A reta final da Premier League está a revelar-se um autêntico jogo do gato e do rato. Arsenal e Manchester City não têm qualquer margem de erro até ao final da temporada e ambos sabem que, seja quando for, uma eventual escorregadela pode acabar por oferecer o troféu ao rival. Neste sentido, quem entra em campo depois de o outro já ter jogado e ganhado está sempre mais pressionado — e era precisamente o que acontecia esta segunda-feira à equipa de Pep Guardiola.

Dias depois de o Arsenal ter vencido e convencido contra o Fulham de Marco Silva, o Manchester City deslocava-se a Liverpool para defrontar o Everton e já sabia que tinha de ganhar para continuar a três teóricos pontos da liderança, já que ainda tem um jogo em atraso contra o Crystal Palace que só será cumprido no final do mês. Com o fim da temporada a aproximar-se, porém, o tema no universo dos citizens volta a ser o mesmo dos últimos verões: será que Pep Guardiola vai continuar no Etihad?

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Por agora, parece que sim. “Mesmo com todos os títulos, não estaria aqui há dez anos se não tivéssemos este ambiente incrível. E ainda tenho uma energia inacreditável. Continuo bem, continuo a gostar de vir trabalhar nos dias de folga. Claro que estou cá porque ganhei muita coisa e foi por isso que nunca me despediram, porque continuam a confiar em mim. Porém, além disso, o clube é mesmo, mesmo extraordinário. É como uma bolha que faz com que todos se sintam bem. É um clube grande, mas é uma família”, explicou o treinador espanhol.

Na mesma conferência de imprensa, na antevisão da deslocação a Liverpool, Pep Guardiola aproveitou para falar sobre Rayan Cherki — reforço de verão dos citizens que tem sido crucial nas últimas semanas, levando já dez golos e 13 assistências desde o início da época. “Neste momento, no Instagram, ele está a praticar boxe. Foi uma surpresa para mim, não estava à espera. Já viram? Vão ver, é top. Eu cá não vou discutir com ele, comigo vai jogar sempre, todos os jogos. Honestamente. Ele é assustador”, brincou o catalão, referindo-se a um vídeo partilhado pelo francês em que este demonstra uma técnica impressionante no ringue.

Ora, neste contexto e no novo Hill Dickinson Stadium, Pep Guardiola apostava em Jérémy Doku, Rayan Cherki e Semenyo no apoio a Haaland, com Matheus Nunes na direita da defesa. Bernardo Silva, também titular, realizava o jogo 300 pelo clube na Premier League, tornando-se apenas o segundo jogador a atingir a marca, depois de David Silva. Do outro lado, num Everton que vinha de três jogos sem ganhar, mas que está tranquilo a meio da tabela, David Moyes lançava o ex-Portimonense Beto como referência ofensiva.

Jérémy Doku abriu o marcador ainda na primeira parte, com um belo remate à entrada da grande área (43′), e o Manchester City foi para o intervalo a vencer o Everton. Já na segunda parte, David Moyes mexeu pela primeira vez e lançou Thierno Barry, que só precisou de escassos minutos para empatar na sequência de um erro incompreensível de Marc Guéhi (68′). Logo a seguir, a reviravolta: canto na esquerda e Jake O’Brien, de cabeça e ao primeiro poste, marcou (73′). 

Pep Guardiola reagiu a partir do banco, com Kovacic e Phil Foden, mas Thierno Barry entrou endiabrado e bisou já dentro dos últimos dez minutos (81′). O jogo, porém, estava longe do fim. Haaland reduziu a desvantagem pouco depois, fugindo à defesa adversária para bater Jordan Pickford na passada (83′), e Doku garantiu o empate com um remate em jeito brutal já bem dentro do período de descontos (90+7′). No fim, o Manchester City empatou com o Everton em Liverpool e ficou a cinco pontos da liderança do Arsenal — ou seja, mesmo com um jogo em atraso, os citizens precisam agora de que os gunners escorreguem para chegarem à conquista da Premier League.