A vida de Soares, parte I. O mau aluno que liderava o colégio

19 Outubro 2016

Infância. Soares passou de criança magra e doente a líder do colégio. Nunca foi bom aluno, mas as lições privadas com três professores de elite transformaram-no num adolescente com voz na política.

O pai chamava-lhe Gigi, era magro, gostava de jogar futebol e era péssimo aluno. Entretinha-se a ver os vizinhos brincar ao atletismo num quintal lisboeta, saltitou de escola em escola até chegar ao internato do Colégio Moderno. Foi o filho favorito, ultraprotegido. Mas contra certas coisas não havia proteção possível: ainda não sabia escrever e já sabia o que era visitar o pai na prisão ou passar o Natal escondido da polícia.

Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu em Lisboa, em casa, no número 153 da rua Gomes Freire, no Outono de 1924, a 7 de Dezembro. A mãe, Elisa Nobre Batista, era dona de uma pensão na Rua Ivens – e foi aí que se apaixonou por João Lopes Soares, na altura ainda um padre católico. Do pai, Mário Soares recebeu o gosto pela política, a certeza de que não se desiste daquilo em que se acredita, a “incompatibilidade física” com a vida em ditadura. Da mãe, herdou o espírito desenvolto.

“A minha mãe era filha de camponeses, o meu pai também, mas a minha mãe era terra-a-terra. O meu pai montou um colégio, mas quem administrava e dirigia aquilo tudo era a minha mãe. Esse sentido prático de camponês, herdei dela”, contou numa entrevista publicada pelo Diário de Notícias, no dia em que completou 80 anos.

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O pai de Mário Soares já se tinha afastado da prática católica – até já tinha um filho, chamado Tertuliano, de uma relação amorosa anterior. Era da maçonaria, tinha sido um dos conspiradores contra o governo de João Franco e o reinado de D. Carlos, ajudando a implantar a República, a 5 de Outubro de 1910. Tinha participado na fundação do Instituto dos Pupilos do Exército, onde era professor, tinha sido Governador Civil de Santarém e até tinha sido ministro das Colónias durante três meses, num dos governos de Domingos Leite Pereira. Quando aquele que viria a ser Presidente da República portuguesa nasceu, a família já pertencia a um círculo de privilegiados em Portugal. Fazia parte das elites políticas e culturais e era relativamente abonada: em casa havia empregada doméstica e telefone, uma raridade no Portugal dos anos 20.

Mário era o bebé da família: vivia com os pais e dois meios-irmãos bem mais velhos — Tertuliano, que já tinha 18 anos quando ele nasceu; e Cândido, de 17 anos, que era filho da mesma mãe mas de um casamento anterior.

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Mas a tranquilidade da família durou pouco. O golpe de Estado de 28 de Maio, que instaurou a ditadura militar aconteceu tinha Mário Soares apenas dois anos.

O pai sofreu um duro volte-face. Aliás, cinco: era deputado por Leiria, mas o Parlamento foi fechado; foi demitido de vogal do Conselho Superior de Finanças — o organismo antecessor do Tribunal de Contas; foi afastado das aulas nos Pupilos do Exército; os manuais de História e Geografia que tinha publicado deixaram de ser a escolha do ensino público; e acabou por ser detido.

Até Mário Soares fazer 10 anos, o pai esteve muito ausente de casa: fugido, exilado, deportado, clandestino. Encontrava-se com o filho várias vezes, mas sempre depois de manobras de diversão da polícia.

“A minha mãe era filha de camponeses, o meu pai também, mas a minha mãe era terra-a-terra. (...) O meu pai tinha a mania de me pôr em cima de um banco para eu falar, 'Faz lá um discurso'.”

A maior parte das vezes o pai não podia ir a casa. Tinha um esconderijo na Escola de Belas-Artes, no Chiado, com a ajuda de um ex-colaborador seu que trabalhava no edifício e que entretanto se casara com uma irmã de João Soares e, portanto, entrara para a família. “Passámos lá Páscoas, Natais”, contou Mário Soares, numa entrevista a Maria João Avillez, referindo-se ao esconderijo das Belas-Artes, onde gostava que o tio lhe mostrasse as pinturas e esculturas dos estudantes.

