Dark Mode 193kWh poupados com o Asset 1
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica. Saiba mais

Logótipo da MEO Energia
i

Portugal conta com 1.200 pontos de vacinação nos centros de saúde, Espanha com 13.000

Joe Raedle/Getty Images

Portugal conta com 1.200 pontos de vacinação nos centros de saúde, Espanha com 13.000

Joe Raedle/Getty Images

O que falta no Plano de Vacinação contra a Covid-19? /premium

Os grupos prioritários foram indicados e os locais de vacinação definidos, mas o plano de vacinação contra a Covid-19 pouco diz sobre como serão armazenadas e transportadas as vacinas.

Com três fases e sete grupos prioritários, o Plano de Vacinação contra a Covid-19 em Portugal foi apresentado esta quinta-feira. Numa fase inicial, Portugal não vai contar com o apoio das farmácias como planeia fazer o Reino Unido, ficando só pelos centros de saúde. Portugal tem assim 1.200 pontos de vacinação, enquanto que Espanha tem 10 vezes mais, ainda que a população daquele país seja apenas cinco vezes superior à portuguesa.

O Reino Unido, com uma vacina já aprovada, começa a vacinar os cidadãos na próxima segunda-feira. Já os países da União Europeia só preveem começar a fazê-lo em janeiro, depois da primeira aprovação condicional da Agência Europeia do Medicamento (EMA). E enquanto Portugal e Espanha esperam ter a população toda vacinada até ao final do ano — talvez mesmo até ao fim do verão —, na Alemanha, por exemplo, a imunização da população poderá demorar mais de um ano.

Grupos prioritários, locais de vacinação, prazos. Conheça o plano do Governo ponto por ponto

Comparámos o plano de vacinação português com outros planos conhecidos na Europa e apresentamos os principais pontos em falta.

Armazenamento

Com o anúncio dos primeiros resultados da vacina da Pfizer/BioNTech surgiu a primeira grande dificuldade imposta por esta vacina: a temperatura de conservação das doses, cerca de 80 ºC negativos. Já a Moderna, quando apresentou os seus resultados, mostrou que só precisava das temperaturas normalmente atingidas pelos frigoríficos e congeladores convencionais. Um problema adicional destas duas vacinas é que são tomadas em duas doses, duplicando o esforço de armazenamento e transporte.

Apesar de ser um dos pontos mais sensíveis dos planos de vacinação, sobretudo quando se quer vacinar a população toda (ou quase) de um país, o armazenamento não foi abordado na conferência de imprensa de apresentação do Plano de Vacinação contra a Covid-19 em Portugal. Mesmo tendo em consideração que a campanha de vacinação pode começar já em janeiro.

Na apresentação feita por Francisco Ramos, coordenador da task force responsável pelo plano, nada foi dito sobre o armazenamento e tudo o que é possível ler nos slides é que se pressupõe a “manutenção da cadeia de frio” e que haverá um “reporte diário da execução das entregas, estado das reservas e conservação das vacinas”.

A apresentação pelo coordenador da task force para o Plano de Vacinação contra a Covid-19 em Portugal não explicou que medidas de armazenamento e transporte seriam implementadas

Plano de Vacinação Covid-19

No Reino Unido, a coordenadora da imunização da Public Health England, Mary Ramsey, disse que os desafios colocados pela vacina da Pfizer/BioNTech podem implicar o recurso às arcas frigoríficas das grandes empresas de distribuição de alimentos.

Transporte

A manutenção da cadeia de frio, necessária para assegurar a integridade das vacinas, não é necessária só no armazenamento, mas também no transporte das doses. Para a Pfizer, e segundo disse à RTP Susana Castro Marques, diretora-médica da empresa em Portugal, todas as etapas do transporte e distribuição vão ser assegurados pela empresa até aos locais definidos pelas autoridades portuguesas.

Francisco Ramos, no entanto, não falou da estratégia da farmacêutica ou como se prevê que aconteça com as restantes. O coordernador da task force disse apenas que Portugal está a “trabalhar para garantir a segurança do transporte”. A apresentação em slides revela que se pressupõe a “georreferenciação das vacinas e viaturas” e a “rastreabilidade em toda a cadeia de abastecimento”, mas não foi feita qualquer referência adicional a estas medidas.

Mais, Francisco Ramos disse que as vacinas serão entregues em Portugal (leia-se Portugal continental) e, como tal, terão de ser as autoridades continentais a assegurar a entrega das vacinas às regiões autónomas, mas o coordenador da task force não indicou como isso será feito.

A única garantia é que as Forças Armadas, à semelhança do que vai acontecer noutros países, vão dar apoio na parte logística, mas o próprio vice-almirante Gouveia e Melo, adjunto para o Planeamento do Chefe de Estado-Maior, não tinha mais informações que pudesse disponibilizar.

Os pressupostos relacionados com o transporte das vacinas estavam na apresentação do plano, mas não chegaram a ser explicados

Em Espanha, o ministro da Saúde espanhol, Salvador Illa, disse, aquando da apresentação do plano de vacinação, que as empresas farmacêuticas e distribuidoras de vacinas estão preparadas para garantir os requisitos especiais de preservação a temperaturas muito baixas. E, de facto, a Pfizer já começou a transportar vacinas, em aviões da empresa norte-americana United Airlines, para alguns pontos estratégicos de distribuição nos Estados Unidos e na Europa, noticiou o The Wall Street Journal.

Em Portugal, a TAP também já tem dois aviões preparados para poder fazer o transporte de vacinas com temperaturas controladas e espera poder vir a servir tanto o governo português como o brasileiro.

