Dark Mode 134kWh poupados com o Asset 1
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Hoje é um bom dia para mudar os seus hábitos. Saiba mais

Logótipo da MEO Energia
i

ANA MARTINGO/OBSERVADOR

ANA MARTINGO/OBSERVADOR

As eleições onde os vices valem mais que um "balde de cuspo". Biden escolhe entre mulheres e Trump pode trocar Pence /premium

Com os dois candidatos mais velhos de sempre, a possibilidade de terem de ser substituídos é grande. Biden anuncia a sua escolha em breve. E Trump pode mudar de ideias, trocando Pence por uma mulher.

Dificilmente alguém quereria aceitar um trabalho quando aquilo que um ex-empregado tem a dizer sobre ele é algo como isto: “Não vale um balde de cuspo quente”. Tal comentário deveria ser mais do que suficiente para afastar qualquer candidato do emprego em causa. Mas os candidatos que aqui falamos não são uns quaisquer, tal como o emprego aqui referido também não é apenas mais um. Falamos da vice-presidência dos EUA.

Primeiro, o seu a seu dono: quem disse, repetidas vezes ao longo da sua vida, que a vice-presidência “não vale um balde de cuspo quente” (trocando às vezes a palavra “cuspo” por “mijo”) foi o 32º vice-Presidente dos EUA, John Garner. É um homem do qual não reza a História, mas que a viu acontecer nas suas barbas, já que foi o vice do Presidente Franklin Delano Roosevelt nos seus dois primeiro mandatos, entre 1933 e 1941.

Aquela frase espelha bem o sentimento dos vários homens que chegaram a vice-Presidente. Já naquelas funções, como terceiro e último vice de Roosevelt, Harry Truman chegou a perguntar: “Olhem para todos os vice-Presidentes da História. Onde é que eles estão? Eram tão úteis como a quinta teta de uma vaca”. E terá sido assim que ele se sentiu quando descobriu, mais tarde, que os EUA tinham armas nucleares — informação que não foi partilhada com ele enquanto vice-Presidente mas da qual fez uso já depois da morte a meio do mandato de Roosevelt, já que foi sua a decisão de atingir Hiroxima e Nagasáqui. Também Richard Nixon sentiu esse desprezo na pele. Numa entrevista, o seu número um, o Presidente Dwight Eisenhower, respondeu desta forma a um jornalista que lhe perguntou se tinha tomado alguma “grande medida” que tivesse sido proposta pelo seu vice: “Se me der uma semana, talvez me ocorra uma”.

O baú de histórias de vice-Presidentes ora desprezados, ora enxovalhados, ou simplesmente esquecidos pelos seus superiores, e também pelo resto do país, é bastante fundo. Quase tão fundo quanto outro, que é o das piadas. Como esta: “Havia dois irmãos. Um fugiu para o mar. O outro foi eleito vice-Presidente dos EUA. E nunca mais se ouviu falar de nenhum deles”. A piada vai entre aspas porque o autor é nada mais, nada menos, do que Thomas Marshall, 28º. vice-Presidente dos EUA.

Joel Goldstein conhece esta e muitas outras histórias e piadas. “Historicamente, tem havido uma produção humorística notável associada ao cargo, algo que continuo a apreciar depois de tantos anos”, diz, numa entrevista por telefone, aquele que é um dos mais consagrados politólogos norte-americanos no estudo da vice-presidência norte-americana. Quando fala connosco, é recorrente utilizar termos como “fascinante” ou “maravilhoso” para falar daquele cargo. Mas há um adjetivo com particular insistência quando o tema deixa de ser as piadas do passado e se começa a falar das eleições de 2020 e a escolha para vice-Presidente: “Importante”.

“O vice-Presidente Biden e o Presidente Trump serão os candidatos à presidência dos EUA mais velhos de sempre. Só isso implica que a escolha de um vice-Presidente é mais importante nestas eleições do que em todas as anteriores”, diz.

