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Cinco de setembro de dois mil e vinte cinco. Para muitos, foi mais uma tarde solarenga do mês de setembro. Para outros, trata-se de um dia que vai perdurar para sempre na história do ciclismo português e que ficará imortalizado no Alto de L’Angliru. Foi no inferno da Astúrias juntou o seu nome ao Hall of Fame do ciclismo de estrada e chegou à maior vitória da sua carreira numa das subidas mais míticas e estonteantes da modalidade. Foi ali que Almeida fechou com chave de ouro a melhor temporada da sua carreira e mostrou que, mesmo sem o fiel apoio dos seus companheiros de equipa, é uma aposta válida a lutar pela vitória numa Grande Volta. Foi ali que o português fez o que poucos fizeram: levar Jonas Vingegaard ao limite e batê-lo no mano a mano. E levou à letra o novo lema da competição – “celebra cada segundo”.
Quis o destino que o 13 fosse o número da sorte para o número 1 desta Vuelta – no papel. Desde cedo que se perspetivava que a 13.ª etapa fosse uma das mais especiais da prova, a começar pelo regresso ao Angliru dois anos depois do triunfo de Primoz Roglic. Para além disso, com o dinamarquês da Visma-Lease a Bike a mostrar força na primeira fase da Volta a Espanha, a afición espanhola esperava ver um dia histórico, já que nenhum camisola vermelha conseguiu triunfar no topo do inferno das Astúrias. A profecia continua e tem um nome: João Almeida. Nas horas que antecederam a etapa, a Emirates tinha, finalmente, garantido que, dali em diante, ia trabalhar em prol do seu líder. Em parte, a afirmação do diretor desportivo Matxin foi cumprida. Por outro lado, a dose de loucura e de expectativa levou muitos portugueses a cruzarem a fronteira em dia de trabalho e a pintarem de verde e vermelho o Angliru. Com a equipa, que fez uma etapa irrepreensível, e o seu público, Almeida assumiu as despesas da corrida nos últimos seis quilómetros, colocou sempre o seu ritmo e, apesar de não ter conseguido deixar Vingegaard para trás, entrou no último quilómetro na frente e garantiu a vitória.
Os números são históricos e não foi preciso esperar por este domingo, e pela consagração possível em Madrid entre mais uma etapa que foi neutralizada a 60 quilómetros do final pelas manifestações pró-Palestina, para se ver João Almeida ao lado dos maiores da história. Com a vitória no Angliru, o Bota Lume conquistou uma das vitórias mais emblemáticas da história do ciclismo português, colocando-se genericamente ao lado de Joaquim Agostinho que, em 1979, venceu no celebre Alpe d’Huez. Foi nessa edição que o malograda ciclista subiu ao pódio do Tour pela segunda vez consecutiva, ocupando, novamente, a terceira posição. Cinco anos antes, Tino fora segundo na prova espanhola, a apenas 11 segundos de José Manuel Fuente, naquele que era, até este domingo, o último pódio português na Vuelta. Portugal tem agora 13 vitórias na Volta a Espanha, com Almeida a suceder a Rui Costa, que ganhou em 2023, e a colocar o seu nome ao lado do de Nelson Oliveira (2015), Sérgio Paulinho (2006), Joaquim Agostinho (três vitórias em 1976 e 1974), Alves Barbosa (1961), José Cardoso (1959), João Lourenço (1946) e João Rebelo (duas vitórias em 1945).
A Vuelta da Emirates, de João Almeida e da “abelha” Vingegaard
Depois de ter voltado a abdicar de participar na Volta a Itália, que terminou da pior forma para a Emirates, que perdeu a camisola rosa, de Isaac del Toro, na penúltima etapa (embora fosse Juan Ayuso o líder apontado no início da corrida), João Almeida anunciou no início da temporada a pretensão de estar presente na Volta a França, ao lado de Tadej Pogacar, e de voltar a fazer a Volta a Espanha. Contudo, nessa altura, não se sabia se o português ia ter o estatuto de líder, que estava dependente dos objetivos do esloveno para a segunda metade do ano. O cenário inverteu-se drasticamente depois do Tour, que terminou com Pogacar a chegar à sua quarta vitória e Almeida de fora à nona etapa, depois de ter caído no Mûr-de-Bretagne. Com o português lesionado e o esloveno a anunciar que se queria focar nos Campeonatos do Mundo do Ruanda, a Emirates voltou atrás na sua estratégia e convocou Juan Ayuso que, depois de ter abandonado o Giro devido à picada de uma abelha no olho, se estava a focar nas clássicas espanholas.
