Dezenas de pessoas foram agredidas na noite de domingo e madrugada de segunda-feira por agentes do Serviço de Imigração e de Alfândegas (ICE, na sigla original) enquanto faziam greve de fome à porta de um centro de detenção em Newark, nos Estados Unidos. Os manifestantes, que protestavam contra a transferência de Martin Soto, um imigrante peruano detido no estabelecimento desde fevereiro, por incitamento à greve, foram pulverizados com gás pimenta e sofreram golpes de bastões.
As tensões escalaram na tarde de domingo, quando os protestantes se inteiraram da mudança de Soto para o estabelecimento prisional de Elizabeth, apesar da ordem do tribunal que impedia a sua transferência. O imigrante detido havia anunciado uma greve de fome e de trabalho na passada sexta-feira e desde esse dia que os manifestantes se aglomeravam à entrada do centro de Delaney Hall, no estado de Nova Jérsia. Reivindicavam a libertação imediata dos idosos e jovens encarcerados, assim como das pessoas com condições médicas debilitantes.
A mulher de Martin, Gabriela Soto, foi uma das principais catalisadoras da mobilização coletiva. Estava na fila para visitar o marido, quando viu um homem ser arrastado para uma carrinha e reconheceu Martin. Citada pelo jornal local The City, a mulher grávida de vários meses afirmou ter ripostado e batido na porta da viatura. “Eu não ia deixar aquilo acontecer”, afirmou.
À CBS News, disse que ele “gritava e batia na janela [da carrinha]”: “É por isso que toda a gente a bloqueava, porque não iam deixar o meu marido ser deportado ou mandado embora.” Os outros manifestantes formaram uma corrente humana às portas do estabelecimento prisional que se estendeu durante horas, a fim de evitar a remoção de Martin das instalações. A divulgação do sucedido através das redes sociais atraiu novos protestantes, que se juntaram à multidão na Avenida Doremus, à saída de Delaney Hall. “Libertem o Martin!”, gritavam. “Libertem-nos a todos!”
Segundo a plataforma de notícias nova-iorquina Gothamist, era uma da manhã quando o portão das traseiras do edifício foi aberto a fim de permitir a passagem de uma série de veículos, cujo destino permanece desconhecido. Os manifestantes mobilizaram-se para impedir a passagem dos agentes, tendo bloqueado a via com baias de segurança rodoviária, enquanto invadiam os automóveis à procura de Martin e de outros detidos nos assentos de trás.
As autoridades de segurança responderam às investidas com recurso à força. Empurraram os protestantes em direção aos passeios e contra carros estacionados nas imediações. Pelo menos uma vítima foi borrifada com gás pimenta e uma segunda sofreu um ferimento na perna, que exigiu assistência médica.
O Departamento de Segurança Interna americano rejetou a existência de uma greve de fome em curso em Delaney Hall. O ICE só reconhece esta forma de protesto quando ultrapassa as 72 horas, a partir das quais os agentes devem procurar resposta médica. Contudo, o congressista democrata Rob Menendez, que tentou visitar Soto sem sucesso, destacou que a atitude do Serviço de Imigração demonstra uma preocupação crescente em relação aos protestos no interior e exterior do estabelecimento: “É assustador para eles”, argumentou.