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As temperaturas para as 17h00 deste sábado
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▲As temperaturas para as 17h00 deste sábado

▲As temperaturas para as 17h00 deste sábado

Calor. Saiba se vai estar tempo sufocante na sua terra, onde haverá noites tropicais e tórridas e os perigos para a saúde e para os fogos

45ºC de dia. 28ºC de noite. Junho termina com a primeira onda de calor do ano. Culpa de uma crista anticilónica e de uma massa de ar quente do deserto. Que também traz poeiras. E trovoadas secas.

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Em meteorologia, nada é garantido ou fixo. Mas se se fizer uma busca pela temperatura média do ar em Portugal continental no mês de junho, qualquer site de viagens, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) ou até uma plataforma de inteligência artificial dir-lhe-á que, em média, varia entre os 20ª e os 23ºC e que tem vindo a subir de ano para ano. Para um média destas é preciso fazer contas, claro, mas haverá dias acima dos 25ºC e outros abaixo dos 20ºC. Este ano de 2025 vai romper com esta média e dar-nos o mês de junho mais quente de sempre. Pior: esta última semana vai bater muitos recordes, trazer a primeira onda de calor do ano, máximas acima dos 45ºC no Alentejo, Lisboa com 41ºC e 42ºC e noites tropicais (acima de 20ºC) e tórridas (com mais de 25ºC).

Uma onda de calor acontece quando, durante pelo menos 6 dias consecutivos, a temperatura máxima diária é superior em 5°C ao valor médio desses dias no período em causa. Podem acontecer em qualquer altura do ano e são, pelo impacto, mais sentidas nos meses de verão (junho, julho e agosto). É o que vamos ter.

Calor sufocante

Começou esta sexta, com quase todo o país já acima dos 30ºC de temperatura máxima, vai intensificar-se durante o sábado, com alguns distritos já bem para além dos 40ºC (Beja, Évora, Santarém e Castelo Branco), outros nos 40ºC (Setúbal e Portalegre) e o resto do continente entre os 30 e 0s 35ºC e os 35ºC e os 40ºC (mais no centro e interior). No domingo e na segunda-feira a onda de calor atinge valores para bater vários recordes, com zonas do Alentejo a poder passar dos 44ºC (previstos para Portel e Serpa). O recorde de calor em Portugal é de 47,3ºC, na Amareleja, registado a 1 de agosto de 2003.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 6.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto aqui]

A partir de terça-feira as temperaturas começam a descer, mas vão manter-se altas em todo o país pelo menos até quarta-feira e é possível que andem acima dos 30ºC até ao próximo fim de semana. Por isso, estamos sempre com os mais de 5ºC em relação à média normal para os dias de junho, o que lhe confere a tal designação de onda de calor. Aliás, os dias sufocantes que estão mesmo a chegar fazem disparar temperaturas que já estão 5º a 10ºC acima do habitual para esta época do ano.

As ondas de calor

Desde a década de 1940, período em que começou a existir informação meteorológica diária num maior número de estações em Portugal, têm-se registado ondas de calor. Nos últimos 30 anos houve, contudo, mais ondas de calor extremos no período do verão (no continente). As regiões do interior Norte e Centro (distritos de Bragança, Vila Real, Viseu e Guarda) e o Alentejo (distritos de Setúbal, Évora e Beja) são as mais afetadas. Os episódios mais severos de ondas de calor (maior número de ondas e maior número de dias em onda de calor) verificaram-se depois de 1990 na região interior Norte e Centro e depois de 2000 na região Sul.

O maior número total de dias (a soma total de todos os dias em todos os distritos) em onda de calor, 918 dias, ocorreu no verão de 2022, com a contribuição significativa da região Nordeste. Em algumas estações meteorológicas verificaram-se quatro ondas de calor, a que correspondeu um total de dias superior a 40 em onda de calor. Bragança, Mirandela e Carrazeda estiveram em onda de calor 44, 42 e 41 dias. Os anos de 2003 e 2006 também se destacam com mais dias em onda de calor (687 e 667 dias respetivamente).

As informações são do IPMA.

