Um círculo eleitoral onde se disputa, mais do que deputados, o reencontro com a história. Duas arruadas com muitos militantes, mas com pouca gente fora das máquinas. Muitas bocas trocadas a poucas centenas de metros e com meia dúzia de minutos a separá-las. As caravanas de Luís Montenegro e de Pedro Nuno Santos estiveram esta tarde em Évora e lutaram para ver quem conseguia mobilizar mais gente para fazer prova de força. Tudo acabou por decorrer sem incidentes, mas não faltaram provocações de parte a parte.
Até pelo motivo mais comezinho. Ainda durante a parte da manhã, perante a óbvia curiosidade dos jornalistas com o cruzamento das maiores caravanas, fonte da campanha da AD jurava a pés juntos que não iam mexer uma palha para mudar o que quer que fosse. Inicialmente, a coligação liderada por Luís Montenegro deveria começar no Templo de Diana e descer depois até ao local do comício, na Rua João de Deus; o PS começaria noutra ponta e acabaria no Templo de Diana para fazer o seu próprio comício. Tudo a começar (hora indicativa) às 18 horas. Era, por isso, inevitável que se cruzassem nas ruas estreitas de Évora.
Às 16h27, porém, a campanha da AD informava formalmente os jornalistas que o trajeto da arruada da coligação PSD/CDS tinha sido alterado para evitar um confronto desnecessário. Segundo a mesma fonte, o tema havia sido discutido com o PS e fora decidido que a AD mudaria o seu ponto de partida para que cada comitiva pudesse fazer a sua arruada e respetivo comício sem azares ou constrangimentos.
Poucos minutos depois, chegava à caravana da AD outra versão. Na verdade, Pedro Nuno Santos, à saída do Algarve rumo a Évora, sugeriu que Montenegro tinha tido medo de se cruzar com a máquina socialista e que, por isso mesmo, tinha decidido alterar o seu cortejo. “Medo é uma coisa que não me assiste”, provocou Pedro Nuno, o que irritou profundamente o staff de Luís Montenegro, que jura ter decidido aquilo que era o mais razoável para todos — a única coisa que se confirma a partir da campanha do PS é que a campanha da AD alertou para o cruzamento entre arruadas ontem, terça-feira, e que ficou decidido que avançaria em primeiro lugar aquele que chegasse primeiro a Évora.
E assim foi. Apesar do considerável atraso, Luís Montenegro conseguiu arrancar primeiro do que Pedro Nuno Santos, percorrer as ruas de Évora sem a sombra das bandeiras socialistas, começar e terminar o comício sem que Pedro Nuno Santos começasse a discursar. Levou vantagem no tempo (foram 40 minutos de passeio contra 20) e não se cansou de bater no adversário (mesmo jurando que está apostado numa campanha pela positiva). O socialista também não se ficou, dramatizou no apelo ao voto no PS e voltou a acusar Luís Montenegro de falta de credibilidade para ocupar o cargo de primeiro-ministro e de “incompetência” na governação — disputou sobretudo os pensionistas.
Os dois líderes não se cruzaram fisicamente — houve só um assomo de jovens da AD no final do comício do PS e que motivou nova provocação por parte de Pedro Nuno Santos — mas as duas caravanas estiveram sempre presentes no espírito uma da outra. Numas eleições em que a dinâmica de vitória, alimentada pelas sondagens, públicas e não públicas, parece estar do lado da coligação, Montenegro e Pedro Nuno não pouparam esforços para provar que as coisas estão a correr bem.
18h32 Luís Montenegro chega à praça do Tribunal Judicial da Comarca de Évora 30 minutos depois da hora marcada, naquilo que se começa a transformar num previsível — ainda que ligeiramente irritante — hábito desta campanha. Mal abre a porta do Mercedes cinzento que o tem transportado, o social-democrata pendura-se no carro e cumprimenta as cerca de 300 pessoas que o esperavam. Dois dedos em riste, “v” de vitória e símbolo do PSD, canta-se por” Portugal, Portugal, Portugal”. Segue viva a caravana laranja.