Ao espanhol juntou-se Almeida, que recuperou da melhor forma da queda do Tour, apesar de ter perdido grande parte da preparação para a Vuelta. Ao português e ao espanhol juntaram-se Marc Soler, Jay Vine, Ivo Oliveira, Felix Grossschartner, Mikkel Bjerg e Domen Novak, que compuseram um fortíssimo bloco da Emirates. Problema? Como em tantas outras provas em que Tadej Pogacar não está presente, a liderança ia ser bipartida, entre João e Ayuso. Como em tantos outros casos, a estrada tratou de resolver aquilo que a formação do Médio Oriente parecia querer complicar, já que a liderança de Ayuso não passou da etapa de Andorra, com o espanhol a perder 12 minutos ao sexto dia. A partir daí, o dorsal 2 entrou numa espiral de procurar a vitória em etapas e de não trabalhar em função do seu líder e, num episódio pouco visto, foi despedido pela sua equipa durante a Vuelta, apesar de ter contrato 2028. Por outro lado, a liberdade dada a Soler e a Vine, que também triunfaram e, no caso do australiano, conquistou a camisola da montanha, foi bastante questionada pela falta de apoio a Almeida nas principais etapas da corrida.
Com partida em Itália, a Vuelta começou a todo o gás e, logo ao segundo dia de competição, os corredores da geral foram colocados à prova, com Vingegaard a vencer a primeira batalha em Limone Piemonte, onde aproveitou para ganhar 12 segundos a Almeida, que foi apanhado num corte e perdeu dois segundos na estrada. No dia seguinte, em Ceres, o dinamarquês foi terceiro e ganhou mais quatro segundos ao português. Já em Espanha, a quinta etapa trouxe à tona o contrarrelógio por equipas e o início da tentativa de reviravolta da Emirates, que conseguiu o melhor tempo e recuperou oito segundos. Seguiu-se Andorra e a definitiva definição da liderança da equipa, que venceu por Jay Vine e viu o Bota Lume atacar pela primeira vez Vingegaard, sem sucesso. Juan Ayuso redimiu-se no dia seguinte, ao conquistar a vitória em Cerler, em mais uma grande demonstração de Almeida que, sem o apoio dos companheiros, voltou a atacar o bloco da Visma, embora não tenha conseguido ganhar tempo.
Depois de os sprinters terem dominado a etapa de Saragoça, a primeira semana chegou ao fim com mais uma chegada em alto, à Estação de Esqui de Valdezcaray. E foi aí que se escreveu parte da vitória da Visma nesta Vuelta. Numa altura em que João Almeida estava descaído no grupo e acabou por ser surpreendido, a equipa neerlandesa desferiu um forte ataque em bloco, com Matteo Jorgenson a rebocar Jonas Vingegaard em direção à sua segunda vitória. Vine e Soler ainda ajudaram o português, que esteve perto de recolar no dinamarquês, mas acabou o dia a perder 30 segundos, 24 na estrada e quatro nas bonificações, já que foi superado por Thomas Pidcock (Q36.5) em cima da meta. Feitas as contas, o primeiro dia de descanso surgiu com o surpreendente Torstein Traeen (Bahrain) na liderança e com Vingegaard e Almeida separados por 38 segundos, sendo que Pidcock surgia logo a seguir, a 20 segundos do pódio.
