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epa11886490 A person walks past the logo of the Artificial Intelligence (AI) Action Summit at the Grand Palais in Paris, France, 10 February 2025. The summit takes place from 10 to 11 February.  EPA/MOHAMMED BADRA
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▲As profissões associadas a maior rotina ou repetição poderão ser automatizadas

MOHAMMED BADRA/EPA

▲As profissões associadas a maior rotina ou repetição poderão ser automatizadas

MOHAMMED BADRA/EPA

"Precisamos de menos cabeças." A IA já está a mexer com os empregos no setor tecnológico

Salesforce, Microsoft e Crowdstrike: todas já anunciaram cortes no número de funcionários devido à influência da IA, justificando-os com ganhos “de eficiência”. Mas há quem esteja a voltar atrás.

Primeiro contrataram em excesso durante a pandemia, gerando, depois, uma vaga sem precedentes de despedimentos no mercado tecnológico que começou no fim de 2022. Três anos depois, voltam os cortes de postos de trabalho nas tecnológicas, agora com a justificação de ajustes nas equipas devido à IA (inteligência artificial).

“Preciso de menos cabeças”, resumiu Marc Benioff, CEO da tecnológica norte-americana Salesforce, que desenvolve software de gestão. Em entrevista ao podcast The Logan Bartlett Show, publicado no fim de agosto, o executivo apresentou números redondos de redução devido ao impacto da IA. “Consegui reequilibrar a contagem total na área de apoio ao cliente”, explicou. “Foi uma redução de nove mil para cinco mil pessoas, simplesmente porque preciso de menos cabeças.”

“Se estivéssemos a ter esta conversa há um ano e ligassem para a Salesforce, haveria 9 mil pessoas capazes de interagir globalmente sobre o serviço cloud e estariam a gerir, criar, ler, atualizar e a apagar dados.” Atualmente, essas interações são feitas de forma diferente, explicou Benioff: “50% com agentes [de IA], 50% com humanos”.

Não são só as funções de apoio ao cliente que estão a ser automatizadas na Salesforce. Na conferência telefónica com analistas após a apresentação de resultados trimestrais, Marc Benioff detalhou que o recurso à IA também estava a transformar a área de vendas. “(….) Das pessoas que contactaram a Salesforce nos últimos 26 anos, entre 20 e 100 milhões não receberam uma chamada de volta — simplesmente porque não tínhamos pessoas suficientes. Agora, com os nossos agentes de vendas toda a gente está a receber uma chamada. É uma mudança enorme”, disse o CEO.

Foi uma mudança de tom grande tendo em conta as declarações feitas há alguns meses. À Fortune, Benioff dizia em julho que não esperava que a IA levasse a um desemprego em massa e desvalorizava as “narrativas assustadoras” de alguns executivos. “(…) Falo com os CEO e pergunto que IA estão a usar para estes grandes despedimentos? Acho que a IA melhora as pessoas, mas não acho que as irá necessariamente substituir”, declarava. Porém, na altura, Benioff já assumia que estava “constantemente a mudar as pessoas de sítio e a mudar a empresa”.

A Salesforce está longe de ser a única a anunciar cortes. A Microsoft, que só este ano deverá investir 80 mil milhões de dólares em IA, confirmou que vai eliminar 9 mil postos de trabalho, o equivalente a 4% dos seus 228 mil funcionários. “Continuamos a implementar as mudanças necessárias para melhor posicionar a empresa para o sucesso num mercado dinâmico”, declarou um porta-voz da empresa. Antes disso, em janeiro, já tinha confirmado que iria dispensar 6 mil funcionários. Em simultâneo ao anúncio dos cortes, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, revelou em abril que a IA já responde por “até 30% do código” da Microsoft.

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A Crowdstrike, que ganhou mediatismo pelo incidente que deixou inutilizáveis milhões de PC no verão de 2024, também está a arrumar a casa por causa da IA. Em maio deste ano, a tecnológica especializada em cibersegurança anunciou que iria eliminar 5% de postos de trabalho, o equivalente a 500 empregos. “Estamos a realinhar parte do nosso negócio para continuar a escalar com foco e disciplina”, afirmou o CEO George Kurtz numa comunicação ao mercado. “Operamos num mercado e num ponto de inflexão da tecnologia, com a IA a alterar todas as indústrias, a acelerar as ameaças e a fazer evoluir as necessidades dos clientes”, explicou. “Os investimentos em IA estão a acelerar a execução e a eficiência da empresa”.

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“A IA sempre foi fundamental para a forma como operamos. Reduz a nossa curva de contratação e ajuda-nos a ir da ideia ao produto mais depressa”, justificou Kurtz. “Agiliza a passagem ao mercado, melhora os resultados dos clientes e impulsiona eficiências tanto na área de front como backoffice [área de contacto direto e visível para o cliente e área interna, respetivamente]. “A IA é uma força multiplicadora no negócio.”

