Depois de um longo período a crescer com um ritmo pujante, o mercado automóvel chinês tem vindo a dar provas de uma certa anemia nos últimos anos, o que colide com uma capacidade de produção instalada que é praticamente o dobro do que o mercado consome anualmente. Curiosamente, a queda das vendas é mais da responsabilidade dos veículos com motores a combustão, uma vez que os denominados New Energy Vehicles (NEV), que englobam os eléctricos e os híbridos plug-in, resistiram melhor à redução do mercado.
De acordo com a associação chinesa dos fabricantes de veículos, foram apenas vendidos 8,7 milhões de carros novos no território nos primeiros seis meses de 2026, o que equivale a uma redução de 20,2% face a 2025. Não obstante, esta mesma organização espera atingir 20,4 milhões de veículos nos 12 meses de 2026, caindo apenas 14% no ano completo, apesar de isto pressupor a venda de 11,7 milhões de veículos na segunda metade do ano, ou seja, mais 34,5% do que nos primeiros seis meses, algo que parece pouco provável.
Xiao Feng, o responsável pela Industrials Research na Citic CLSA, em Hong Kong, afirmou à CNBC que espera um segundo semestre de 2026 igual ao primeiro, com as vendas a caírem 20% no total do ano, prevendo igualmente que os NEV sejam apenas responsáveis por 5% a 6% das perdas, ficando os veículos com motores a combustão a assumir mais de 15% da diminuição das vendas. De recordar que os NEV representaram 50,8% do total de veículos vendidos em 2025 na China, mas subiram no primeiro semestre de 2026 para qualquer coisa entre 58,5% e 60%.
De acordo com o Observatório China, os chineses têm hoje uma capacidade instalada para a produção de automóveis próxima dos 50 milhões, um valor descomunal face aos cerca de 20 milhões absorvidos pelo mercado doméstico. Foi esta assustadora diferença que empurrou as marcas chinesas para a exportação, por exemplo para a Europa, onde venderam cerca de 1 milhão de veículos em 2025 e esperam atingir 2,3 milhões em 2026. Ainda assim, uma gota de água face ao problema chinês de excesso de capacidade produtiva.
O analista Xiao Feng prevê que, até 2030, se inicie um forte período de consolidação, para adaptar a produção de veículos ao volume de vendas, tanto mais que as exportações para outros mercados, como o europeu, obrigam a instalar aí fábricas próprias. Segundo Feng, das 130 marcas chinesas que fabricam veículos eléctricos, em 2030 restarão somente 7 ou 8 grandes construtores de eléctricos na China, sendo que a mudança da década deverá marcar igualmente a saída da China dos construtores estrangeiros que ainda resistem.