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O Tiktoker mais popular do mundo, uma "lenda do ténis" e o criador da Web. Os oradores mais aguardados da Web Summit

A Web Summit regressa a Lisboa para quatro dias de conversas sobre tecnologia, e não só. Entre os oradores mais esperados há líderes de tecnológicas mas também desportistas e influenciadores.

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E vão dez. São já duas mãos cheias de edições de Web Summit em Lisboa (ainda que a de 2020, ano da pandemia, tenha sido apenas online), pelo que é seguro afirmar que pelos palcos do Parque das Nações já passaram milhares de oradores. Aos quais se juntam, em 2025, mais algumas centenas (mais de 900, segundo números da organização).

Os cabeças de cartaz são, aliás, uma das razões pelas quais a cimeira de tecnologia e empreendedorismo atrai todos os anos quase 70 mil pessoas a Lisboa. No elenco deste ano há alguns nomes que já são “da casa”, tal é a quantidade de presenças na Web Summit, como é o caso de Brad Smith, presidente da Microsoft, ou Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web, que vai encerrar o evento. Mas também há estreias, como a antiga tenista Maria Sharapova ou o influenciador Khaby Lame. O Observador percorreu a lista de centenas de nomes que vão passar pelos palcos da cimeira tecnológica e deixa aqui uma seleção.

Os CEO

Os presidentes executivos de startups ou de grandes empresas tecnológicas são presença obrigatória na Web Summit. A edição de 2025 abre com Anton Osika, o CEO e co-fundador da Lovable, uma plataforma de inteligência artificial (IA) que cria sites e aplicações, bastando para tal dar-lhe instruções em linguagem natural, sem a necessidade de usar código. Foi criada em 2023 e só precisou de oito meses para atingir o estatuto de unicórnio, ou seja, foi avaliada em mil milhões de dólares. Anton Osika vai falar na cerimónia de abertura do evento, na segunda-feira, dia 10 de novembro, sobre como a Lovable quer tornar 99% da população do planeta em “programadores”.

No clube dos CEO entra também Cristóbal Valenzuela, presidente executivo da Runway, uma empresa de IA generativa que já foi descrita como a nova “arma secreta de Hollywood”, e que é usada na produção de vídeos e filmes. Foi considerado este ano pela revista Time uma das mais influentes “estrelas em ascensão” do mundo e vai falar no segundo dia da Web Summit, no palco principal.

Cristiano Amon, CEO e presidente Qualcomm, Web Summit Lisboa 2024 GettyImages-2242009196

▲ Cristiano Amon, CEO da empresa de chips Qualcomm, e Keily Blair, CEO do Only Fans

Sportsfile

Quem repete a presença em Lisboa é Cristiano Amon, CEO da empresa de chips Qualcomm, que também será uma das estrelas do palco central no segundo dia. Os participantes da Web Summit vão ainda poder assistir a palestras da CEO da plataforma OnlyFans, Kelly Blair e do CEO da empresa de robótica Boston Dynamics, Robert Playter.

Os executivos

Nem só de CEO se fazem as palestras da Web Summit. Há grandes empresas representadas por líderes executivos, como é o caso da Meta. A dona do Facebook marcará presença na Web Summit pela voz de Alex Schultz, diretor de marketing (CMO) e vice-presidente do setor de análise, que além de uma sessão no palco principal terá ainda uma sessão de autógrafos a propósito do seu recente livro “Clique para saber mais”.

Já a Apple vai estar presente na figura do líder global da Apple Music, Ole Obermann. O responsável vai ao palco central do evento para uma sessão sobre a indústria musical com o DJ Armin van Buuren, naquela que será uma das últimas talks da Web Summit.

A Nvidia, recém avaliada em cinco biliões de dólares, terá na cimeira Rev Lebaredian, vice-presidente para a área de omniverso e tecnologia de simulação. E a rede social Bluesky, rival do X (antigo Twitter) traz a Lisboa a diretora de operações (COO) Rose Wang.

Os governantes

Quando aterrou em Lisboa, em 2016, e nos anos subsequentes, a Web Summit era um evento onde a política tinha assumidamente lugar. Foi-o, através dos temas e oradores escolhidos, com a primeira eleição de Donald Trump, com o Brexit ou com a invasão russa da Ucrânia. Tudo mudou em 2023, por causa de um tweet. Paddy Cosgrave, o líder da cimeira, publicou nas redes uma opinião sobre o conflito entre Israel e o Hamas que levaria à sua demissão e a uma debandada de empresas nesse ano. A partir de então, a mensagem “a Web Summit não é um evento político” parece ter-se tornado mantra. Na lista de oradores não constam personalidades de Israel. Ainda assim, há sempre espaço para participantes ligados à política.

O Governo português, desde logo, volta a marcar presença em peso. Há cinco ministros e três secretários de Estado com agenda na Web Summit: o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, abre a cimeira esta segunda-feira (e regressa na terça-feira). Manuel Castro Almeida, ministro da Economia, encerra o evento na quinta-feira. Pelo meio haverá sessões apresentadas por Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, Fernando Alexandre, ministro da Economia, e António Leitão Amaro, ministro da Presidência. E pelos secretários de Estado para a Simplificação, Paulo Magro da Cruz, da Economia, João Rui Ferreira, e da Digitalização, Bernardo Correia.

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▲ É esperada a presença da comissária europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen.

AFP via Getty Images

Presença assídua é também a de Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, que estará, pelo menos, na abertura.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que encerrou várias edições da Web Summit, voltará a estar ausente este ano, naquela que seria a sua última oportunidade para participar enquanto chefe de Estado. Marcelo estará, nas mesmas datas, em Angola por ocasião dos 50 anos da independência do país. A presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, também não está, para já, prevista. João Cotrim de Figueiredo, candidato presidencial, estará na qualidade de eurodeputado.

