1239,4kWh poupados 1239,4 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Espanha. Ex-primeiro-ministro José Luis Zapatero investigado por suspeitas de branqueamento e tráfico de influências

Antigo líder espanhol está a ser investigado no âmbito do caso Plus Ultra. Zapatero apresenta-se em tribunal a 2 de junho. Juiz levantou segredo de Justiça e descreve esquema com empresas de fachada.

GettyImages-499645382
i

▲José Luis Rodríguez Zapatero, atualmente com 65 anos, foi primeiro-ministro de Espanha entre 2004 e 2011

AFP via Getty Images

▲José Luis Rodríguez Zapatero, atualmente com 65 anos, foi primeiro-ministro de Espanha entre 2004 e 2011

AFP via Getty Images

O antigo governante espanhol José Luis Rodríguez Zapatero está indiciado por vários crimes, como organização criminosa, tráfico de influências, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. O ex-primeiro-ministro será presente a tribunal a 2 de junho, escreve ainda o El Mundo.

O anúncio foi feito esta terça-feira pela Audiência Nacional, tribunal com sede em Madrid e com jurisdição nacional, que disse que José Luis Zapatero foi esta terça-feira constituído arguido no âmbito do caso Plus Ultra. Em causa está um resgate à companhia aérea Plus Ultra no valor de 53 milhões de euros (com recursos públicos), cedido pelo governo de Pedro Sánchez durante a pandemia. A justiça espanhola suspeita que este resgate tenha servido, na verdade, para branquear capitais.

À tarde, Zapatero enviou um vídeo aos órgãos de comunicação social a sublinhar a sua inocência. “Quero reafirmar que toda a minha atividade pública e privada sempre se desenvolveu com absoluto respeito pela legalidade”, garantiu ao mesmo tempo que prometia colaboração total com a justiça.

O ex-líder do Partido Socialista Espanhol (PSOE) afirmou “com toda a contundência” que “jamais” fez “qualquer diligência junto de qualquer administração ou setor públicos”, em Espanha ou no estrangeiro, “relacionada com o resgate da Plus Ultra”. Desmentiu também ter tido alguma vez “uma sociedade comercial”, de forma direta ou através de terceiros, dentro ou fora do país.

A imprensa espanhola realça que pela primeira vez na história da democracia espanhola, um antigo primeiro-ministro é indiciado num caso em que se investigam suspeitas de corrupção.

Durante a manhã desta terça-feira o escritório de Zapatero, na rua Ferraz de Madrid, na capital, foi alvo de buscas. A operação iniciou-se por volta das 9h45 locais (menos uma hora em Lisboa) e teve ainda como alvo três outros locais. Um desses locais foram os escritórios da empresa das duas filhas do antigo governante, a agência de marketing e comunicação Whatthefav.

No local, escreve o jornal El País, a acompanhar as buscas estavam as duas filhas de Zapatero, Alba e Laura, assim como o seu representante legal. As buscas estenderam-se ainda a duas outras empresas, nomeadamente a Softgestor e a Inteligencia Prospectiva.

Nas buscas estiveram presentes agentes do Grupo de Operações de Intervenção Técnica (GOIT) da Polícia Nacional espanhola, detalha ainda a comunicação social do país. Este grupo é especialista na abertura de cofres e localização de esconderijos, assim como em inspecionar propriedades e veículos. Para tal, recorrem a instrumentos como máquinas de raio-X, endoscópios e até ferramentas mais pesadas como rebarbadoras.

As alegadas ligações de Zapatero ao caso

Desde 2024 que o Ministério Público espanhol tem vindo a investigar o paradeiro dos 53 milhões de euros, detalha o El País. No final do ano seguinte a Unidade de Crimes Económicos e Fiscais realizou uma operação na sede da empresa Plus Ultra, da qual resultou a detenção do presidente da empresa, Julio Martínez, e do CEO, Roberto Roselli. Nessa operação, foram também alvo de buscas empresas de um outro empresário chamado Julio Martínez Martínez, que também foi detido.

Este empresário não só era amigo pessoal de Zapatero, como também partilhava interesses comerciais com o antigo governante, escreve o El País.

[Renato Seabra matou Carlos Castro, isso ninguém contesta. A pergunta a que os jurados têm de responder é outra: o jovem modelo português pode ou não ser responsabilizado pelo crime? Sentiu raiva ou estava mentalmente perturbado? Ouça o sexto e último episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o Podcast Plus do Observador narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio, aqui o quarto episódio e aqui o quinto episódio]

Em fevereiro de 2020, segundo o jornal espanhol, Martínez Martínez terá criado uma empresa de consultoria (chamada Análisis Relevante) que trabalhava para a Plus Ultra e que, por sua vez, pagava por serviços de “consultoria abrangente” ao antigo governante Zapatero.

Durante 5 anos, a empresa de Martínez Martínez terá recebido da Plus Ultra cerca de 460 mil euros. Fontes ouvidas pelo El País dizem ainda que Martínez Martínez foi contratado como “facilitador” na Venezuela, tendo funções como gerir dívidas, obter autorizações de voo, garantir combustível, entre outras tarefas.