Vale a pena olhar para os números. Até agora, foram 45 os homens (e nunca mulheres, pelo menos por enquanto) a chegar a vice-Presidente dos EUA. De muitos destes pouco ou nada ficou nos livros de História, mas daqueles 45 um total de 14 chegou a Presidente. Oito deles porque o Presidente morreu e tiveram de substitui-lo (o caso mais recente foi Lyndon Johnson, que substituiu John Kennedy após o seu homicídio); quatro porque mais tarde concorreram como Presidente e ganharam (o último a consegui-lo foi George H. W. Bush); e um deles, Gerald Ford, porque Robert Nixon se demitiu à beira do impeachment pelo caso Watergate.

Tudo isto é História, mas com o que está pela frente não é de descartar que, num futuro não tão distante quanto isso, aquela contagem aumente para 15 (no caso de uma vitória de Donald Trump) ou para 16 (na possibilidade de vencer Joe Biden). É uma ideia não totalmente desprovida de alguma morbidade, mas pertinente de todo o modo. A esperança média de vida nos EUA para os homens roça, segundo números oficiais de 2017, os 76 anos. Ora, Donald Trump tem 74 anos e Joe Biden vai fazer 78 a 20 de novembro.

É melhor, então, parar com as piadas.

Biden já sabe que escolhe uma mulher — mas falta o resto

Por estas alturas, poucos são os temas que ocuparão tanto a cabeça de Joe Biden e da sua equipa (quando a Donald Trump, já lá vamos) como a escolha de uma vice-Presidente. Uma, e não um, porque o candidato democrata, e ele próprio um ex-vice-Presidente, já prometeu que esse cargo irá para uma mulher.

Só esse fator, torna a decisão de Joe Biden ainda mais “visível”, explica o especialista Joel Goldstein. “O facto de ele prometer que vai ter uma mulher ao seu lado na campanha torna a sua escolha na mais visível em muitos anos, porque esta é primeira vez que um candidato que está à frente nas sondagens decide chamar uma mulher para esse cargo.” O primeiro a quebrar essa barreira foi o democrata Walter Mondale (com Geraldine Ferraro) e o segundo foi o republicano John McCain (com Sarah Palin). “Mas ambos estavam a perder e precisavam de alguma coisa para dar uma nova forma à campanha”, refere.

Entre os favoritos para vice de Joe Biden, estão os seguintes nomes:

  • Kamala Harris, senadora pelo estado da Califórnia e candidata derrotada nas primárias democratas;
  • Elizabeth Warren, senadora pelo estado de Massachusetts e candidata derrotada nas primárias democratas;
  • Tammy Duckworth, senadora pelo estado de Illinois e veterana de guerra;
  • Susan Rice, ex-conselheira de segurança nacional de Barack Obama;
  • Karen Bass, congressista pelo estado da Califórnia;
  • Val Demings, congressista pelo estado da Flórida.

Por esta altura, qualquer uma delas sabe que está na corrida para número 2 de Joe Biden — tanto que estão a fazer por isso, cada uma à sua maneira. Se as primeiras duas têm mantido um perfil mais discreto nas últimas semanas, as restantes quatro, por não serem figuras tão reconhecíveis, têm-se desdobrado em presenças em programas de televisão e também nalguns comícios — mesmo que virtuais.

Biden, quando era vice de Obama

NICHOLAS KAMM/AFP via Getty Images

A escolha de cada uma destas candidatas obedece a diferentes tipos de estratégia — e a dificuldade de Joe Biden e da sua equipa será a de apontar um caminho e cingir-se a ele.

Daqueles seis nomes, cinco são de mulheres que pertencem a minorias étnicas: quatro são afro-americanas, Tammy Duckworth é de ascendência asiática e apenas Elizabeth Warren é branca. Entre as quatro afro-americanas em questão, a senadora Kamala Harris é a mais conhecida — mas além de ser impossível apagar o ataque cerrado que fez a Joe Biden durante as primárias, também o perfil reconhecidamente duro dos tempos em que foi procuradora-geral em São Francisco e depois na Califórnia pode afastar alguns votos afro-americanos, por ser esse o setor demográfico mais afetado pela chamada “guerra às drogas”. Nessa mesma onda também está a congressista Val Demings, que foi chefe de polícia em Orlando — um tempo que não foi feito sem polémica.

