A Direção de Informação (DI) da Lusa enviou uma carta ao presidente da câmara de Vila Nova de Gaia na qual criticou a postura do executivo, depois de acusar a agência de “tentativa de manipulação”, numa missiva apoiada pelo Conselho de Redação.
Numa nota divulgada na quinta-feira, a DI da Lusa disse ter enviado uma carta a Luís Filipe Menezes “repudiando acusações que o seu executivo dirigiu à agência”. Em causa está um comunicado publicado nas redes sociais da autarquia, que acusa a Lusa de “tentativa de manipulação”, que qualifica de “lastimável, mentirosa e reles”, além de “habitual”.
O comunicado, em termos que a DI considerou “muito gravosos para a agência e para o jornalismo”, refere-se a uma notícia da Lusa publicada no Jornal de Notícias e baseada em informações publicadas no Diário da República.
A notícia em causa noticiava a anulação de um concurso para 136 funcionários no dia seguinte à informação da abertura de concursos para 93 cargos de chefias na mesma autarquia. A DI da agência Lusa diz ter falado com os jornalistas, que apontaram que “foi dada oportunidade à câmara de se pronunciar sobre os factos noticiados, o que não foi aceite”, acabando o comunicado por ser publicado “pouco depois”.
“A DI manifestou ainda o seu repúdio pelos termos em que o comunicado se refere ao assunto, extrapolando para o exercício da profissão de jornalista, por palavras que só podemos considerar ofensivas e lamentáveis”, refere, na nota.
A Direção de Informação disse estar preocupada com a repetição de casos deste tipo, apontando que o jornalismo “é uma profissão que só pode ser exercida em liberdade”. Durante esta sexta-feira, o Conselho de Redação da Lusa expressou, em comunicado, apoio à DI.
“As acusações dirigidas à Lusa pela Câmara Municipal de Gaia são injustas e desproporcionadas, sobretudo quando a notícia em causa se baseou exclusivamente em informação oficial publicada em Diário da República”, refere o organismo representante dos trabalhadores.
O Conselho de Redação da Lusa reforçou que estes ataques “não só desvalorizam o papel essencial da imprensa livre, como procuram fragilizar o exercício responsável da profissão”. Recorde-se que, em abril, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, acusou o jornalista da Lusa João Gaspar de ter cometido uma falha deontológica grave e de ter uma agenda política. A autarca acabou por retratar-se publicamente das acusações que tinha feito ao jornalista, admitindo que teve “um momento infeliz, que não se voltará a repetir”.
No passado dia 4 de maio, a Comissão de Trabalhadores da Lusa denunciou que foi alvo de comportamentos intimidatórios por um funcionário do gabinete do ministro da Presidência, que detém a tutela sobre a comunicação social – conduta considerada inadequada pelo chefe de gabinete de Leitão Amaro.
No comunicado, a CT salientou que, “contrastando com a reunião formal com o ministro António Leitão Amaro, a qual decorreu de forma cordata apesar das divergências de pontos de vista, o alto funcionário interpelou” a Comissão de Trabalhadores “em tom insultuoso e intimidatório pondo em causa a idoneidade dos representantes dos trabalhadores”.
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