Após o sucesso da edição de 2024, Matosinhos voltou a receber a conferência Business2Sea. Organizada pelo Fórum Oceano, com o apoio da Câmara Municipal e da APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, a edição deste ano teve como tema central “Matosinhos – Capital da Indústria Azul”.
Focado na promoção da economia azul entre Portugal, Brasil, Canadá e Japão, este evento reúne especialistas, investigadores, empresários, investidores e entidades governamentais para impulsionar a inovação e promover negócios baseados em soluções sustentáveis no uso dos recursos marinhos. Este ano, estiveram em destaque oportunidades de investimento como a biorefinação de macroalgas, a descarbonização do transporte, dos portos e do turismo marítimo, a digitalização das indústrias azuis e do oceano, as energias renováveis oceânicas.
“Um dos aspetos essenciais que está no ADN do Fórum Oceano é a capacidade de estabelecer pontes e ligações, no âmbito da economia do mar, entre quem tem as ideias, o conhecimento e o know-how e os empreendedores e quem está disponível para financiar estes projetos”, afirma Carlos Costa Pina, Presidente do Fórum Oceano.
Matosinhos como capital da indústria azul
O primeiro painel da conferência abordou as potencialidades da cidade de Matosinhos enquanto hub para a economia azul global. Com foco em áreas cruciais, como a indústria conserveira da Comur, a energia eólica offshore da Ocean Winds, o transporte marítimo do Grupo ETE, a operação portuária da APDL e as soluções sustentáveis à base de algas da Inclita Seaweed Solutions, o painel destacou a inovação dos projetos apresentados e referiu a necessidade de dar valor ao que se faz em Portugal, de unir esforços e de ter capacidade de adaptação.
A plataforma flutuante multiusos da ETERMAR
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Miguel Pires, da ETERMAR, apresentou uma das inovações em curso na Agenda Mobilizadora Aliança para a Transição Energética (ATE): o protótipo de uma nova tecnologia de plataforma flutuante que permite operar multiusos – geração de energia, aquacultura, base de robótica marinha – no mar a custo mais baixo e menos risco operacionaç. A ATE, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), tem o seu foco na implementação de medidas promotoras de descarbonização e do aumento da eficiência energética em diversos setores da economia do mar.
Saiba mais: aate.pt/
Japão, Noruega, Canadá e Brasil: quatro apostas para cooperação azul para 2026
O painel dedicado à parceria Portugal – Japão abordou as oportunidades da energia eólica offshore, da biotecnologia azul e do MaaS (Marine As A Service), serviços digitais baseados no oceano. O keynote speaker, Takashi Gojobori, Diretor-Geral do Marine Open Innovation Institute (MaOI), referiu o memorando de entendimento assinado entre o MaOI do Japão e o Fórum Oceano. Neste documento, um dos objetivos principais é o Fórum Oceano apoiar o MaOI na integração do ecossistema de start-ups azuis nipónicas no Hub Azul Dealroom.
Em destaque no painel esteve também a Ocean Winds e o projeto WindFloat Atlantic. Para José Pinheiro, Country Manager Iberia da Ocean Winds, a participação na conferência foi especialmente importante porque “permitiu-nos expor novos ângulos que vão para além da energia limpa que o projeto inovador WindFloat Atlantic entrega diariamente: demonstrámos o que um projecto offshore eólico flutuante de apenas 25MW traz novas oportunidades de crescimento à economia nacional. Além disso, pudemos partilhar os resultados de um estudo científico pioneiro em Portugal e no mundo sobre a biodiversidade de um projecto eólico flutuante e que nos indica que o projeto WindFloat Atlantic está a ter um impacto positivo na biodiversidade, havendo um efeito de reserva e portanto uma boa coexistência entre as infraestruturas, que servem de recife artificial, e o meio marinho onde se insere”.
Ocean Winds: a criar o futuro da eólica offshore flutuante
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A Ocean Winds (OW) é uma empresa internacional de energia eólica offshore criada como uma joint venture 50-50 e pertencente à EDP Renováveis e à ENGIE. Baseados na convicção de que a energia eólica offshore é uma parte essencial da transição energética global, a OW desenvolve, financia, constrói e opera projetos de parques eólicos offshore em todo o mundo. No momento da sua criação, em 2020, a empresa tinha um total de 1,5 GW em construção e 4,0 GW em desenvolvimento. Entretanto, a OW tem expandido rapidamente esse portfólio e está agora no caminho para atingir a sua meta de 2025 de 5 a 7 GW de projetos em operação ou em construção e 5 a 10 GW numa fase avançada de desenvolvimento. Atualmente, a capacidade bruta de energia eólica offshore da OW em operação, em construção ou com direitos de desenvolvimento concedidos alcançou aproximadamente 19 GW. Com sede em Madrid, a OW está atualmente presente em oito países e tem como foco principal os mercados na Europa, Estados Unidos, regiões da Ásia, Brasil e Austrália.
