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Associação dos ucranianos em Portugal pede retirada de moeda com inscrição da Rússia

Associação dos ucranianos em Portugal apela ao primeiro-ministro que moeda "Multiculturalismo" seja retirada de circulação e de publicações oficiais, por incluir inscrição relacionada com a Rússia.

Moeda de coleção "Multiculturalismo", com o valor facial de 5 euros.
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▲Moeda de coleção "Multiculturalismo", com o valor facial de 5 euros.

INCM

▲Moeda de coleção "Multiculturalismo", com o valor facial de 5 euros.

INCM

A Associação dos ucranianos em Portugal apelou ao primeiro-ministro que a moeda numismática intitulada “Multiculturalismo” seja retirada da circulação oficial e dos catálogos e publicações oficiais, por incluir uma inscrição relacionada com a Rússia.

Em causa está uma moeda de coleção com o valor facial de 5 euros, intitulada “Multiculturalismo”, no âmbito da série “Cria a Moeda”, onde estão representadas mãos entrelaçadas que formam o contorno de Portugal, numa das quais se encontra a inscrição “Rússia”.

A associação expressou “surpresa que o Governo de Portugal tenha aprovado um símbolo que não corresponde à realidade atual e que, ainda mais, possa ser percecionada como uma forma de justificar os crimes cometidos pela Rússia contra os ucranianos, bem como as suas ameaças de guerra nuclear dirigidas contra as países democráticos”.

“Desde o início da agressão russa em grande escala, os ucranianos em Portugal dirigiram-se repetidas vezes ao Governo português, solicitando apoio para o repatriamento das crianças ucranianas ilegalmente deportadas da Ucrânia pela Rússia”, recordou a associação, salientando que até à data, o Governo da Ucrânia verificou informações relativas a mais de 20.570 casos de deportação ou transferência forçada de crianças ucranianas pela Rússia.

Neste contexto, a associação questiona “que tipo de ‘multiculturalismo’ da Rússia está o Governo de Portugal a sancionar na nova moeda numismática do Banco de Portugal”.

Deixou também o pedido ao primeiro-ministro, numa missiva assinada pelo presidente da associação, Pavlo Sadokha, para que a moeda “seja retirada da circulação oficial e dos catálogos e publicações oficiais”, ainda que “compreendendo que poderá ter-se tratado de uma decisão tomada sem plena ponderação das suas implicações”.

Segundo a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), a moeda teve origem na quinta edição do concurso Desenhar a Moeda, promovido pela INCM com o Município de Faro, que teve como tema “A Multiculturalidade”.

“Com 139 propostas de alunos do ensino básico, venceu o desenho de Melissa Garcia, que representa mãos unidas formando o contorno de Portugal, símbolo de inclusão e diversidade”, indica a INCM sobre esta moeda de coleção.

Numa nota de esclarecimento, a Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) afirma que o desenho vencedor “foi concebido por uma jovem, na altura estudante do 6.º ano numa escola do município de Faro, refletindo a sua interpretação do conceito de multiculturalidade, sem que tivessem sido impostos quaisquer limites à sua liberdade criativa”.

“O desenho vencedor foi selecionado por um júri independente, composto por quatro artistas plásticos e uma educadora de infância, e depois vertido tecnicamente para cunhagem pela INCM, de acordo com os procedimentos definidos em regulamento”, refere a nota, justificando que a “palavra ‘Rússia’ integra o desenho original concebido pela jovem autora, que tem na sua sala de aula colegas dessa nacionalidade, e deve ser entendida exclusivamente no contexto da representação de diferentes nacionalidades e culturas que coexistem na sociedade portuguesa”.

Segundo a INCM, “a moeda reproduz fielmente o desenho vencedor do concurso, conforme estipulado no regulamento do concurso, e não constitui uma declaração política, nem expressa qualquer posição da INCM relativamente a acontecimentos geopolíticos atuais”.

De acordo uma nota publicada na página do Banco de Portugal, as características da moeda foram aprovadas por uma portaria publicada no Diário da República de 09 de março, que foi assinada pelo secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, João Alexandre da Silva Lopes, em 04 de março de 2026.

A moeda tem oito braços que representam oito nacionalidades distintas: Espanha, Itália, Coreia, França, Rússia, Angola, México e Argentina.

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