Zohran Mamdani reconheceu esta terça-feira que, enquanto mayor de Nova Iorque, não tem “autoridade legal independente” para ordenar a detenção de Benjamin Netanyahu numa eventual visita à cidade. O autarca democrata vê-se assim obrigado a recuar na promessa eleitoral de executar o mandado de captura ao primeiro-ministro israelita emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em 2024.

“A minha administração analisou todas as vias disponíveis, de acordo com a legislação aplicável, para determinar se a cidade de Nova Iorque poderia executar o mandado de detenção do Tribunal Penal Internacional no caso de Benjamin Netanyahu estar na cidade”, disse Mamdani num vídeo publicado nas redes sociais. “É evidente que não temos autoridade legal independente para fazer cumprir este mandado”.

Desde que Mamdani assumiu este compromisso eleitoral, vários juristas sugeriram que seria praticamente impossível cumpri-lo, como recorda o The New York Times. Os Estados Unidos da América não assinaram o Estatuto de Roma que criou o TPI e não reconhecem a sua autoridade. Ainda assim, o autarca democrata assumiu mesmo que ia ordenar a detenção de Netanyahu à polícia de Nova Iorque assim que este aterrasse na cidade. “É algo que pretendo cumprir”, garantiu.

Apesar da reconhecida incapacidade de executar o mandado de captura, Mamdani não baixou o tom nas críticas ao primeiro-ministro israelita, classificando-o como o “arquiteto de um genocídio horrível” contra o povo palestiniano. “Benjamin Netanyahu não é bem-vindo na cidade de Nova Iorque, assim como nenhum outro criminoso de guerra”, afirmou no vídeo publicado esta terça-feira.

Por considerar que o primeiro-ministro israelita deve ser “detido e julgado” pelos seus crimes, o mayor de Nova Iorque apelou à administração Trump para que ordene a detenção de Netanyahu. “Peço-lhes para se juntarem ao TPI e executarem o mandado de captura”, pediu. “Embora não possamos acabar com o genocídio sozinhos, podemos decidir se o nosso silêncio se tornará mais uma arma, e podemos examinar todas as ferramentas que temos para defender a humanidade e a dignidade de todas as pessoas”, acrescentou.

Todavia, Donald Trump já garantiu, em resposta a Mamdani nas redes sociais, que Netanyahu “não será preso, de forma alguma, enquanto estiver nos Estados Unidos da América”. O próprio gabinete do primeiro-ministro israelita reagiu, dizendo que o autarca de Nova Iorque “parece interessado em desviar a atenção pública das suas tolices e atacar o líder do Estado judaico e da única democracia no Médio Oriente”. Netanyahu esteve em Nova Iorque em setembro de 2025 para participar numa reunião da Assembleia-Geral da ONU e a recente discussão sobre a sua detenção foi suscitada na expectativa de que volte em breve à cidade para o seu discurso anual.

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