Mas as memórias daquele tempo não são fáceis. “Lembro-me de ir visitar o meu pai, pela mão da minha mãe, com cinco ou seis anos, à prisão política do Aljube (…) e também ao Forte de S. Julião da Barra. Lembro-me de ir a Peniche, numa fria madrugada, para me despedir do meu pai, quando foi deportado pela segunda vez para os Açores – e da sensação, partilhada com minha mãe, de impotência e de raiva, ao vermos, já ao longe, o barco que se afastava… Lembro-me de o encontrar de tempos a tempos, quando vivia na clandestinidade, em automóveis furtivos que apareciam a horas e em locais bizarros, depois de grandes voltas a que a minha mãe nos forçava, de entradas e saídas de táxis, para iludir a vigilância dos bufos”, recordou Mário Soares na mesma entrevista.

Com o pai, João Soares

Ser filho de João Lopes Soares implicava muitas vezes não poder chamar ‘pai’: “Eu era industriado a chamar senhor Araújo ao meu pai sempre que estava com ele.” Mas não foi sinónimo de ter um pai ausente. Assim que aprendeu a ler e a escrever, Mário Soares recebia cartas do pai a querer saber de tudo. E era-lhe exigida resposta rápida.

Joaquim Vieira, na biografia que escreveu sobre Mário Soares, relata o conteúdo de uma carta de 22 de Novembro de 1933: “Meu querido académico: tens passado melhor agora? Estás muito contente com a tua nova casa? Tens aproveitado agora o tempo? Responde a todas estas perguntas. Quero carta tua em todos os barcos que venham para os Açores. Não te esqueças do que te pedi na Torre: para seres sempre muito amiguinho da mãe, obediente e estudioso. Milhões de beijos, adeus.” Mário Soares ainda não tinha completado nove anos.

A clandestinidade obrigava toda a família a ter cuidados extremos. “Eu era industriado a chamar senhor Araújo ao meu pai sempre que estava com ele”, lembra Mário Soares.

Apesar do ambiente de secretismo a que a família era obrigada, Mário Soares recordava-se de uma infância feliz. Enquanto viveu na Gomes Freire, entretinha-se a ver os vizinhos do andar de baixo a brincar ao atletismo: Mário Moniz Pereira, apenas três anos mais velho e um dos poucos amigos de infância com idade próxima da sua, organizava provas no quintal do prédio, com o irmão e um outro vizinho.

Mário Soares não corria, era considerado demasiado novo, mas gostava de ver. Moniz Pereira viria a ser treinador de atletismo e o responsável pela preparação de Carlos Lopes, o primeiro português a receber a medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos.

Fui uma criança despreocupada, feliz, embora sempre ultraprotegida pelos meus pais, os meus meios-irmãos, os amigos dos meus pais. Convivia com muito poucos rapazes da minha idade”, contou o ex-Presidente.

Soares foi uma criança de braços e pernas finas, com pouco músculo, de saúde vulnerável. A preocupação dos pais era uma constante. “Mário, não andes sem chapéu, estás a apanhar sol na cabeça”, lembrava-se de ouvir gritar. Foi só mais tarde, quando começou a ir à praia nadar, que ganhou mais resistências.

Um péssimo aluno

“Era um péssimo aluno. Tinha pouca queda para o estudo, não me concentrava e, com tantos sobressaltos e tantas mudanças, ainda menos estudava”, contou o próprio Mário Soares, também a Maria João Avillez. A julgar apenas pelo desempenho escolar de Mário Soares, ninguém imaginaria que um dia o pequeno Gigi — como o pai gostava de lhe chamar até aos 11 anos, quando decidiu que o filho já seria suficientemente crescido para ser ‘Mário’ — chegaria a Presidente da República.

A instabilidade da família reflectiu-se na vida escolar e o rapaz saltou de escola em escola. Até entrar, aos 7 anos e em regime de internato, no colégio privado Bairro Escolar do Estoril – uma instituição fundada pelo seu pai com João de Deus Ramos, filho do poeta e pedagogo João de Deus – já tinha passado por outras três instituições.