A ditar o tom da marcha, um grupo de três músicos vai tocando as notas do “When the Saints Go Marching In”, o que ajuda a distrair do “Deixa o Luís trabalhar”, tocado e cantado pelos jotinhas que acompanham o líder com uma devoção tal que quase apetece ajudar a escrever um novo hino só para não passar mais nenhuma vez por semelhante experiência auditiva.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Mas Luís Montenegro é um homem feliz e não se importa, seguramente, que estejam sempre a cantar pelo nome dele. Está confiante e isso nota-se, até por comparação ao que fazia (e como fazia) na campanha de há um ano. Segue quase em passo de corrida até ao centro histórico de Évora, mas não resiste em aproveitar uma escadaria para, a partir do cimo, cumprimentar de novo a pequena multidão de apoiantes, satisfeitíssimos por ver o líder ali, de carne e osso, de blazer, mas sem gravata.
São talvez os únicos verdadeiramente entusiasmados. Não é preciso estar muito atento para ouvir uns quantos desabafos de quem vai vendo a confusão de gente, câmaras e bandeirinhas a aproximar-se, ameaçando a integridade de tudo é que é souvenir. “Não quero cumprimentar ninguém”, irrita-se, ainda que de forma discreta, uma lojista, já nas principais ruas do centro histórico. Não é uma novidade nestas andanças: deixou de existir essa coisa dos banhos de multidão, muito menos no interior do país; a reação da generalidade das pessoas (sem contar com turistas que não percebem patavina do que está a acontecer) varia entre a indiferença e o incómodo mal disfarçado. A culpa não é de Montenegro — aliás, como o próprio vai dizendo, as “pessoas estão fartas de eleições”.
18h48 Apesar de tudo, ninguém é exatamente hostil para com o candidato. Pelo contrário. Mesmo as pessoas que não querem aparecer limitam-se a declinar simpaticamente — como um pobre cliente da barbearia “Perdigão” em que Luís Montenegro entrou para desejar “bom trabalho” e que se afligiu assim que viu os repórteres de imagem a fazer close-up do novo corte de cabelo. Era (como é sempre) Paulo Cavaleiro, secretário-geral adjunto do PSD, quem, indo à frente do grupo, apalpava o terreno e indicava em que lojas Montenegro devia entrar e a quem devia dar um ar da sua graça.
Mas mesmo num ambiente controladíssimo há pequenos gestos improvisados que mostram bem como Luís Montenegro se sente este ano bem mais confortável do que há um ano. Como quando decidiu dar um beijinho numa bebé de colo, depois de devidamente autorizado pela mãe, que também pediu e recebeu dois para a troca. Ou quando tirou uma selfie com duas senhoras de provecta idade. Ou ainda quando pegou ao colo um outro bebé. Tudo isto aconteceu. Agora, interações com grande conteúdo político, que se tenha ouvido (e nem sempre é possível ouvir tudo), não houve. Mas também para quê? Dali a uns minutos estaria a discursar e bater (subrepticiamente, claro) no seu adversário mais direto, Pedro Nuno Santos. Faltavam apenas umas dezenas de metros.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
18h56 Antes disso, e já depois de a caravana laranja ter ameaçado varrer umas quantas cadeiras e mesas nas esplanadas, Montenegro aproveita para beber um café no histórico “Arcada”, na Praça do Giraldo. É o suficiente para falar brevemente com os jornalistas. Os comentários sobre o facto de a AD ter alterado o percurso da arruada por causa dos socialistas já terão chegado aos ouvidos do primeiro-ministro. Montenegro desvaloriza. “Se nos cruzássemos era normal, se não nos cruzássemos também era normal. O que lhe dizia? Dir-lhe-ia: ‘Boa campanha‘”, diz calmamente Montenegro, de olhos postos na televisão — são quase sete da tarde e a qualquer momento sairá fumo da chaminé da Capela Sistina. Spoiler alert: seria fumo negro.
19h03 Uma jota pede, ao megafone, para os socialistas levantarem as bandeiras e o líder do PS chega no minuto seguinte ao Jardim Público de Évora, no Mercedes verde em que é transportado nesta campanha. Vem com uma hora de atraso (do Algarve, de onde já saiu tarde, depois de dançar com pensionistas), cumprimenta rapidamente a comitiva onde está o cabeça de lista por Évora, Luís Dias, o antigo deputado e eurodeputado, Capoulas Santos, e também o candidato à Câmara de Évora, Carlos Zorrinho. O candidato esteve muito tempo na viagem de carro e acelera até ao café mais próximo, junto ao mercado municipal, para uma pequeníssima paragem técnica – tem abusado do chá de perpétuas roxas para tentar recuperar a voz que começou a falhar esta quarta-feira.