Quem não tem esse tipo de espinho no currículo é a congressista Karen Bass — mas tem outros, como ter feito o elogio fúnebre de um ex-líder do Partido Comunista dos EUA e também de Fidel Castro, que podem afastar os eleitores democratas mais moderados. Mais polarizante ainda seria Elizabeth Warren, que trataria de garantir os votos da ala esquerda do Partido Democrata (durante as primárias, aproximou-se como nenhum outro candidato à retórica de Bernie Sanders) mas que dificilmente convenceria o espetro oposto. Há ainda Tammy Duckworth, candidata que tem a favor o seu passado militar (com grande sacrifício, tendo perdido duas pernas em combate no Iraque) mas que é relativamente desconhecida, tal como é o seu pensamento político. Sobra Susan Rice, que durante o tempo de conselheira de segurança nacional de Barack Obama foi obrigada a dar a cara pelo atentado ao consulado de Benghazi (que resultou na morte de quatro americanos, incluindo o cônsul) — mas cuja associação àquele Presidente e experiência internacional podem cair bem junto de um eleitorado mais urbano.

Kamala Harris é uma das favoritas para ser vice de Joe Biden — apesar de ter sido dela que partiu o ataque mais duro a Biden nas primárias, quando o acusou de colaborar com políticos segregacionistas

Scott Olson/Getty Images

Joel Goldstein recusa-se simpaticamente a fazer um top 3 de entre estes nomes, mas apontam um bottom 1, isto é, aquele que será menos provável. “Elizabeth Warren não me parece muito provável”, diz. “Biden quer conquistar votos entre uma porção significativa de republicanos que estão desiludidos com Trump e algumas dessas pessoas, que estão enojadas com esta presidência, também se sentiriam da mesma maneira com a escolha de Elizabeth Warren, que pode significar uma guinada à esquerda no Partido Democrata.”

Além disso, aquele especialista diz que, depois da morte de George Floyd, tornou-se ainda mais provável que a escolha de Joe Biden recaia sobre uma afro-americana. “Vai haver muitos democratas que vão ficar desiludidos com Joe Biden se ele não escolher uma afro-americana”.

Porém, depois de aventar estes seus palpites, Goldstein recua para uma posição de cautela. Até porque, no segredo dos deuses, ou pelo menos no da campanha de Joe Biden, decorre neste preciso momento a fase derradeira daquilo que é conhecido como o vetting process — em português, processo de verificação. Consiste num longo processo de pesquisa e também de entrevistas diretas (e por vezes impiedosas) com as candidatas em questão, onde a equipa de Joe Biden terá de perceber cada um dos pontos fortes e sobretudo cada um dos pontos fracos daqueles nomes. Por uma questão de prevenção.

"Vai haver muitos democratas que vão ficar desiludidos com Joe Biden se ele não escolher uma afro-americana."
Joel Goldstein, politólogo especialista na vice-presidência dos EUA

“Uma das coisas que há a fazer é perceber se há algo de embaraçoso ou mesmo preocupante no passado dessa pessoa e que a campanha adversária possa transformar numa arma de arremesso”, diz. “Outro aspeto importante é tentar perceber se a pessoa está pronta para o horário nobre.”

Nesta procura, explica Joel Goldstein, um candidato tem de apontar para duas dimensões: uma de curto-prazo e outra mais longeva: “A primeira função na escolha de um vice-Presidente é garantir que ele é capaz de garantir o apoio do eleitorado. Mas, depois, é preciso que essa pessoa seja vista como um Presidente plausível. Se não for esse o caso, então essa campanha vai dar-se mal. Por isso, não creio que estejamos perante dois critérios distintos”.

Se, por alguma razão, ficar evidente até às eleições de 3 de novembro que a escolha de Joe Biden para vice-Presidente foi errada, os danos atingirão o candidato democrata mais do que ninguém. “Um candidato não pode passar a imagem de que pôs num lugar daqueles uma pessoa que está a uma batida de coração de distância de ser Presidente e que, por alguma razão, não devia estar lá”, diz Joel Goldstein. “Se um candidato meter água na altura de escolher um candidato a vice-Presidente, o que é que isso quer dizer sobre a sua capacidade para lidar com a Covid-19, com as tensões raciais, com a Rússia e com tudo o resto?”