“Lembro-me, sobretudo, de ser uma criança preguiçosa. Era muito magro, enfermiço, tinha frequentes ataques de asma, estava muitas vezes doente.”

Mesmo assim, não chegou a terminar a instrução primária no Estoril. Quando estava na 4.ª classe o pai Soares zangou-se com Deus Ramos e saiu da sociedade. Mário Soares foi mandado para as Caldas da Rainha, viver em casa da família Maldonado Freitas, muito amiga dos seus pais.

Nessa altura, João Lopes Soares já estava mais presente na vida do filho. Em 1934, um ano antes, tinha regressado da sua segunda deportação nos Açores e tinha decidido diminuir a actividade política para se dedicar mais à família. A mãe de Mário Soares fazia pressão para que o marido fosse menos activo na conspiração contra o Estado Novo e a situação financeira da família já não era tão confortável.

Terminado o negócio com Deus Ramos, João Lopes Soares lançou-se na criação de um novo colégio privado: o Nun’Álvares, na Venda do Pinheiro, perto da Malveira. Apesar de estar a estudar nas Caldas da Rainha, Mário Soares participou na criação do colégio: o ex-Presidente recordava-se das viagens que fazia com o pai, de altifalante na mão, a promover a nova escola.

Uma vez mais, os estudos desse ano nas Caldas não foram brilhantes. O Governo tinha acabado de criar o exame de admissão ao liceu e Mário Soares chumbou. A reprovação não seria, contudo, definitiva: os resultados a nível nacional foram tão maus que o Ministério da Educação alterou os critérios, permitindo dessa forma que muitos dos alunos inicialmente chumbados acabassem por ser admitidos. Mário Soares foi um dos beneficiados.

Mário Soares com os pais

Entrou no Liceu Rodrigues Lobo, contudo só lá esteve um ano. Não chegou a ir para o colégio da Malveira — o projecto do Nun’Álvares não correu bem, mas o pai de Mário Soares não ficou por ali. Fundou o Colégio Moderno, no Campo Grande, que Mário Soares frequentou desde o segundo ano do liceu até ao final do ensino secundário. Foi a primeira vez que se manteve por um período prolongado na mesma instituição de ensino. E foi por isso também a primeira vez que fez amigos.

“Lembro-me, sobretudo, de ser uma criança preguiçosa. Era muito magro, enfermiço, tinha frequentes ataques de asma, estava muitas vezes doente. Na escola chamavam-me o Lingrinhas, mas, com isto tudo, jogava futebol e até tinha algum jeito”, contou Mário Soares, sem especificar a que período escolar se referia. “Lia pouco, era sempre acusado pela minha mãe de não me interessar por nada”, assumiu ainda.

No Colégio Moderno, as aulas eram mistas, embora os recreios fossem separados. Ainda assim, foi lá que Mário viveu a primeira paixão – e o primeiro desgosto de amor. Ele tinha 15 anos, ela, Judite, tinha 13. Era aluna interna do colégio, uma opção para os estudantes que vinham de fora de Lisboa ou das colónias. O pai Soares não gostou do namoro, mas a preocupação durou pouco tempo já que uns meses depois Judite regressou a Angola.

O líder da escola

Apesar de nunca ter sido um aluno brilhante, Mário Soares não precisou das notas para se afirmar junto dos colegas. Trazia de casa uma tarimba no debate das ideias políticas que era invulgar. Por exemplo, aos 12 anos o pai mandou-o vestir uma gravata preta, pela morte de Afonso Costa. “O meu pai tinha a mania de me pôr em cima de um banco para eu falar, ‘Faz lá um discurso’”, contou Mário Soares, na entrevista dos seus 80 anos.

O ambiente em casa era de conspiração contra o Estado Novo e marcado pelo acompanhamento de perto da Guerra Civil espanhola. O pai ouvia a Radio Madrid e lia o jornal Avante!. Era levado todos os domingos por um sobrinho, António Carvalho. “Aí é que eu começo a ter respeito pelos ideais do PCP”, disse Soares.