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A estes exemplos contam-se ainda os casos de tecnológicas como a Oracle, que está a fazer cortes nos EUA, ou ainda a Autodesk, que em janeiro anunciou a dispensa de 1.350 trabalhadores, o equivalente a 9% da força de trabalho da empresa de software de design. Mais uma vez, foi usada como justificação uma reorganização para “acelerar os investimentos em IA, plataformas e em cloud”.

“Estes casos ilustram bem como a adoção da inteligência artificial está a transformar a estrutura das empresas tecnológicas”, considera ao Observador Paulo Rosa, economista sénior do Banco Carregosa. Esta adoção está a levar à redução em “determinadas funções, em especial nas áreas de suporte, atendimento e processamento de dados, ao mesmo tempo que pressiona a requalificação de trabalhadores para funções mais ligadas ao desenvolvimento e gestão destas novas ferramentas.”

Os avisos de Dario Amodei, da Anthropic, sobre um "banho de sangue" para os empregos de escritório

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O impacto da IA no mercado de trabalho é uma questão frequente nas discussões sobre IA. Só que quando os avisos vêm dos executivos de empresas no pelotão da frente do desenvolvimento da IA, o mercado presta outro tipo de atenção. Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, afirmou em entrevistas que esta tecnologia pode levar ao fim de muitos empregos. Amodei, que foi vice-presidente de investigação da OpenAI, deu uma entrevista ao site Axios em que sublinhou que as empresas têm de parar de “adoçar” o que aí vem. Vaticinou que a IA poderá “eliminar empregos em massa em áreas como tecnologia, finanças, direito, consultoria e outra profissões de colarinho branco, especialmente em funções de início de carreira”.

Já o CEO da Nvidia, Jensen Huang, pôs alguma água na fervura. Questionado pela CNN internacional sobre as declarações de Amodei, respondeu que “se o mundo ficar sem ideias, então os ganhos de produtividade vão traduzir-se em perda de emprego”. “A questão fundamental é se temos mais ideias na sociedade? E se tivermos, vamos ser mais produtivos, vamos ser capazes de crescer.”

Um setor que se reajusta enquanto ainda corrige os “excessos” da pandemia

“Não restam dúvidas de que a IA é um motor de alavancagem organizacional”, realça ao Observador Pedro Nunes, senior manager da Michael Page. “No entanto, dentro das próprias empresas, coexistem diferentes visões sobre o seu impacto.” Enquanto “muitos executivos de topo acreditam que o investimento em IA se traduzirá em ganhos de produtividade e, consequentemente, reduções de custos com pessoal”, há trabalhadores que olham para a IA como “um apoio que aumenta a produtividade individual e liberta tempo para tarefas mais complexas, permitindo maior especialização”.

Pedro Nunes identifica já a possível “redução de funções não especializadas”. “As profissões baseadas sobretudo na assimilação e tratamento de informação, sem forte componente criativa ou gerativa, estão particularmente expostas ao risco de substituição a curto prazo”, reconhece. “Funções como analista de preços, centrada apenas na análise de variáveis, podem estar em risco.”

Aliás, esta é uma avaliação há muito colocada em estudos sobre o mercado laboral. “Trabalho em tecnologia há mais de dez anos e esta questão da IA [substituir empregos] não é nova”, assume ao Observador João Salvador Oliveira, responsável pela área de soluções de talento digital da Randstad Portugal. “Acho que é nova a dimensão em que o tema está a ser falado e como está a ser implementado no mercado, não só internacional, como também no mercado português.”

Mas afasta cenários catastrofistas. “Nas áreas tecnológicas, a IA vem, de facto, substituir algumas funções, mas vem criar muitas outras. Entre o dever e o haver, a tecnologia sai a ganhar no sentido em que vão ser criados mais postos de trabalho.”

“Aquilo que as empresas estão a anunciar no imediato é uma otimização pela utilização de IA, o que faz com que sejam precisas menos pessoas para a mesma tarefa”, diz João Salvador Oliveira. “Porém, o que vai acontecer é que essas mesmas empresas vão contratar pessoas com competências que até hoje não existiam ou com experiências e conhecimentos na área da IA.”

O diretor da área de talento tecnológico da Randstad Portugal dá alguns exemplos de profissões que deverão ver a procura crescer. “Tudo o que tenha a ver com cientistas de dados, analistas de dados ligados à IA, cibersegurança, engenharia de prompts, ou seja, engenheiros que sabem ligar muito bem o ChatGPT ou o Gemini às necessidades do utilizador.”

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▲ O ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, foi lançado em novembro de 2022

SOPA Images/LightRocket via Gett

“A IA já está a mexer com o emprego”, reconhece Duarte Fernandes, CEO da Kwan, empresa especializada em recrutamento tecnológico, “mas o grosso dos cortes está muito relacionado com a correção pós-pandemia”. “Na pandemia havia muita liquidez e quis-se digitalizar tudo para crescer a todo o custo”, recorda. Depois, a “liquidez diminuiu, a inflação subiu e isto obrigou a que houvesse disciplina orçamental.”