Entre as presenças internacionais confirmadas está a da comissária europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen. E também a de Sviatlana Tsikhanouskaya, líder da oposição da Bielorrússia.

Os “desportistas”

É uma categoria que, com os anos, ganhou visibilidade e até um palco próprio. A presenta de desportistas na Web Summit é quase tão comum como a de fundadores de startups. Na edição deste ano há uma estreia em Lisboa, que não surge na lista como ex-tenista mas como “lenda do ténis”. Maria Sharapova é uma das estrelas da noite de abertura da cimeira, com uma sessão dedicada às mudanças (para melhor) que a IA está a proporcionar no desporto. O ténis contará ainda com a representação do escocês Jamie Murray (irmão de Andy Murray).

Os fãs de Fórmula 1 também têm motivos para acorrer ao evento. Toto Wolff, diretor executivo da equipa de F1 da Mercedes, repete a presença em Lisboa, desta vez para falar sobre o valor de uma marca. Também Laurent Mekies, diretor-executivo e chefe da equipa da Red Bull Racing, participa no segundo dia do evento, no palco principal, numa sessão sobre como a confiança é uma vantagem competitiva das marcas.

O futebol vai estar representado pelo antigo guarda redes holandês Tim Krull e pelo antigo internacional britânico Sol Campbell.

▲ A antiga tenista Maria Sharapova e o líder da F1 da Mercedes Toto Wolff participam na Web Summit

AFP/Getty Images

As celebridades

Não são especialistas em tecnologia (embora alguns tenham participações em startups), mas a Web Summit guarda sempre espaço para a presença de músicos, atores e outras celebridades. Na edição deste ano, um dos nomes sonantes é o de Jameela Jamil, que além de atriz vem catalogada como “ativista e apresentadora de podcast”. A estrela da série The Good Place sobe ao palco principal no dia 12 para falar sobre o futuro dos podcasts, e dará uma conferência de imprensa.

Um repetente no palco da Meo Arena é o ator Joseph Gordon-Levitt, que no último dia da Web Summit vai explicar como é que a IA pode servir para “empoderar e não explorar a criatividade”.

Da lista de celebridades fazem ainda parte o ator Scott Eastwood, filho de Clint Eastwood, que entrou em filmes como Fury e Esquadrão Suicida, e vem falar sobre como a IA está a entrar em Hollywood, e com o DJ holandês Armin van Buuren.

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▲ A atriz Jameela Jamil sobe ao palco principal no dia 12 para falar sobre o futuro dos podcasts.

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Também há personalidades conhecidas de nacionalidade portuguesa. Na Web Summit vai ser possível ouvir os atores Ricardo Pereira, Cláudia Vieira e Lourenço Ortigão e ainda a apresentadora Cristina Ferreira, já presença assídua na cimeira.

Os influencers

Têm a sua própria categoria graças à importância que foram conquistando ao longo dos anos nos cartazes da Web Summit. Um deles, o ítalo-senegalês Khaby Lame, foi anunciado à última hora e fará a despedida da cerimónia de abertura. Trata-se do criador de conteúdos com mais seguidores no TikTok (162 milhões), a que se somam mais 79 milhões no Instagram. Na Web Summit vai falar sobre o “novo negócio da criatividade”.

Outro popular influencer e criador de conteúdos é Jordan Howlett, conhecido nas redes sociais como Jordan The Stallion, que na passagem pelos pavilhões da FIL terá uma sessão dedicada à “próxima era do entretenimento” e outra sobre como os criadores são “o novo comércio”.

Na lista de oradores, mas ainda sem uma sessão temática atribuída, surge Max Klymenko, conhecido nas redes sociais pela rubrica “career ladder“, na qual o criador convida pessoas a subir a um escadote e faz-lhes perguntas durante dois minutos com o intuito de adivinhar as suas profissões. Tem mais oito milhões de seguidores no Tik Tok e mais 1,5 milhões no Instagram.

Na categoria de influencer consta ainda a norte-americana Lindsay Brewer, modelo e piloto de carros de corrida.

A seleção nacional

Em dez edições, passaram pela Web Summit centenas de oradores portugueses. Mas há figuras que poderiam constar no quadro de honra de Paddy Cosgrave por terem participado em praticamente todas as cimeiras organizadas em Lisboa. Daniela Braga, Cristina Fonseca e Vasco Pedro são os mais notáveis resistentes, e têm presença assegurada em 2025.

Daniela Braga, fundadora e CEO da Defined AI, e Vasco Pedro, co-fundador da Unbabel, vão até dar uma conferência de imprensa conjunta sobre o futuro da IA, no dia 12. De resto, a empreendedora participa num painel sobre como os dados são o “novo combustível”. Já o fundador da Unbabel (a empresa de tradução que em agosto foi vendida à norte-americana TransPerfect ), que anunciou recentemente ter criado outra startup de IA, a Stealth AI, vai falar sobre os “trabalhadores do futuro”, a IA. Para Cristina Fonseca, sócia da Indico Capital, está reservada a final do Pitch, que premeia todos os anos uma startup, e uma sessão sobre o papel do capital de risco na inovação na Europa.

No cartaz com bandeira nacional surge ainda Ana Figueiredo, CEO da MEO, e Gonçalo Regalado, CEO do Banco Português de Fomento. Na seleção deste ano consta ainda Luísa Proença, diretora nacional adjunta da Polícia Judiciária, que vai participar num painel sobre o “sistema imunitário digital” da Europa.

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