“A minha formação política fez-se entre os 12 e os 15 anos com a Guerra Civil de Espanha.” Em casa, o pai ouvia a Radio Madrid e lia o jornal Avante!

“A minha formação política fez-se entre os 12 e os 15 anos com a Guerra Civil de Espanha”, frisou. O tio Joaquim Nobre, um comunista muito amigo de Bento Gonçalves, também frequentava a casa de Soares com regularidade.

Na sua adolescência, a partir dos 16 anos, as tertúlias em casa tornaram-se ainda mais frequentes e intensas. O pai feriu-se numa perna e acabou amputado. O acontecimento marcou Mário Soares, que falou dele como o primeiro momento em que sentiu “verdadeiro sofrimento”. Como o pai ficou com a mobilidade reduzida, passaram os amigos a ir visitá-lo a casa. Recebiam vários saudosistas do anterior regime, desde afonsistas a almeidistas (apoiantes de António José de Almeida, o único presidente da I República a cumprir o mandato até ao fim).

Uma das visitas recorrentes era a de Américo de Oliveira, herói do 5 de Outubro, a quem Mário Soares apelidava de “Barbaridades”, pelas suas longas barbas. O jovem quis adoptá-lo como padrinho já que o verdadeiro, Joaquim Jacobetty Rosa, economista do Banco de Portugal, raramente aparecia.

Mário Soares gabava-se de ter escapado à Mocidade Portuguesa, organização juvenil de apoio ao Estado Novo, de inscrição obrigatória, mesmo para alunos do ensino privado. Joaquim Vieira, na biografia que escreveu de Soares, não dá a informação como definitiva já que o ex-Presidente fez alguns relatos contraditórios daquela altura. Mas considera que é plausível que tenha escapado à Mocidade já que o pai era o director do colégio e seria ele o responsável pelas inscrições e participação dos alunos naquela organização. Mesmo depois do acidente na perna, quando ficou em casa e delegou a direcção do Colégio Moderno, escolheu um professor da sua máxima confiança, Rogério de Araújo, que também se opunha ao regime.

A exposição à política em casa fez de Mário um líder natural na escola. No terceiro ano do liceu resolveu criar um governo no Colégio Moderno. Atribuiu-se o cargo de primeiro-ministro e escolheu vários colegas para ministros sectoriais.

“Não era antipático, não era mania da superioridade, era um estilo talvez um pouco paternalista. Olhava cá para baixo pensando que éramos pouco desenvolvidos e tinha de nos ensinar, mas todos gostávamos dele”, conta Odete Ferreira, colega do liceu.

“Não era antipático, não era mania da superioridade, era um estilo talvez um pouco paternalista. Olhava cá para baixo pensando que éramos pouco desenvolvidos e tinha de nos ensinar, mas todos gostávamos dele”, conta Odete Ferreira, uma colega do liceu que viria a liderar a luta contra a sida em Portugal, na biografia de Joaquim Vieira.

Um dia, Mário Soares e uma série de colegas foram contra uma porta e partiram todos os vidros. O pai chamou-o e ele aceitou toda a responsabilidade, recusando revelar os nomes dos companheiros que também tinham participado no disparate. Rogério de Araújo lembrou Soares como “um jovem muito contestatário e irreverente, que liderava e encobria os colegas”. “A solidariedade com os colegas era o mais importante, eu era contra o meu pai e a minha mãe. Quando ele fundou o Colégio Moderno, queriam que eu almoçasse com a família – a comida era melhor, havia mais suplementos –, e eu revoltei-me várias vezes contra isso. Sempre fui o pior aluno do colégio, e o mais compincha de todos”, contou Mário Soares.

O treino intensivo

Quem estava bem atento à personalidade de Mário Soares era o pai. Consciente das capacidades de liderança do filho, mas também das suas dificuldades nos estudos, investiu em Mário Soares como quem dá treino a um atleta de alta competição. Além das aulas, Soares tinha explicações privadas que o prepararam sobretudo em matérias de cultura geral, filosofia e política.

