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Três investidores franceses, Romain Dian, Matthieu Begué e Roman Carel, vão relançar o hotel mais antigo da Costa da Caparica
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▲Três investidores franceses, Romain Dian, Matthieu Begué e Roman Carel, vão relançar o hotel mais antigo da Costa da Caparica

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

▲Três investidores franceses, Romain Dian, Matthieu Begué e Roman Carel, vão relançar o hotel mais antigo da Costa da Caparica

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O sol, a praia, a capital e uma falha de mercado. Franceses (a viver em Portugal) relançam hotel histórico da Costa da Caparica

Numa praia muito procurada, mas onde poucos ficam para o fim de semana, investidores franceses a viver em Portugal querem captar novos clientes ao renovado hotel mais antigo da Costa da Caparica.

Nos anos de 1940 e antes de existir a ponte 25 de Abril, a Costa da Caparica era a Costa do Sol, um destino de praia e saúde que podia ficar a uns meros 40 minutos de distância da capital, num trajeto que combinava o barco e a camioneta. Agora a viagem até pode demorar mais tempo, por causa dos acessos congestionados. Mas não faltam veraneantes vindos do norte para passar o dia ou apenas umas horas no areal. Só que poucos ficam para o fim de semana ou até para umas férias mais prolongadas. Uma tendência que os novos donos do hotel Praia do Sol apostam em contrariar.

Romain Dian, Matthieu Begué e Roman Carel são os três sócios principais da empresa Paparica Hotel, cujo primeiro negócio será o relançamento de um hotel histórico. Localizado na segunda linha da praia da vila da Costa Caparica (rua dos Pescadores), o hotel Praia do Sol foi fundado em 1934 e tem sido um marco na promoção deste destino que há um século é considerado privilegiado para a prática balnear e para tratamentos de saúde.

São os três franceses, mas fazem questão de sublinhar que estão a viver em Portugal há alguns anos, país onde se deu uma espécie de “reencontro” entre os três, uma vez já que existiam cruzamentos entre as respetivas famílias e negócios ligados ao turismo, restauração e à noite na região de Paris.

Dois dos investidores chegaram a Portugal vindos do Brasil, onde passaram alguns anos após viagens e um retiro para descansar depois de anos a gerir os negócios da noite em Paris. Seguindo até alguns brasileiros que decidiram vir para Portugal que estava a ficar na moda a partir de 2015. A economia do Brasil estava a perder força, a entrar em crise e a enfrentar problemas crescentes de segurança. “Fomos na onda”, sintetiza um dos promotores durante uma conversa com o Observador.

Romain Dian protagonizou projetos no setor da restauração e da noite em Paris onde foi proprietário de vários bares e restaurantes. Publicou em livro o relato da intensa experiência pessoal que o levou de Paris e do mundo da noite, onde foi empresário de sucesso muito jovem, até à Amazónia brasileira, à procura de si próprio.

Matthieu Begué tem estado envolvido no desenvolvimento de vários projetos na indústria hoteleira, com foco em hotéis boutique e hostels, tendo sido co-fundador da Maison Traversière em Paris. Para além de várias unidades hoteleiras, passou pela Boston Consulting Group.

Roman Carel é fundador da Harvest Series, plataforma de eventos e conferências vocacionada para líderes, e da consultora imobiliária Athena Avisers que atua nos setores residenciais e resorts de luxo em destinos exclusivos de Portugal a França, passando por Espanha, Turquia e Brasil. Mas neste projeto mais pessoal quer afastar-se do segmento de luxo e situar-se numa gama média.

