As tentativas de Volodymyr Zelensky de falar com Vladimir Putin sobre as negociações para a paz na Ucrânia não se limitam à carta que lhe enviou esta semana. Afinal, antes disso, Zelensky falou com o multimilionário russo Roman Abramovich (que tem nacionalidade portuguesa desde 2021, num processo que está a ser investigado pelo Ministério Público) para que este fizesse a ponte com Putin e enviasse uma mensagem ao Presidente russo.
Segundo o Financial Times, Zelensky convidou o antigo dono do Chelsea para ir à capital ucraniana de Kiev, no mês passado, numa “tentativa falhada” para que Abramovich pudesse convencer Putin a aceitar negociações diretas de paz entre os dois líderes.
O jornal conta, com base em informações transmitidas por quatro fontes conhecedoras do processo, que Zelensky pediu a Abramovich que dissesse a Putin que estaria preparado para se encontrar, pela primeira vez desde o início da guerra, em 2022, com o Presidente russo. A ideia seria mostrar que a Ucrânia está a encarar seriamente a necessidade de conduzir negociações produtivas, enquanto os Estados Unidos estão mais empenhados no Médio Oriente e na guerra contra o Irão.
A ofensiva russa tem abrandado nos últimos meses, com registos de grandes baixas no exército, o que poderia favorecer as condições para a Ucrânia conseguir um acordo. Mas ainda esta semana Putin dizia que os ucranianos também estão a sofrer muitas baixas, muitas relacionadas com desertores, e insistia nas condições que já tinha transmitido aos EUA, incluindo a cedência do território no Donbass por parte da Ucrânia.
Putin não pareceu levar a sério o pedido de reunião de Zelensky, tendo mesmo descrito a mensagem como “algo mal educada” e acusando o homólogo ucraniano de ter criado assim condições para ser impossível fazer um encontro a dois. Na sexta-feira, disse que um representante dos seus “círculos de negócios” tinha falado consigo depois de ir a Kiev, e que Putin lhe tinha respondido que não via qualquer utilidade em reunir-se com Zelensky.
Abramovich chegou a fazer parte da mediação das negociações entre Rússia e Ucrânia desde as primeiras semanas de guerra. O Financial Times escreve que, apesar de ter agora um papel de menor protagonismo, o multimilionário continua a estar envolvido na negociação para trocas de reféns, por exemplo.