"Se um candidato meter água na altura de escolher um candidato a vice-Presidente, o que é que isso quer dizer sobre a sua capacidade para lidar com a Covid-19, com as tensões raciais, com a Rússia e com tudo o resto?"
Joel Goldstein, politólogo especialista na vice-presidência dos EUA

É muito difícil fazer um top 3, porque simplesmente não sabemos que questões é que surgiram durante o processo de vetting/verificação. O meu palpite é que Biden está à procura de alguém que seja competente para governar ao lado dele (…) Os nomes que estão a ser aventados correspondem todos a pessoas muito capazes e com experiência. Mas sem sabermos exatamente que tipo de relação Biden tem com elas será difícil prever a sua escolha.

Inicialmente, o anúncio da escolha de Joe Biden para seu número dois foi agendada pelo próprio para a semana iniciada a 3 de agosto. Porém, ainda essa data não tinha vingado, já a equipa do democrata tinha indicado que empurrara tudo para a semana de 10 de agosto. A confirmar-se esta última previsão, o nome da vice de Joe Biden será na semana que antecede a convenção do Partido Democrata, agendada para os dias 17 a 20 de agosto.

É um anúncio que, à medida que se torna mais próximo, leva cada vez mais democratas a susterem a respiração. Porém, do outro lado, entre republicanos, há quem faça o mesmo. Inesperadamente.

E se Trump deixar cair Pence?

O tom era de desmentido, mas o som era de proposta. Nikki Haley, republicana que além de governadora da Carolina do Sul foi a primeira embaixadora dos EUA nas Nações Unidas escolhida por Donald Trump, mantendo-se naquela posição entre 2017 e o final de 2018, foi ao Twitter e escreveu o seguinte: “Já chega de rumores falsos. O vice-Presidente Pence tem sido um querido amigo ao longo de vários anos. Como vice-Presidente tem sido leal e digno de confiança para o Presidente. Ele tem o meu total apoio”.

Com aquele tweet, Nikki Haley acabou por criar um facto político que até aí era praticamente inexistente. É verdade que em novembro de 2018 o The New York Times já tinha escrito que podia haver algum desgaste entre Donald Trump e Mike Pence, tal como em junho de 2019 um colunista do Wall Street Journal defendeu que Nikki Haley devia ser a escolha de Donald Trump em 2020 em vez do atual vice-Presidente. Nada disto, porém, fazia parte da primeira página (e possivelmente das seguintes) da lista de preocupações da Casa Branca.

Certo é que essa questão voltou a ser levantada já em 2020 — altura em que as eleições começam a ganhar contornos mais reais para lá de uma data distante no calendário e, muito importante, numa fase em que Donald Trump está a cair nas sondagens. Por isso, não têm sido poucos os meios da imprensa norte-americana, da mais liberal à mais conservadora, a perguntar: e se Donald Trump descartasse Mike Pence e chamasse Nikki Haley para sua vice?

Não seria um gesto inédito.

A última vez que um Presidente deixou cair um vice-Presidente foi Gerald Ford, quando este abdicou de Nelson Rockerfeller e chamou Bob Dole para seu número dois. Foi em 1976, isto é, há 44 anos. Não correu bem, porque aquela não era uma máquina bem oleada: o próprio Gerald Ford subiu ao cargo depois de ter sido vice-Presidente de Richard Nixon e, na campanha, Bob Dole serviu-lhe de pouco na altura de confrontar o democrata Jimmy Carter, que venceu as eleições. Para recuarmos à primeira vez que um Presidente em funções venceu umas eleições depois de trocar o seu vice temos de ir até 1944. Nesse ano, Frankin Roosevelt trocou Henry Wallace por Harry Truman — que, recorde-se, assumiu então o cargo que disseram ser tão importante “como a quinta teta de uma vaca”.