A crista anticlónica e a massa de ar quente e seco

A culpa do calor que vamos ter até segunda-feira surge da conjugação de dois fatores. De um lado, a fazer uma espécie de muro meteorológico, está um anticlone, que se vai estender em crista até ao golfo da Biscaia, aquele canto do Atlântico junto aos Pirinéus em que acaba Espanha e começa Franca. Esta tal crista anticlónica, uma língua de altas pressões, barra qualquer passagem de tempestades, mas também bloqueia a massa de ar quente e tropical que vai subir do norte de África e do deserto Saara. Ar quente e seco que ficará quase estagnado sobre a Península Ibérica.

Isto porque junto à crista anticlónica, que partirá desde o Anticiclone dos Açores (o enorme bloqueio que ‘gere’ o tempo do sul da Europa), se formará um vale depressionário, por onde subirá esta massa de ar. Os ventos vão seguir por ali, afastar-se e descer, comprimir e aquecer. Como a situação vai durar vários dias, formar-se-á uma cúpula de calor. Ficará cada vez mais quente e seco até que a massa de ar atravesse toda a península.

Daí as temperaturas tão altas, que já obrigaram o IPMA a colocar sob aviso todo o país, com alertas amarelos para o litoral Norte e laranja para o centro e Sul e todo o interior.

Dois factores adversos: a massa de ar arrastará poeiras do deserto e a atmosfera ficará ainda menos respirável; vamos ter também trovoadas, muitas delas secas e perigosas para os incêndios; outras com algum a chuva e granizo. Alguns distritos estão já com indicação dessas trovoadas, (Beja, Évora e Portalegre no domingo) e vários distritos do Centro na segunda.

Um terceiro fator, que tanto pode ser bom, como mau, depende da perspetiva: o calor noturno.

Noites tropicais e noites tórridas

São consideradas noites tropicais aquelas em que as temperaturas mínimas não baixam dos 20ºC. Na madrugada deste domingo (de sábado para domingo) isso vai acontecer em Vila Real (20ºC), Guarda (20ºC), Évora (20ºC), Lisboa (21ºC), Beja (21ºC), Faro (24ºC) e Castelo Branco (24ºC).

E são consideradas noites tórridas, ainda mais quentes, aquelas cujas temperaturas mínimas são iguais ou superiores a 25°C. Estas noites são características de períodos de calor intenso e podem dificultar o sono e o descanso. Na madrugada deste domingo será um exclusivo de Portalegre.

Mas na madrugada de segunda (de domingo para segunda), estarão noites tropicais com 20ºC em Santarém, Évora e Setúbal; 21ºC em Vila Real; 22ºC em Beja; 23ºC em Viseu; 24ºC na Guarda e em Lisboa; e noites tórridas com 25ºC em Faro e Castelo Branco e 28, sim, 28ºC, em Portalegre.

Risco máximo de incêndio

▲ O risco máximo de incêndio, a vermelho escuro, para sábado e domingo

Com as noites quentes, dias abrasadores e humidade muito baixa, estão criadas as condições para um enorme risco de incêndio. Já não chove há algum tempo, a vegetação está seca e qualquer vento e mesmo as trovoadas secas podem causar fogos florestais.

Este sábado estarão cerca de 40 concelhos do interior Centro e do Algarve em risco máximo de incêndio, alargando-se no domingo a outros municípios tanto no Centro como no Norte do país.

O perigo de incêndio determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

Os cuidados contra o calor

Beber água, ficar ao fresco, evitar o sol. Os conselhos da Direção-Geral de Saúde contra o calor são sempre os mesmos, mas na maioria das vezes não são cumpridos. Vai haver correria às praias, vai aparecer gente na torreira das horas mais quentes, mas isso faz mesmo mal à saúde. O fundamental é a hidratação, mas o ideal é mesmo água e nunca aquela cerveja fresca ou qualquer tipo de álcool.

Aconselha-se ficar em ambientes frescos ou climatizados pelo menos por duas a três horas por dia, evitar a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11h00 e as 17h00, usar protetor solar com fator igual ou superior a 30, andar com roupa de cor clara, leve e larga, cobrir a maior parte do corpo e não esquecer o chapéu e óculos de sol, com proteção ultravioleta.

A DGS recomenda ainda que se evitem atividades no exterior, desporto incluído, e se escolha as horas de menor calor para viajar de carro. E se protejam os mais vulneráveis, como crianças, idosos, doentes crónicos, grávidas ou trabalhadores com atividade no exterior.

Texto atualizado com as novas temperaturas e os alertas vermelhos sábado às 20h00

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