journal, o procurador-geral interino não revelou se existia um “sobrevivente designado” — o membro do governo dos EUA que deve ficar longe de qualquer evento onde possa ocorrer um ataque que neutralize os líderes na linha de sucessão ao cargo ao mesmo tempo — para o Jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca. Questionado diretamente pela CBS, disse: “Não vamos parar de fazer coisas como o que fizemos na noite passada nesta Administração e este homem, se um dos seus objetivos era assustar-nos, falhou.”
Além de Trump, Vance e Johnson, também o secretário de Estado Marco Rubio, o Secretário do Tesouro Scott Bessent, e o Secretário da Defesa Pete Hegseth estavam no jantar. “É verdade, todas estas pessoas estavam na sala e mais, e ainda assim estamos todos seguros”, afirmou ainda o procurador-geral interino.
Também Tulsi Gabbard, diretora dos Serviços Secretos dos EUA, bem como o Secretário dos Transportes Sean Duffy, o Secretário da Saúde Robert Kennedy Jr., a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt, e o diretor do FBI Kash Patel estavam na sala International, que acolheu o jantar. Depois do tiroteio, Donald Trump garantiu que a “primeira-dama, mais o Vice-Presidente, e todos os membros do governo, estão em perfeitas condições”.
Os jornalistas captaram ainda o vice-chefe de gabinete de Donald Trump, Stephen Miller, a proteger a mulher, Katie Miller, que está grávida. Acabaram por ser retirados por elementos da equipa de segurança:
Stephen Miller shielding his pregnant wife with his own body.
Hero.
Prayers for everyone at the White House Correspondents’ dinner. pic.twitter.com/AjBZbds4Bt
— Live Action (@LiveAction) April 26, 2026
O mesmo aconteceu com o Secretário do Tesouro, Scott Bessent:
The cabinet was escorted out of the room here at the White House Correspondents Dinner, stepping over broken plates to get out
Here’s Treasury Secretary Scott Bessent and Acting AG Todd Blanche pic.twitter.com/erZeiYEIK6
— Zach Schonfeld (@ZachASchonfeld) April 26, 2026
Pete Hegseth, o Secretário da Defesa, também foi retirado com a mulher, Jennifer Hegseth.
Secretary of War Pete Hegseth calmly walking through the ballroom like a boss in the post-gunfire chaos. pic.twitter.com/kivom2izN6
— KelFitton (@KelFitton) April 26, 2026
No seu manifesto, o atirador Cole Tomas Allen troçou com a falta de segurança do local. “Aparentemente, ninguém pensou no que acontece quando alguém faz o check in no dia anterior”, escreveu. Com esse tempo, pôde circular por todo o hotel e preparar-se para o ataque, que foi travado quando passou a correr por uma zona onde existiam detetores de metais.
Para Donald Trump, o que podia ter acontecido na sala onde se concentrava o governo norte-americano deve acelerar um dos seus projetos mais queridos: a construção do salão de bailes da Casa Branca, avaliado em 400 milhões de dólares (370 milhões de euros) e que está a ser alvo de um processo por parte do Fundo Nacional para a Preservação Histórica. O Departamento de Justiça dos EUA já pressionou o Fundo com uma carta em que insiste que o salão é “essencial para a proteção e segurança do presidente”.