E se Trump trocar Mike Pence por Nikki Haley, ganhará o voto feminino?

Mark Wilson/Getty Images

Porém, não sendo um gesto inédito, este de trocar de vice entre mandatos, também não se pode dizer que seja comum. “Normalmente, os vice-Presidentes não são descartados mesmo quando os Presidentes se querem livrar deles. Eisenhower quis livrar-se de Nixon, Nixon quis livrar-se de Agnew e Bush pai também se quis livrar de Quayle. Mas é muito raro”, diz Joel Goldstein. Tudo, explica, porque “geralmente isso não traz bons resultados”.

Por isso, manter Mike Pence como candidato a vice-Presidente seria o cumprir de uma norma. E o problema para Mike Pence é que Donald Trump é especialista em quebrá-las.

“Donald Trump já quebrou tantas normas, a lista é enorme”, diz Joel Goldstein. “Donald Trump já disse que Pence vai ser o candidato a vice-Presidente e o mais provável é que seja mesmo assim. Mas olhando para os números nas sondagens e vendo que ele está a perder em estados que lhe deram as eleições de 2016, ele pode ir por esse caminho. Não seria uma surpresa, tendo em conta a personagem que conhecemos.”

Também aqui, à semelhança de Joe Biden, Donald Trump terá de fazer uma escolha assente em estratégia eleitoral. Ao largar Mike Pence, poderá pôr em causa o eleitorado a que ele mesmo pertence e que o vice-Presidente conseguiu atrair como nenhum outro para a esfera de Donald Trump: os evangélicos. Porém, depois de quase quatro anos de governação com algumas marcas de conservadorismo bem vincadas, Donald Trump pode acreditar que esse eleitorado já é seu, por si só. E com Nikki Haley poderia, hipoteticamente, reconquistar algum do voto feminino que tem vindo a perder nas recentes sondagens e junto do qual nunca foi particularmente forte.

“Substituir Pence com Haley poderia ajudar Trump a amplificar o apelo da candidatura republicana para lá da base de apoio do Presidente”, defende Carl P. Leubsdorf, no diário conservador Dallas Morning News.

Joel Goldstein duvida que esta estratégia surta efeito. “As mulheres, que tipicamente votam mais no Partido Democrata, e que não têm gostado de ver a gestão de Trump da pandemia e das tensões raciais, e vendo que a economia está tão má, vão passar a apoiar Donald Trump só porque ele escolheu uma mulher?”, pergunta. “Não é nada claro que isso possa acontecer.”

"Os vice-Presidentes são por norma leais, mas não me recordo de nenhum vice-Presidente em toda a minha vida que tenha ido ao ponto a que Mike Pence chegou."
Joel Goldstein, politólogo especialista na vice-presidência dos EUA

Joel Goldstein acredita que, no final de contas, Donald Trump irá manter Mike Pence do seu lado. Até porque o vice-Presidente lhe dá precisamente aquilo que ele mais pede à sua equipa: lealdade.

“Os vice-Presidentes são por norma leais, mas não me recordo de nenhum vice-Presidente em toda a minha vida que tenha ido ao ponto a que Mike Pence chegou”, atira Joel Goldstein. Como exemplo, refere a primeira reunião com a totalidade do executivo de Donald Trump, em dezembro de 2017. Ali, com aquela enorme equipa sentada à mesma mesa, e sob o olhar atento das câmaras de tudo o que é canal de televisão nos EUA, Mike Pence desdobrou-se em elogios ao seu número um.

Pelas contas do The Washington Post, Mike Pence elogiou Donald Trump 14 vezes em pouco mais de três minutos — o que dá uma média de um elogio a cada 12,5 segundos. “Mike Pence sabe que para cair nas boas graças de Donald Trump tem de elogiá-lo”, diz. Mas logo realça: “A exigência de lealdade que ele Donald Trump faz às pessoas à sua volta nunca é recíproca. Ele não é leal”. Por isso, tal como o irmão que “fugiu para o mar”, é possível que nunca mais se oiça falar de Mike Pence.

Recomendamos

A página está a demorar muito tempo.