Por sua vez, Zapatero também terá recebido um valor semelhante ao de Martínez Martínez, sendo que segundo o antigo governante este valor surgiu de vários trabalhos de consultoria que desenvolveu para diferentes empresas. No total, Zapatero admitiu ter recebido mais de 400 mil euros em cinco anos.

Juiz levanta segredo de justiça. Zapatero usou contactos pessoais e acesso a membros do Governo

Esta terça-feira, ao mesmo tempo que Zapatero era constituído arguido, o juiz da Audiência Nacional José Luis Calama revogou o sigilo que inicialmente protegia o processo. Zapatero surge assim referido como o “líder” de “uma estrutura estável e hierárquica de tráfico de influências” cujo objetivo era “obter benefícios económicos através da intermediação e do exercício de influência perante órgãos públicos em favor de terceiros, principalmente da Plus Ultra”, escreve o El País, que cita os autos.

Segundo o magistrado, o esquema em que Zapatero estava envolvido recorria a empresas de fachada, assim como documentos falsos para “exercer influência ilícita, ocultar a origem e o destino dos fundos e obter benefícios económicos”.

O El País refere ainda que, no auto, é afirmado que a investigação confirmou a existência de “uma rede organizada de tráfico de influência, estruturalmente organizada e liderada por José Luis Rodríguez Zapatero, que supostamente terá usado os seus contactos pessoais e acesso a altos membros do Governo para beneficiar terceiros interessados ​​em obter decisões favoráveis”.

No auto consta ainda que havia uma “divisão funcional de tarefas com o objetivo de maximizar a eficácia das negociações com órgãos públicos”, daí se verificar o envolvimento de outras pessoas, como por exemplo Julio Martínez Martínez.

Além disso, havia ainda “a existência de contrapartidas financeiras canalizadas através da rede empresarial controlada por Julio Martínez Martínez através de contratos de consultoria pontuais e pagamentos diretos e indiretos originários da Plus Ultra e de outras empresas relacionadas”.

Segundo o juiz da Audiência Nacional, esta é uma prova relevante de que existia uma “relação causal entre a atividade de tráfico de influência e o benefício económico pretendido”. Se Julio Martínez Martínez era o contacto/intermediário com os clientes, este cumpria também ordens diretas de Zapatero, o responsável pela estrutura — e também o principal beneficiário da mesma.

“A minha atividade pública e privada foi sempre realizada com absoluto respeito à lei”, diz Zapatero

Poucas horas depois de a sua indiciação ser noticiada mundialmente, Zapatero fez um vídeo divulgado pela comunicação social espanhola onde disse estar disposto a cooperar com a Justiça. “Toda a minha atividade pública e privada foi sempre realizada com absoluto respeito à lei”, garantiu ainda.

O antigo governante diz que a sua renda e rendimentos foram sempre declarados e que tem agido com “absoluta transparência e legalidade”, afirmando ainda que “jamais realizou qualquer gestão perante qualquer administração pública ou setor público em relação ao resgate da Plus Ultra”. E negou ainda ser proprietário de “uma empresa, direta ou indiretamente, por meio de terceiros, em Espanha ou no exterior”, assim como ter participado “em qualquer operação do género”.

Zapatero afirmou ainda que vai exercer o seu direito de defesa “com toda a firmeza e convicção”.

O Partido Socialista, ao qual Zapatero pertence, reagiu entretanto à notícia, expressando o seu respeito pelo sistema judicial ao mesmo tempo que diz defender a presunção de inocência do antigo governante. Ao longo dos seus dois mandatos como primeiro-ministro, Zapatero implementou “um programa ambicioso para expandir os direitos, a igualdade e a proteção social” em Espanha e muitas dessas medidas “foram pioneiras na Europa”, lê-se no comunicado citado pelo El País. O partido acrescenta ainda que “a direita e a extrema-direita nunca o perdoaram por esses avanços”.

Segundo o mesmo jornal, o atual Presidente do governo espanhol também se manifestou, classificando esta indiciação como “tempos difíceis”. Pedro Sánchez apelou num chat do partido PSOE aos restantes membros para “defenderem o bom nome de Zapatero”. “Hoje mais do que nunca devemos reafirmar o nosso compromisso de continuar a lutar para fazer o nosso país avançar e defender o bom nome de um colega, o Presidente Zapatero, que fez e continua a fazer tanto bem à causa socialista”, escreveu.

Também durante a tarde desta terça-feira, a porta-voz do governo espanhol Elma Saiz defendeu uma vez mais a presunção de inocência do antigo governante. Elma Saiz falou aos jornalistas em conferência de imprensa após a reunião de Conselho de Ministros.

“Encaramos esta notícia com calma, confiança, prudência e respeito pela Justiça. Já tivemos a oportunidade de compartilhar com vocês todas as informações referentes aos empréstimos concedidos a diversas companhias aéreas durante um período tão difícil como a pandemia. Esses empréstimos salvaram empresas e empregos, foram autorizados pela Comissão Europeia e validados pelo Tribunal de Contas. Portanto, encaramos isso com calma, confiança e respeito fundamental por um princípio que é a base do nosso sistema jurídico: a presunção de inocência”, disse.

Atualizado às 15h28

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.