O Costa do Sol nasce em 1934 por iniciativa de Manuel Agro Ferreira que procurava uma praia a sul para o filho que sofria de raquitismo. Antes da ponte (que abre em 1966) ia-se de barco a vapor entre o Terreiro do Paço e a Trafaria, com ligação por camioneta às praias da Costa da Caparica. Era um trajeto de 40 minutos, diz um anúncio de 1942 do hotel, citado pelo blog Restos de Colecção

Para Roman Carel, o hotel de duas estrelas na segunda linha da praia na vila da Costa da Caparica era uma “oportunidade para explorar uma falha de mercado”. Ao contrário da margem norte do Tejo, em particular na linha do Estoril, na Costa há poucos hotéis. E os que existem são direcionados para um segmento mais económico e pouco diferenciado. Já em Lisboa houve “uma explosão de hotéis de quatro e cinco estrelas”, mas não há muita oferta na gama média, o que aliás fez subir a oferta de alojamento local. Um fenómeno que também se verifica na Costa da Caparica.

Investimento de 10 milhões numa costa que não é vista pelos portugueses como destino de férias

Com a aquisição do Praia do Sol, o trio de investidores ambiciona proporcionar mais do que um hotel de praia virado para o verão, ainda que a praia seja um fator incontornável para uma unidade que está localizada na rua dos Pescadores, a poucos metros do areal. A Costa da Caparica “não é um mercado de luxo”, mas combina fatores —  praia e o sol e a proximidade a uma capital — que “são únicos na Europa” e com os quais contam para atrair os clientes estrangeiros, que já valorizam a proximidade de uma grande capital e uma praia de qualidade, mas também os nacionais.

Os investidores já ouviram falar no projeto para construir um túnel entre Algés e a Trafaria (ainda em estudo), mas os acessos difíceis à Costa não parecem preocupar os três empresários, apesar da proximidade a Lisboa ser uma das vantagens que querem capitalizar. A finalidade é atrair o ano inteiro os amantes de surf, nómadas digitais e famílias com uma oferta que vai para além do hotel e restaurante abertos ao público e envolve  um espaço bem-estar com sauna e duche escocês, com a preocupação de captar o ambiente local.

O  “nosso projeto é para quem quer ficar nesta margem e não para quem volta”. E há muita gente aqui, comentam, estranhando também a falta de investimento em oferta hoteleira numa faixa costeira tão apetecível que vai da Cova do Vapor, na Trafaria, à Fonte da Telha e que, por alguma razão, “não é visto pelos portugueses como um destino de férias ou mesmo para passar uns dias ou apenas um fim de semana”, refere Roman Carel.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Sendo o hotel e um restaurante mais do que “hardware”, procura-se associar os conceitos de hospitalidade e de bem estar e, ao mesmo tempo, cultivar uma estreita interação com a comunidade e cultura locais — trabalhando com empresas e fornecedores da região — e uma ligação próxima ao surf. Tudo isto sem comprometer os preços “acessíveis” — 100 euros por quarto no inverno e 200 euros no verão.

O plano passa por manter o Praia do Sol by Caparica (a nova marca) numa gama média, mas com um upgrade de uma estrela. Pretende-se apostar em outros serviços complementares (espaços de bem estar, passeios na natureza e organização de eventos) e na adoção de design e materiais que distingam e espaço de ofertas mais básicas. A reabertura está prevista para abril do próximo ano.

O Praia do Sol nem estava à venda. Estava fechado desde a pandemia para obras com um projeto de renovação em curso. O proprietário, uma empresa familiar que dirigia a unidade hoteleira há anos, foi abordado e aceitou vender. O negócio foi intermediado pela consultora financeira Athena Advisers fundada por Roman Carel, que é também entre o trio um dos principais acionistas da Paparica.

O Costa do Sol é o primeiro negócio da Paparica, a empresa criada pelos três investidores, e representa um investimento, entre compra e conclusão das obras de remodelação, de cerca de 10 milhões de euros. Para além dos três sócios principais franceses, há mais investidores a financiar o projeto e um financiamento bancário.

Há vontade de expandir o conceito para outras unidades hoteleiras que juntem algumas das características deste projeto inicial. A proximidade do mar e a Lisboa são critérios, mas não excluem oportunidades em outras áreas. E mantendo a abordagem de não construir hotéis de raiz, mas adquirir e renovar hotéis históricos nas suas localizações e detidos por empresas familiares locais.

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