Mas não eram lições à semelhança do que se faz hoje para preparar os estudantes para os exames nacionais de admissão à faculdade. Eram sobretudo conversas, um espicaçar da mente e da curiosidade que o ajudava a querer saber mais e a pensar melhor.

Aos 17 anos, Soares teve explicações de Geografia com Álvaro Cunhal

Houve três professores por quem se deixou influenciar particularmente. Agostinho da Silva foi um deles. Era filósofo, poeta e ensaísta, redator da Seara Nova. Foi contratado para ajudar Soares com cultura geral. Os dois passeavam pelos campos em volta do Instituto Português de Oncologia, em Palhavã, em amenas conversas. Agostinho sugeria-lhe filmes, livros e exposições a visitar.

Álvaro Salema foi outro dos mais influentes. Era professor de filosofia no Colégio Moderno e também lhe deu explicações de cultura geral. Faziam passeios de bicicleta pelo Campo Grande. Salema era comunista, admirador de Álvaro Cunhal.

E, por fim, teve explicações com o próprio Álvaro Cunhal, de Geografia. Os encontros aconteceram em 1941, durante um breve período de vida legal do futuro líder do PCP, tinha Soares 17 anos. Mas foram o suficiente para o marcar.

“O Mário era como um príncipe a quem o monarca destinasse os melhores professores para que ele fosse mais tarde o futuro dirigente do reino."

“O Mário era como um príncipe a quem o monarca destinasse os melhores professores para que ele fosse mais tarde o futuro dirigente do reino. Nesse aspecto, o pai foi feliz – os professores transmitiram ao Mário os assuntos necessários à formação de um político, e aos 17 anos ele possuía já uma cultura política universal”, disse Germano Sacarrão, que foi professor no Colégio Moderno.

O gosto pelas letras intensificou-se. Na adolescência escrevia artigos, diários, contos e poemas. As notas subiram: nos exames de admissão à faculdade já só teve 14 e 15 valores, excepto a Latim, que passou com 10. A sua média final do Curso Complementar de Letras foi de 14 valores.

O interesse pelas manifestações públicas contra o regime também cresceu. Foi nessa altura que teve o primeiro contacto com a polícia. Decidiu ir a uma sessão de canto gregoriano na Casa do Alentejo, em Lisboa. O evento era sobretudo uma oportunidade para assistir a uma conferência com o compositor Fernando Lopes-Graça, que tinha sido seu professor de Canto Coral, no Colégio Moderno. Mário Soares não era especialmente dotado no domínio da voz – até já tinha sido expulso do coro por desafinação – mas sabia que o momento era sobretudo político.

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Não se enganou: apareceu um grupo da Mocidade Portuguesa e os desacatos foram inevitáveis. Soares acabou por ser detido pela polícia e levado para a esquadra do Teatro Nacional. Valeu-lhe a ficha limpa no cadastro da PVDE, a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, e acabou por ser libertado.

A influência dos três explicadores fez com que naquela altura tivesse optado por se matricular em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras. O pai teria gostado que tivesse seguido Direito, mas os professores insistiram que o curso estava carregado de reaccionários e Mário deu ouvidos aos tutores. Já a mãe concordou com a opção, uma vez que esperava que fosse uma boa formação para um dia mais tarde ser o director do Colégio Moderno.

Não era essa a ambição de Mário Soares, que jamais esquecera as palavras de Álvaro Cunhal, numa carta que o professor lhe tinha escrito algum tempo antes: “Dizia-me que se ia embora – sem dizer para onde, nem o que ia fazer – mas, tendo verificado que eu possuía uma certa consciência social, esperava que eu viesse a amadurecê-la. Uma carta de incitamento a uma vida política orientada em determinado sentido”.

A carta seria eficaz. Muito em breve, Mário Soares tornar-se-ia num dos principais opositores políticos do Estado Novo.

Fonte para a infografia: “Mário Soares — uma Fotobiografia”, de Maria Fernanda Rollo e M. M. Brandão de Brito, Bertrand Editora, 1995

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