Luís Neves recusou esta sexta-feira comentar publicamente as buscas realizadas esta semana no gabinete do diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro.

“O ministro da Administração Interna não comenta qualquer investigação em curso. A PJ é uma enorme instituição coesa e que tem o seu grande expoente coletivo nas mulheres e nos homens que prestam funções, entre os quais se insere o diretor nacional”, disse Luís Neves.

Falando aos jornalistas à margem da cerimónia de encerramento do 6.º Curso de Formação de Chefes da Polícia de Segurança Pública (PSP), na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, Luís Neves reagiu ao avanço da comissão de inquérito parlamentar, afirmando que mantém “total tranquilidade” sobre o inquérito. “Todas as comissões, todas as averiguações, todos os inquéritos são relevantes para que se esclareça de facto a verdade e que não fique a pairar qualquer dúvida sobre qualquer facto”, acrescentou.

Questionado se a Comissão Parlamentar de Inquérito do Chega poderá pôr em causa o seu legado como diretor nacional da PJ, Luís Neves disse que quando chegou à Judiciária esta “não tinha meios” e “passados esses anos é um corpo forte a apoiar o Ministério Público”.

Sobre as negociações com os sindicatos da PSP e associações socioprofissionais da GNR, cuja próxima ronda está prevista para 29 de setembro, o governante afirmou que o executivo “continua a trabalhar nas propostas” e garantiu que está empenhado “em alcançar consensos que correspondam às legítimas expectativas dos profissionais das forças de segurança”.

Sobre as dificuldades de recrutamento na PSP, Luís Neves defendeu que o problema “ultrapassa a própria polícia”, apontando como exemplo o facto de concursos para cerca de 800 novos agentes terminarem frequentemente com apenas 550 a 600 candidatos a concluírem o processo.

“Isto não é um problema da Polícia de Segurança Pública, é um problema do coletivo, não é nem do partido A, nem do partido B, nem do Governo. É um problema de todos”, afirmou, referindo que o Governo pretende recorrer “à tecnologia e a outras soluções para tornar a carreira mais atrativa e reforçar a capacidade da instituição”.

Luís Neves aproveitou ainda para anunciar que o Governo já autorizou a abertura, nos próximos dias, de um novo concurso para chefes da PSP, com um número de vagas semelhante ao dos 196 profissionais que hoje concluíram o curso de promoção.

À margem da cerimónia, Luís Neves manifestou ainda pesar pela morte de uma bombeira de 24 anos, do corpo de bombeiros de Resende, ocorrida durante operações relacionadas com os incêndios rurais, apresentando condolências à família e à corporação.

Depois da cerimónia, o ministro inaugurou as novas instalações na EPP, num investimento de 2,5 milhões de euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), uma obra que permitirá acolher e formar cerca de 170 agentes.

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