▲ João Almeida bateu Jonas Vingegaard no Angliru
AFP via Getty Images
A segunda semana arrancou com o anúncio do despedimento de Ayuso e prosseguiu com mais uma vitória da Emirates, através de Jay Vine, num dia em que o espanhol trabalhou em prol do seu líder, que voltou a atacar, mas voltou a não conseguir ganhar tempo. Na 11.ª etapa, a organização decidiu recriar uma espécie de clássica ao redor de Bilbau, num dia que acabou por não chegar ao fim por conta das manifestações. Ainda assim, os favoritos testaram-se no Alto de Pike, com Vingegaard e Pidcock a ganharem dez segundos ao português, que não respondeu às investidas dos rivais e viu a distância para o primeiro lugar aumentar para os 50 segundos. No dia seguinte, em Los Corrales de Buelna, os favoritos ficaram na expectativa, com Ayuso a bisar, numa etapa em que contou com o contributo de Soler na fuga. E foi assim que se chegou à etapa rainha, no mítico Angliru, onde a Emirates trabalhou em prol de Almeida e o português não fez por menos, batendo Vingegaard ao sprint depois de ter feito metade da subida na frente.
Com a Vuelta em aberto e os dois primeiros separados por 48 segundos, o dinamarquês voltou a ganhar tempo no dia a seguir, nas bonificações, nos Lagos de Somiedo, num dia em que Soler entregou à Emirates a sua sétima vitória na prova e Almeida não teve ponta final para o rival. A fechar a segunda semana, os sprinters voltaram a aproveitar a sua oportunidade. A fase final da Volta a Espanha abriu com mais um protesto a ter impacto direto na corrida, acabando por neutralizar os últimos oito quilómetros da 16.ª etapa e a subida de Castro de Herville, o que acabou por manter as distâncias na geral. No dia seguinte, o Alto de El Morredero revelou-se um duro obstáculo para os ciclistas, por conta das fortes rajadas de vento. Os favoritos marcaram-se até ao fim e Giulio Pellizzari (Red Bull-Bora) acabou por vencer, com Vingegaard a ganhar dois segundos a Almeida por conta da sua explosão na parte final.
No contrarrelógio de Valladolid, que passou de 27 quilómetros para apenas 12, por conta dos protestos, João Almeida voltou a mostrar a sua polivalência e foi terceiro atrás dos especialistas Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) e Jay Vine, recuperando dez segundos face a Jonas Vingegaard, que perdeu quase um segundo por quilómetro. Destaque ainda para o quinto lugar de Ivo Oliveira (Emirates), que ficou a sete segundos do italiano. Há dez anos que Portugal não colocava dois ciclistas nos cinco melhores de uma etapa de uma Grande Volta, desde que Nelson Oliveira (segundo) e Tiago Machado (quinto) se destacaram na 19.ª etapa da Vuelta de 2015. Depois de mais um dia de transição, em que Vingegaard aproveitou a desatenção da Emirates para bonificar quatro segundos no sprint intermédio, a Bola del Mundo, nos arredores de Madrid, arrumou com as contas desta edição da Vuelta no penúltimo dia de competição. Na consagrada subida, o bloco árabe trabalhou em prol de Almeida, que voltou a dar a cara à luta, mas quebrou nas rampas acima dos 17% de inclinação e fechou a Vuelta a 1.16 minutos do extraterrestre.
Para a história fica o triunfo inédito de Jonas Vingegaard em Espanha e a terceira grande volta da sua carreira. O dinamarquês está agora a uma Volta a Itália de completar a tríplice coroa do ciclismo de estrada. Não menos importante é o pódio de João Almeida, o segundo em grandes voltas, depois de ter sido terceiro no Giro de 2023. O português fez assim as pazes com o destino e completou uma prova de três semanas mais de um ano depois de ter sido quarto no Tour, e de ter abandonado a Vuelta de 2024, por doença, e a edição deste ano da corrida francesa, devido a queda. Por outro lado, com a vitória no Angliru, Almeida está a um triunfo no Tour de se juntar ao lote de ciclistas que venceram etapas nas três Grandes Voltas, depois de ser o único português a terminar todas as três grandes no top 5 e de ser o único a chegar ao pódio do Giro. O ano do Pantera tem sido de sonho e o Bota Lume tem mostrado que tem todas as valências para carregar a responsabilidade de ser o sucessor de Joaquim Agostinho. Falta a tão esperada vitória.