Saiba mais: www.oceanwinds.com
O segundo dia começou com o painel dedicado à colaboração Portugal – Noruega, que se focou em inovação no setor marinho e na parceria entre o SINTEF e o INESC TEC.
“Para resolver os problemas do mundo real – incluindo dos oceanos -, temos de juntar especialistas de várias áreas. Precisamos de infraestruturas, laboratórios, talento. Foi por isso que no INESC TEC – em cooperação com o SINTEF – decidimos ser ousados e criar o INESCTEC.OCEAN, o primeiro Centro de Excelência português inteiramente dedicado ao mar”, sublinha José Manuel Mendonça, Coordenador do INESCTEC.OCEAN e Presidente Emérito do INESC TEC.
INESCTEC.OCEAN: o Centro de Excelência português para a Investigação e Engenharia do Oceano
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O INESCTEC.OCEAN é um centro de referência na investigação e inovação ligadas ao oceano que procura desenvolver soluções tecnológicas avançadas e baseadas em dados que apoiam atividades de exploração subaquática, sistemas de energia oceânica e tecnologias resilientes a climas extremos, promovendo uma Economia Azul sustentável. Criado em 2025, o Centro de Excelência tem como missão promover a investigação e a engenharia oceânicas, nomeadamente nas áreas da energia, estruturas, robótica e dados. Guiado pelo propósito de criação e transferência de conhecimento sobre o mar, o INESCTEC.OCEAN procura ser uma ponte de colaboração ativa entre academia, indústria, decisores políticos e sociedade civil, com o objetivo de contribuir para um oceano sustentável.
Saiba mais: inesctecocean.pt/pt/
Como mentores deste Centro de Excelência, estou certo de que contribuirá para o fortalecimento das relações não só entre INESC TEC e SINTEF, mas também entre Portugal e a Noruega, rumo a uma colaboração profunda para a inovação no mar e uma Economia Azul europeia robusta”, diz Trond Johnsen, Diretor para o Desenvolvimento de Mercado do SINTEF Ocean.
Já no painel Portugal – Canadá, foi abordada a ligação do Hub Azul Leixões ao Canada Ocean Super Cluster. Segundo Eduardo Silva, Coordenador Científico do INESCTEC.OCEAN e investigador do INESC TEC e um dos participantes do painel, “estas infraestruturas [Hub Azul Leixões] posicionam Portugal na vanguarda da investigação marítima, alinhada com as transições climática e digital. O projeto visa colmatar a falta de zonas de teste em ambiente real em Portugal, oferecendo condições únicas para a experimentação tecnológica”.
Hub Azul Leixões: um polo de I&D azul de vanguarda
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O Hub Azul de Leixões Polo I (HAL1) é uma infraestrutura científica pioneira, localizada no porto de Leixões, que permite desenvolver e testar tecnologias inovadoras para a economia azul. O HAL I está a criar uma Bacia Oceânica na Plataforma Logística II, que incluirá um poço de mergulho de 30 metros de profundidade – um dos maiores espaços do género na Europa. O CIIMAR acolherá ainda biobancos para preservar amostras biológicas marinhas, apoiando a investigação e a conservação da biodiversidade. Inserido no Hub Azul, Rede de Infraestruturas para a Economia Azul, que se inscreve no Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), o Hub Azul de Leixões 1 permitirá colmatar a insuficiência de zonas de teste em ambiente relevante no país.
Saiba mais: hubazul.pt/
Por fim, no painel dedicado à colaboração com o Brasil falou-se sobre a ligação dos ecossistemas de inovação no Atlântico Norte e Sul, com destaque para duas oportunidades em concreto: a cooperação do Rio Grande Sul com o Hub Azul Peniche (polo da rede Hub Azul), gerido pelo consórcio Smart Ocean; a criação de um programa de aceleração integrado com um fundo de investimento no Rio de Janeiro com as empresas Jataí Investimentos e Hacking.Rio, sendo esta última responsável pelo programa Blue Rio, que já acelerou mais de 40 startups.
Mário Ferreira: o empresário que gera lucro com a descarbonização dos cruzeiros
Durante a conferência Matosinhos Business2Sea, os participantes tiveram a oportunidade de assistir a uma entrevista exclusiva de Mário Ferreira, CEO da Mystic Invest e da Douro Azul. Conduzida por Ruben Eiras, Secretário-Geral do Fórum Oceano, a conversa centrou-se nas tecnologias e medidas adotadas pelo empresário para promover a descarbonização e a sustentabilidade na economia azul, medidas essas que tornam as empresas de Mário Ferreira únicas no mundo: por ter a frota de cruzeiros mais sustentável e descarbonizada no mundo, tem acesso exclusivo aos oceanos Ártico, Antártico e cidades históricas como Veneza.
A aposta na descarbonização tem, para o empresário, um propósito muito concreto: “é o caminho a seguir. Se estamos a vender turismo, precisamos de nos focar na sustentabilidade, não só na vertente económica, mas também tecnológica”. Por isso, o empresário revelou que irá construir o maior navio de cruzeiros sustentável do mundo, repleto de inovações tecnológicas que ainda aumentarão mais o desempenho ambiental e o sucesso do negócio.