19h11 Mal sai do café, Pedro Nuno atravessa acelerado a praça 1º de Maio em direção ao Giraldo e cumprimenta a primeira pessoa, uma senhora que está à porta de casa e que recebe uma rosa vermelha do líder socialista. Outra logo o chama da porta do restaurante “Obélix”, mesmo ali ao lado: “Onde está o Pedro?”. Em poucos segundos, o homem que parece ter caído no caldeirão do socialismo quando era pequenino já lhe pôs uma rosa na mão, um beijo na bochecha e uma selfie no telemóvel. Mas não há grandes conversas. A arruada segue e parece maior agora que as ruas do centro histórico apertam, mas é ilusão, não é uma arruada muito expressiva.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
19h13 O líder socialista cruza-se com duas pessoas, a mulher quer cumprimentá-lo e desejar boa sorte. O homem tem um aviso: “Cuidado com o IVA zero, cuidado com o IVA. Olhe que essas propostas têm de ser bem feitas”. Pedro Nuno garante que isso vai “aumentar o rendimento das famílias”, mas o homem continua desconfiado. “Pedro, olhe que se isso não for assim, é mau. Não pode haver falhanço”. Pedro Nuno volta a garantir que não e que “não se preocupe, pode confiar”.
No segundo seguinte, Pedro Nuno está já rodeado por jornalistas e começa a fazer declarações ao mesmo tempo que vai andando, o que provoca alguns encontrões à volta — e também não lhe permite grande contacto com a população. O socialista também não parece preocupado com isso (nas ruas está pouco mais do que a comitiva socialista) e dispara encostos a Montenegro. Começa logo por dizer que não se atrasou para se desviar da AD e que foi a AD que “desviou o percurso”. “Eu percebo-os”, sugere.
Não é fácil perceber. Afinal a comitiva socialista está longe de ser um colosso capaz de fazer sombra a quem quer que seja. Depois promete uma “liderança segura” e critica Montenegro, que não consegue paz social (referência à greve na CP), nem “estabilidade política”. Pedro Nuno apela ainda aos “zangados” e “envergonhados” com o que aconteceu nos dois últimos meses e evita a pergunta sobre se se vai atirar ao pedido de maioria absoluta da AD, dizendo apenas que “a maioria maior” que Montenegro pede é “falta de noção da realidade”. Acrescenta que, se o visse nas ruas de Évora, desejar-lhe-ia boa sorte. Mas acrescenta: “Quero derrotá-lo”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
19h19 Pedro Nuno Santos atravessa a Praça do Giraldo, onde não está muita gente, e não se demora. Sobe pela rua 5 de Outubro e encontra dois turistas, que lhe dizem imediatamente estar a gostar muito de Portugal. “Enjoy”, responde-lhes o socialista, que pelo meio ainda pergunta: “Can I give you a rose?”. Mais uma distribuída, agora noutra língua e sem qualquer resultado prático — não lhe valerá um voto.
19h25 Luís Montenegro começa a discursar no palco montado para o efeito na Rua João de Deus. Estão umas três centenas de pessoas. A abertura do comício ao ar livre ficara a cargo de Francisco Figueira, cabeça de lista da AD pelo distrito, sem que daí viesse uma intervenção propriamente galvanizadora — é difícil competir com um cabeça de cartaz, ainda para mais se o cabeça de cartaz for um primeiro-ministro em funções. E foi vestindo o fato de chefe de Governo que Montenegro começou o seu discurso por lembrar tudo aquilo que a AD fez ao longo dos últimos 11 meses a pensar nos mais jovens e, sobretudo, nos mais velhos.
Os dois — Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos — andam há dias a trocar acusações sobre reformados e a disputar os eleitores mais velhos — o grande bastião do PS e segmento eleitoral em que AD começava a encurtar distâncias. E, mais uma vez, como tem dito e repetido, Montenegro voltou a acusar o adversário de estar a tentar “lançar” um “medo” infundado: “Não vale a pena. Não há como enganar. A nossa palavra tem o valor de quem cumpriu aquilo que prometeu”, insiste Montenegro, já depois de ter recordado que este Governo aumentou pensões e o CSI, que foi Cavaco Silva a instituir o 14.º mês e que foi José Sócrates quem congelou as pensões em 2010. Tudo serve para combater o trauma da troika.