Uma época para recordar e um futuro que promete ser ainda mais risonho
2025 é um ano que vai ficar para a história da carreira de João Almeida. Até ao momento é, forma indiscutível, a sua melhor temporada, com dez vitórias, todas elas no World Tour. A primeira metade mostrou um João Almeida nunca antes visto, capaz de descarregar Jonas Vingegaard no Alto da Foia e em La Loge des Gardes. Curiosamente, o português não venceu nenhuma dessas provas, tendo sido segundo no Algarve, atrás do dinamarquês, e sexto no Paris-Nice. A partir daí, tudo mudou em termos de resultado e Almeida replicou uma das temporadas de maior sucesso da história, no que respeita às corridas de uma semana, vencendo a geral da Volta ao País Basco, da Volta à Romandia e da Volta à Suíça. Apontado como candidato ao top 3 e como o principal gregário da Volta a França, a segunda participação na corrida francesa não correu bem, embora Tadej Pogacar tenha voltado a vencer.
O Bota Lume nem sequer era para estar na Volta a Espanha, por conta da falta de preparação, mas desde cedo foi considerado um dos grandes adversários de Vingegaard na luta pela vitória. Por diversas vezes, João Almeida foi apontado como um candidato à vitória de etapa no famoso Predictor do canal Eurosport, que contempla especialistas como Alberto Contador, Hannah Walker ou Jens Voigt. De uma ou de outra forma, é um dado adquirido que o português não se desiludiu e ajudou a fazer desta uma das melhores edições da Volta a Espanha dos últimos anos, levando a discussão até ao penúltimo dia. A partir daqui, João Almeida vai entrar num período de férias, para recuperar do desgaste das últimas três semanas e, dentro de duas semanas, deverá ser o líder de Portugal nos Campeonatos do Mundo do Ruanda, que contam com seis mil metros de desnível acumulado.
Com 27 anos cumpridos no início de agosto, o futuro promete ser ainda mais risonho, já que João Almeida ainda não entrou na faixa que corresponde ao chamado pico de forma da carreira. Com contrato com a Emirates até 2028, o seu principal objetivo será, certamente, vencer uma grande volta. A missão em França deverá ser a mais complicada, tendo em conta que Tadej Pogacar é o líder soberano da equipa. A Vuelta e o Giro estão mais ao seu alcance, sendo que a corrida italiana se adequa mais às características do português, que não esconde o desejo de voltar a participar na Volta a Itália. Por outro lado, caso volte a terminar no top 3 de uma grande volta, Almeida vai igualar os três pódios de Joaquim Agostinho (dois no Tour e um na Vuelta) e numa idade bem mais precoce, já que o ciclista da Silveira chegou ao terceiro lugar no Tour de 1979 com 36 anos. Por outro lado, chegar às sete vitórias de Agostinho em Grandes Voltas é um marco a ter em conta.
▲ Português exibiu-se a grande nível no regresso à principal prova espanhola
Tim De Waele
Das manifestações aos feitos de Pidcock e da Caja Rural: os destaques e as desilusões
Incontornavelmente, as manifestações pró-Palestina, contra a presença da Israel-Premier Tech, foram um dos momentos mais marcantes desta 80.ª edição da Volta a Espanha, acabando por ter impacto direto no desenrolar da corrida. Um dos dados negativos foi a invasão de estrada de um manifestante, que obrigou a polícia a intervenção e culminou na queda de Javier Romo (Movistar), que abandonou a prova devido às lesões. Por outro lado, Tom Pidcock e Jonas Vingegaard ficaram privados de lutar pela vitória em Bilbau, ao passo que a anulação do final de Castro de Herville privou o espectáculo. Noutra perspetiva, o bloqueio da fuga na etapa do Angliru e a redução do contrarrelógio final são outros dos momentos negativos desta Vuelta, que também teve impacto na equipa israelita, que foi forçada a retirar o nome do seu país dos equipamentos e dos seus carros, e que viu o diretor desportivo Óscar Guerrero abandonar a prova a três etapas do fim, por questões de segurança. Tudo isto depois de a Unipublic, organizadora da prova, ter abdicado de convidar a Kern Pharma, equipa espanhola do segundo escalão que venceu três etapas em 2024.