Uma outra empresa portuguesa desenvolveu caixas que poderão ser usadas para transportar a vacina da Pfizer/BioNTech até aos centros de vacinação na Argentina e, espera a APP Thermal, que venham a ser usadas para o mesmo efeito em Portugal, noticiou o Público.

Locais de vacinação

É certo que os cerca de 10 milhões de habitantes que Portugal tem para vacinar não se comparam com os quase 47 milhões em Espanha, mas enquanto Portugal prevê ter 1.200 pontos de vacinação — mais os lares, unidades de cuidados continuados e centros de saúde ocupacional —, Espanha terá 13.000 pontos. O governo espanhol baseia-se na capacidade desenvolvida durante a campanha de vacinação contra a gripe que este ano chegou a 14 milhões de pessoas em oito semanas.

Portugal apoia-se apenas na experiência adquirida pelo Serviço Nacional de Saúde com a implementação do Plano Nacional de Vacinação. E, pelo menos na primeira fase, não vai requisitar o apoio das farmácias como fez durante a campanha de vacinação da gripe.

Em Portugal, será o Serviço Nacional de Saúde a garantir a vacinação numa primeira fase, com 1.200 pontos de vacinação

Tiago Petinga/LUSA

No Reino Unido, por sua vez, o serviço nacional de saúde (NHS) elogiou o trabalho das farmácias comunitárias na campanha de vacinação contra a gripe e diz contar com estas entidades e os respetivos farmacêuticos para colaborarem no plano de vacinação contra a Covid-19 — a vacinação nas próprias farmácias será reduzida, mas os farmacêuticos podem integrar as equipa de vacinação do NHS.

Em Portugal, as farmácias e os farmacêuticos, representados pelas associações e respetiva Ordem, também se mostraram disponíveis para fazer parte do Plano de Vacinação, mas as medidas apresentadas esta quinta-feira só parecem contar com os centros de saúde numa primeira fase — na segunda fase terá de haver expansão da rede de vacinação, mas os critérios ainda não estão definidos, disse Francisco Ramos.

Calendário de vacinação

O Reino Unido inicia a vacinação contra a Covid-19 na próxima semana, depois de ter aprovado a vacina da Pfizer esta quarta-feira. O governo britânico diz estar há meses a preparar a implementação desta campanha de vacinação: os centros de saúde específicos vão administrar, pelo menos, 975 doses por dia, em turnos de 12 horas (das 8 às 20 horas), sete dias por semana (onde se incluem fins de semana e feriados). Portugal, pelo contrário, não prevê o alargamento do período de funcionamento normal dos centros de saúde.

Reino Unido já aprovou vacina, EUA podem aprovar em breve. Porque é que na Europa ainda vai demorar um mês?

Na União Europeia, o que se prevê é que a vacina da Pfizer/BioNTech seja aprovada a 29 de dezembro e a da Moderna a 12 de janeiro e que as vacinas sejam distribuídas ao mesmo tempo por todos os Estados-membros. Assim, Francisco Ramos espera que a vacinação comece em janeiro e que a primeira fase, com 950 mil doses, esteja completa em março — contas feitas a 22 dias úteis em cada um dos três meses daria 15 mil vacinas por dia a nível nacional. Na segunda fase, entre março/abril e junho/julho, serão vacinadas 2,7 milhões de pessoas, mas o coordenador da task force não especificou quantas vacinas serão administradas por dia.

A Alemanha, por sua vez, diz que mesmo que conseguisse vacinar 100 mil pessoas por dia, levaria cinco meses a vacinar 15 milhões de pessoas — e isto só na primeira fase. No total, a Alemanha tem cerca de 84 milhões de habitantes, o que significa que a população só poderá estar totalmente vacinada em 2022.

Para conseguir vacinar a população em larga escala, a Alemanha montou pontos de vacinação estilo "check-in"

Andreas Rentz/Getty Images

Grupos prioritários

Os grupos prioritários foram definidos pelos países tendo em conta o risco de infeção e de desenvolvimento de doença, daí que, sem surpresa, nas primeiras fases estejam incluídos, de forma geral, residentes e trabalhadores dos lares e unidades de cuidados continuados, profissionais de saúde e do setor social, idosos e doentes crónicos.

Mas até esta distribuição mais ou menos consensual apresenta algumas nuances: Portugal incluiu na primeira fase “profissionais das Forças Armadas, forças de segurança e serviços críticos”, a par dos “profissionais de saúde diretamente envolvidos na prestação de cuidados a doentes”, mas sem especificar se do primeiro grupo são só os que têm contactos de risco ou todos os militares. A Alemanha, por sua vez, também coloca nos grupos prioritários bombeiros e paramédicos, professores e educadores.

Tirando os profissionais de saúde e funcionários de lares, o Reino Unido apostou sobretudo na definição dos grupos de risco por idades, primeiro acima dos 80 anos, depois dos 75, 65, 60, 55 e 50, só depois viriam os restantes, mas nunca as crianças. Portugal só prevê vacinar os maiores de 65 anos que não tenham comorbilidades associadas na segunda fase.

Espanha, por sua vez, definiu 18 grupos, mas só a primeira fase está definida com idosos a viver em lares ou fora deles, funcionários dos lares e profissionais de saúde. Nas restantes fases serão incluídos, por exemplo, crianças e adolescentes, grávidas e mães a amamentar, populações desfavorecidas e pessoas que testem positivo para o SARS-CoV-2.

Recomendamos

A página está a demorar muito tempo.