Exatamente neste momento, Pedro Nuno Santos chega ao palco do comício, colocado junto ao Templo de Diana. Estão cerca de cem cadeiras vazias que são imediatamente ocupadas por quem vinha atrás do líder na ultrarrápida arruada que fez pelo centro de Évora. Antes de ser a sua vez de falar, ainda tem uma lista longa de intervenções: o candidato autárquico (até porque há outras eleições já de seguida), uma figura central do socialismo local (Capoulas Santos) e o cabeça de lista.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
19h36 Com sensivelmente 10 minutos de discurso, Luís Montenegro volta a uma ideia que começou a desenhar ontem, terça-feira, no mega-jantar comício de Lisboa: candidata-se a estas eleições legislativas pedindo não uma simples vitória, não uma maioria simples, mas a força suficiente para garantir um ciclo de poder de oito anos. “Podemos acreditar, com esperança e segurança, que em quatro anos, e depois em mais quatro anos, vamos conseguir alcançar mais e melhores resultados [do aqueles que conseguimos nos últimos 11 meses].”
É Luís Montenegro a tentar cumprir o plano que desenhou desde sempre: mimetizar Aníbal Cavaco Silva em tudo. Começando com minoria, caindo às mãos da oposição e crescendo depois para duas maiorias consecutivas, que deram ao PSD dez anos no poder. Mostra também o clima de confiança que se vai vivendo na caravana da AD: já ninguém admite outro cenário que não a vitória; a aposta agora é mobilizar os fiéis para que saiam de casa e tentar convencer aqueles que, à esquerda (PS) e à direita (Chega), deixaram de votar no PSD.
19h37 Nem de propósito, no comício do PS, Capoulas Santos desfia memórias do tempo da campanha de uma das maiorias de Cavaco Silva e de o então líder do PSD dizer, segundo o socialista, “seria um desperdício financeiro” o dinheiro gasto na barragem do Alqueva. “Tenho esse momento gravado na memória e já passaram 40 anos”, diz o socialista tentando atingir um dos trunfos de Montenegro nesta campanha.
Foi também um dos primeiro socialistas da tarde a começar a fazer as contas aos votos em distritos onde o Chega entrou na disputa (como aquele em que estavam)) e a carregar no apelo ao voto útil “dos cidadãos de esquerda e de centro que querem o progresso”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
19h39 Por esta altura, já Montenegro dedicava largos minutos do discurso à questão da segurança. Não é preciso fazer muitas contas para perceber porquê: em termos de deputados, Évora, historicamente comunista, mudou de mãos para o PSD ainda com Aníbal Cavaco Silva, passou para o PS com António Guterres. Contudo nas últimas eleições legislativas, o Chega intrometeu-se e conseguiu eleger um deputado, deixando Pedro Nuno, Montenegro e André Ventura com os mesmos deputados eleitos por Évora. Em 2024, ficou 1-1-1, com PS à frente, AD e Chega quase empatados; agora, a coligação acredita que pode mesmo ficar à frente do PS.
Ora, era mais ou menos óbvio que Montenegro aproveitaria o comício para tentar seduzir os eleitores que votaram à direita da AD nas últimas legislativas. “A segurança é fundamental para sentirmos tranquilidade. É também um ativo que Portugal tem de preservar”, ia dizendo Luís Montenegro, até revisitar um dos momentos mais controversos do Governo: o momento em que Luís Montenegro fez uma declaração ao país, às oito da noite, para explicar os números da criminalidade e as operações em curso.
“Parece que era crime falar de segurança às oito da noite e dizer ao país ‘nós estamos atentos aos fenómenos que os preocupam’. Nessa altura, todos se incomodaram. À direita e à esquerda. Mas o mais curioso é que só nós falamos de segurança nesta campanha. Sabem porquê? Porque estão todos de acordo”, atira Montenegro, antes de ser fortemente aplaudido.