Para além disso, esta é a primeira edição de sempre a terminar sem um ciclista espanhol no top 10, sendo que, até aqui, apenas por uma vez Espanha tinha ficado fora dos cinco primeiros: em 1996, quando Fernando Escartín foi o melhor espanhol, em décimo. Neste ano, Abel Balderstone (Caja Rural) termina como o melhor corredor do país organizador, no 13.º lugar da geral, a cerca de 16 minutos de entrar no top 10, que foi fechado por Jorgeson. Fora do lote dos dez mais estão ainda a Lidl-Trek e a Ineos, equipas que, apesar de terem conquistado outros objetivos, desiludiram na geral, com Giulio Ciccone e Egan Bernal à cabeça. O resultado é ainda mais gritante para a formação inglesa se tivermos em conta que, este ano, apenas Bernal conseguiu entrar no top 10 de uma Grande Volta, ao ser sétimo no Giro.
???? Top 10 GC after stage 2⃣0⃣ | etapa 2⃣0⃣ ????????????????????????????????????????????
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— La Vuelta (@lavuelta) September 13, 2025
Na mesma onda está a Movistar, que decidiu abdicar de lutar pela geral com Enric Mas, e entrou na Vuelta à procura de vencer etapas. O tiro saiu ao lado e a equipa da casa sai sem qualquer triunfo e fora do top 30. Em relação às formações espanholas, a Caja Rural acabou por ser a melhor, destacando-se com dois ciclistas nos 15 primeiros – Balderstone (13.º) e Jaume Guardeño (14.º) – e o surpreendente quarto lugar na geral por equipas. Em termos individuais, outro dos destaques foi Tom Pidcock que, depois de ter saído da Ineos a contas com a crítica, mostrou que o passo atrás na carreira não foi dado em vão e que o seu futuro vai passar pelas grandes voltas.
Ao serviço da Q36.5, do Pro Tour, o inglês foi um dos melhores trepadores da competição, ganhou tempo aos rivais na luta pelo pódio no contrarrelógio individual e provou que é um voltista, mesmo que parte da sua época passe mountain bike. Na mesma toada está Giulio Pellizzari que, aos 21 anos, somou a primeira vitória numa Grande Volta, terminou no sexto lugar e só não foi o melhor jovem porque quebrou na Bola del Mundo. Numa equipa que contará com Remco Evenepoel a partir de janeiro, o janeiro perfila-se como um dos líderes para a Volta a Itália. A camisola branca ficou para Matthew Riccitello (Israel), quinto na geral.
A história de Torstein Traeen (Bahrain) é, provavelmente, a mais emocionante desta Volta a Espanha. O norueguês soube que tinha um cancro nos testículos através de um controlo antidoping, realizado há três anos. Passou com sucesso a batalha contra a doença e, aos 30 anos, foi líder da Vuelta durante duas etapas. A partir daí continuou em destaque, mantendo-se no top 10 e subindo com os melhores na alta montanha. No final, chegou a Madrid como o nono classificado e perfilou-se como o melhor Bahrain, depois de Santiago Buitrago ter desiludido. Quem também se destacou nesta competição foi Jasper Philipsen (Alpecin-Deceuninck), vencedor de três etapas. Ainda assim, o belga acabou por não vencer a camisola dos pontos, que ficou para o versátil Mads Pedersen (Lidl), que começou a época a vencer a mesma classificação na Volta a Itália. A montanha caiu para Jay Vine, ao passo que a Emirates foi a melhor equipa.