O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano conversou esta terça-feira com o homólogo iraniano sobre o ataque da Ucrânia contra um navio do Irão no mar Cáspio que provocou a morte de um marinheiro, de modo a evitar uma “escalada desnecessária”.
“A diplomacia consiste no diálogo direto, mesmo quando este é difícil. Salientei que o nosso objetivo é evitar uma escalada desnecessária”, escreveu Andriy Sybiga na rede social X após uma conversa telefónica com o homólogo iraniano Abbas Araghchi, dias depois do ataque com um drone, ocorrido no fim de semana passado.
I called Iran’s Foreign Minister @araghchi for a frank conversation. Diplomacy is about direct conversation, even when it’s difficult. I stressed that our goal is to avoid unnecessary escalation.
I reiterated that all of Ukraine’s actions are aimed solely at defending our…
— Andrii Sybiha ???????? (@andrii_sybiha) July 28, 2026
Sybiga defendeu que as ações da Ucrânia visam “exclusivamente defender o país da agressão russa” e “nunca tiveram como objetivo atingir embarcações civis ou pessoas“.
Ao falar sobre as manobras de Kiev, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os ataques no mar Cáspio tinham atingido um navio de guerra russo e embarcações utilizadas para transportar carga militar ligada ao Irão.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano referiu no sábado que a declaração de Zelensky representava uma admissão tácita de um ataque que “demonstra a persistência da atitude irracional e hostil do regime ucraniano em relação à República Islâmica do Irão”.
“Ao atacar um navio mercante iraniano, o regime ucraniano não só violou o direito internacional, como também procura, de forma perigosa, semear a guerra e a insegurança”, afirmou na mesma ocasião o ministério.
Araghchi também confirmou a chamada telefónica desta terça-feira com Sybiga, mas sem adiantar detalhes.
O chefe da diplomacia ucraniana sublinhou que o objetivo de Kiev “é combater a agressão russa, que é a causa principal de todos os incidentes, e é a Rússia que assume toda a responsabilidade por todas as provocações e vítimas”.
“Salientei a necessidade de se abster de quaisquer medidas que possam agravar a situação, bem como de pôr fim a qualquer apoio à guerra da Rússia contra a Ucrânia. Esta guerra é ilegal e tem de acabar“, continuou Sybiga, acrescentando que “a Europa e o Médio Oriente merecem estabilidade, segurança e paz”.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Gueorguii Tykhy, confirmou que se tratava do primeiro contacto oficial entre Sybiga, que ocupa o cargo desde setembro de 2024, e Araghchi.
A conversa surge também para acalmar os ânimos entre os chefes de diplomacia, uma vez que um dia antes, Sybiga ter escrito nas redes sociais que as ameaças de Araghchi contra a Ucrânia eram injustificadas e que “o Irão não tem legitimidade para se fazer passar por vítima”.
“Com as suas declarações, o Irão também tenta desviar a atenção do terror russo contra o transporte civil no mar Negro, que está a ameaçar a segurança alimentar global”, acrescentou Sybiga na segunda-feira.
Iran’s threats are unjustified and groundless. The regime in Teheran is a direct accomplice to Russian aggression against Ukraine, fuelling Moscow’s criminal war with weapons that have killed Ukrainians since 2022.
Iran has no standing to pretend to be a victim, let alone… pic.twitter.com/cEWQYUHLC4
— Andrii Sybiha ???????? (@andrii_sybiha) July 27, 2026
O Governo do Irão afirmou no sábado que um marinheiro foi morto e outro ficou ferido na sequência do ataque ucraniano.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão convocou ainda o encarregado de negócios da Ucrânia na capital iraniana, “a quem o Teerão transmitiu o seu forte protesto contra este ato hostil e criminoso”.