19h45 Montenegro aproxima-se da reta final do discurso. E tem o soundbite do dia na manga. Retira a cavilha da granada política e lá vai disto. “As oposições acham que está sempre tudo mal. Mas que diabo, está tudo mal? É preciso aparecer todos os dias zangado e aziado com o sucesso do país?”, provoca o líder social-democrata, em mais uma referência clara a Pedro Nuno Santos.
Tudo para alimentar a narrativa que a AD — e Lili Caneças — trouxe para esta campanha: no dia 18, a escolha será entre alguém que tem uma visão para o futuro do país e 11 meses de primeiro-ministro no currículo, e alguém que está “sempre a ralhar”, que só se alimenta do bota-abaixismo, que está apenas e só empenhando numa campanha negativa e que nunca soube ultrapassar a derrota de 2024.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
“Temos de ter uma grande vitória no dia 18. Não vamos regatear nenhum esforço para lutar pelo futuro. [Mas essa ‘maioria maior’] tem de sair da vontade livre e democrática dos portugueses. Não é por irmos à frente nas sondagens que já ganhamos eleições”, despede-se Luís Montenegro.
19h50 No palco socialista, o cabeça de lista por Évora, Luís Dias, fala e chama a Montenegro “laranja podre que vai contaminar todo o pomar”. “Precisamos de um primeiro-ministro livre”, reclama ao mesmo tempo que fala na necessidade de trabalhar uns eleitores específicos nos nove dias de campanha que restam: “É preciso virar os indecisos”.
19h59 Pedro Nuno Santos começa a falar e um minuto depois sai fumo preto da chaminé do Vaticano que desvia a atenção da atualidade política nacional por estes dias. O líder segue alheio ao acontecimento mundial, junto ao Templo símbolo do paganismo romano, fala daquela urbe para o mundo socialista, que atiça contra Luís Montenegro. O primeiro-ministro volta a estar debaixo de fogo neste comício e logo a abrir, com as questões da falta de “credibilidade” de Luís Montenegro, sempre com a Spinumviva nas entrelinhas, embora também vá dizendo que não é só por isso. “Não existe nenhuma razão para a AD achar que merece ganhar estas eleições. A AD merece perder esta eleições”, convence-se.
20h08 Luís Montenegro continua no palco a tirar fotos e a responder às muitas solicitações dos militantes e simpatizantes da AD. Acabou de discursar há quase 20 minutos mas não arreda pé. Para quê ter pressa quando as coisas estão a correr bem?
20h12 Por esta altura ainda Pedro Nuno Santos discursa e entra na fase da intervenção em que desfia o rosário das propostas socialistas e grita o habitual pregão do IVA zero: “A carne, o peixe, os ovos, a fruta, os legumes”. E depois passa aos pensionistas, que tenta preservar a todo o custo do lado do PS, apelando à memória da “relação de confiança” e à AD – e em particular a Montenegro – atira a acusação de “não conhecer a realidade dos pensionistas em Portugal” e que “é por isso que continua sem ter a confiança” dos mais velhos — uma deixa com que tentar acertar numa fragilidade com que Montenegro se tinha confrontado de manhã no mercado de Setúbal (onde foi abordado por vários pensionistas descontentes).
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Fecha a intervenção com um dramático apelo ao voto útil, embalado pelas intervenções anteriores que procuram o segundo deputado do PS, que em 2024 ficou para o Chega “Que ninguém disperse o voto, está ao nosso alcance derrotar a AD, mas há vários círculos em que os votos não podem ser perdidos nem dispersos e um deles é Évora. Precisamos de concentrar os votos no PS para ganhar as eleições”.
20h24 Mal termina a intervenção, como é costume, Pedro Nuno chama imediatamente jotas e os socialistas que discursaram para cima do palco. Lá ao fundo, ouve-se um burburinho: estão a passar uns jovens apoiantes da AD, reconhecem-se pelas bandeiras. De cima do palco, Pedro Nuno vira-se para os seus jotas e incentiva-os a gritar mais alto pelo PS. O episódio dura segundos. Afinal, o grupo da AD já virou a esquina, sem tumultos. Desta vez a saída do comício é mais rápida, há menos tempo para as selfies da praxe. Segue direto para um comício em Portalegre. Já vai com uma hora de atraso e também uma bagagem e mais tiros para disparar para o lado de lá.