Mário Ferreira referiu, ainda, a importância de eventos como o Matosinhos Business2Sea, mas destacou que é necessária uma estrutura mais forte em Portugal. Para os investidores, o empresário deixou um conselho: “é importante que corram mais riscos e que não fiquem sempre à espera que as tecnologias dêem provas para investir nelas”.
A academia e as empresas ao serviço da economia azul
Além de uma sessão de pitch para mais de 20 startups e investidores e do painel Portugal Atlantic & Westmed National Event 2025, houve ainda cinco apresentações spotlight, entre as quais a do projeto BLUE-X. “Apresentar o projeto BLUE-X no Matosinhos Business2Sea foi uma oportunidade para destacar um dos objetivos do INESC TEC no projeto: demonstrar uma ferramenta XR multiutilizador que suporta o planeamento, visualização e monitorização, em diferentes fases de projetos de energia azul offshore, com duas aplicações de demonstração, tais como a monitorização imersiva do corredor TIDAL/WIND e também a formação e qualificação para cenários catastróficos com XR, tão importantes no âmbito da Economia Azul e mundial”, refere Marco Amaro Oliveira, Senior Researcher no INESC TEC.
Blue-X: uma ferramenta digital para gestão das renováveis azuis
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No âmbito do projeto BLUE-X, sete parceiros europeus estão a desenvolver uma ferramenta de apoio à decisão baseada em satélite, concebida para acelerar a implantação de energias renováveis offshore. O objetivo comum é ajudar a desbloquear o elevado, mas muitas vezes inexplorado, potencial das energias renováveis «azuis», tais como a energia eólica offshore, a energia solar offshore, a energia das ondas e a energia das marés. A ferramenta BLUE-X atuará em todo o ciclo de vida das instalações de energia renovável azul, desde a avaliação da adequação até às operações e desativação, e para os cinco principais tipos de energia azul. As informações baseadas em satélite serão fornecidas numa aplicação web em combinação com todas as fontes de dados externas relevantes.
Saiba mais: blue-x.eoapp.de/
Em paralelo, a Blue Room do Terminal de Cruzeiros recebeu, durante os dois dias, várias apresentações e workshops exclusivos, como o “Blue Biobanks Digital Research
Platform: Co-creation Workshop”, dinamizado pelo Portugal Blue Digital Hub (PBDH), um dos projetos promotores do Matosinhos Business2Sea 2025.
“O PBDH apresentou uma nova plataforma digital orientada para a dinamização das atividades e dos modelos de negócio, envolvendo 15 representantes das Estações Náuticas de Portugal. A visita aos três bio-bancos do CIIMAR, complementada por uma sessão de co-criação em torno da integração digital destes bio-bancos, contou com a participação de 17 pessoas e a sessão se apoio ao financiamento permitiu estabelecer a ligação entre as ferramentas de financiamento disponíveis e as estratégias de internacionalização para a Blue Economy, reforçando o papel do PBDH como facilitador de acesso a conhecimento, redes e instrumentos de apoio”, indica Carlos Pinho, Lead Manager do Portugal Blue Digital Hub.
Portugal Blue Digital Hub: acelerar a digitalização azul
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O Portugal Blue Digital Hub (PBDH) é o Pólo de Inovação Digital da Economia Azul em Portugal liderado pelo Fórum Oceano, criado para acelerar a transição digital e ambiental do setor do mar. O projeto promove o empreendedorismo e o desenvolvimento de novas soluções baseadas em Inteligência Artificial, Blockchain e Big Data, apoiando o teste e a demonstração tecnológica, bem como a atração de investimento estrangeiro e a formação em competências digitais. A missão do PBDH, consórcio de 15 entidades, passa por transformar Portugal num líder europeu digital da Economia Azul até 2030, acelerar as transições verde e digital, reforçar a resiliência europeia nas áreas digitais, da inteligência artificial e da blockchain e contribuir para o aumento da soberania no Atlântico Norte, reduzindo a dependência tecnológica de outras regiões do globo.
Saiba mais: forumoceano.pt/pt/digital-hub
A par das sessões, o evento foi uma oportunidade para criar conexões e parcerias estratégicas entre empresas e profissionais do setor.
“Uma das iniciativas em curso saídas do evento é a criação um programa internacional de intercâmbio de startups a construir entre os clusters da Noruega, Canadá, Japão, Brasil e Portugal – o objetivo é que este programa seja um dos principais fornecedores de ‘dealflow’ para investidores. É este o alvo quando o Fórum Oceano organiza evento: trabalhar com as parcerias internacionais certas para monetizar o mar com a escala que o investidor precisa”, conclui Ruben Eiras.
Com a edição de 2025, o Matosinhos Business2Sea volta a afirmar-se como um dos maiores eventos portugueses dedicados à economia azul e consolida, ainda mais, o papel de Portugal como um centro de excelência no setor marítimo.