Também João Salvador Fernandes, da Randstad Portugal, fala em “resquícios da correção da pandemia”. Além do fator IA, nota os “dois últimos anos de declínio no número de oportunidades em tecnologias de informação”, tanto no mercado “internacional como em Portugal”. “Há menos oportunidades, menos rotatividade”, explica.

O economista sénior do Banco Carregosa corrobora esta teoria de que “muitas empresas continuam a corrigir o aumento excessivo da força de trabalho durante a pandemia”. Entre o fim de 2022 e os primeiros meses de 2023, foram afastadas 51 mil pessoas da Meta, Amazon, Microsoft e Alphabet, um universo ainda maior juntando a Salesforce, IBM e a alemã SAP. “Com o abrandamento da economia e a normalização do consumo online, esse sobredimensionamento tornou-se insustentável e tem vindo a ser ajustado de forma gradual”, explica Paulo Rosa.

Das contratações em excesso até à necessidade de cortar custos. Como chegaram as big tech a uma vaga de despedimentos

Nos últimos tempos, nota outra dinâmica: “A necessidade de libertar recursos financeiros para suportar o forte investimento em inteligência artificial”. “A implementação de modelos de IA generativa e de ferramentas associadas implica custos elevados em data centers, aquisição de chips especializados e desenvolvimento de software.” No sentido de acomodar estas despesas, nota, “muitas tecnológicas têm optado por reduzir estruturas consideradas menos essenciais, em especial funções de suporte e backoffice, sendo gradualmente substituídas por soluções para inteligência artificial”. Portanto, cortes “que refletem cada vez mais uma estratégia deliberada de reposicionamento em torno da IA”.

Quase 30% do emprego em Portugal em risco devido à automação

Até agora, a reação a estes cortes e mudanças nas equipas não tem sido uniforme. “O mercado tende a interpretar os cortes ditados pela gradual adoção de IA como uma demonstração de disciplina de custos e de aposta em maior eficiência operacional”, contextualiza Paulo Rosa. “Em vários casos, como no da Salesforce ou da Microsoft, os anúncios de reestruturações acompanhados de planos de investimento em IA foram recebidos com subidas imediatas na cotação das ações, refletindo a expectativa de margens mais robustas no futuro”. Mas, por outro lado, este tipo de cortes também podem ser percecionados “como sinal de abrandamento da procura ou de dificuldades conjunturais”, com efeito “negativo sobre a valorização bolsista”. “Já quando são enquadrados como parte de uma estratégia de transformação tecnológica — em que a IA permite reduzir despesas e, ao mesmo tempo, abrir novas fontes de receita — a leitura é tendencialmente favorável.”

“Canários na mina”: estudo admite efeitos da IA nos primeiros empregos

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Um estudo feito pela Universidade de Stanford analisou vários dados sobre o mercado laboral norte-americano e coloca a hipótese de o emprego jovem poder ser dos primeiros a sentir os efeitos da IA e da automação.

O estudo, divulgado no fim de agosto, usa até a expressão “canários na mina”, no sentido de o emprego jovem poder estar a dar os primeiros sinais sobre mudanças laborais. Historicamente, os canários eram levados para as minas de carvão para detetar a presença de gases tóxicos — quando um dos pássaros morria era sinal de que os mineiros tinham de sair o mais depressa possível.

Neste estudo, os investigadores concluem que, desde o fim de 2022, quando foi lançado do ChatGPT, o emprego cresceu de forma robusta. Mas conclui que o emprego dos mais jovens, em funções iniciais em áreas como engenharia de software, marketing ou apoio ao cliente, caiu 13% desde então.

Reinventar e adaptar são palavras de ordem. Ou então “ficar para trás”

Do ponto de vista de quem estuda o mercado laboral, a académica Susan Schurman, professora de estudos laborais e relações de emprego da Rutgers – Universidade Estatal de Nova Jérsia, tem algumas reservas em relação às teorias e afirmações sobre uma vaga de despedimentos trazida pela IA. “Suspeito que atualmente são de alguma forma exageradas, mas é claro que se vão tornar mais comuns à medida que a tecnologia evolui”, afirma ao Observador.

“No entanto, está a ser claro que a completa natureza da formação em tecnologia está a mudar rapidamente e que muitos trabalhadores estão a perceber que as suas competências estão desatualizadas”, realça. “Isto vai continuar à medida que quem desenvolve IA continua a progredir.”

Nesse sentido, defende que “qualquer pessoa que faça da tecnologia a sua especialização deve estar preparada para acompanhar as mudanças”. “Ou então vão tornar-se obsoletos muito rapidamente.” A académica realça que quem não trabalha no setor da tecnologia, “para quem a tecnologia é uma ferramenta, também vai precisar de se atualizar.”

De acordo com João Salvador Oliveira, da Randstad Portugal, essa necessidade de atualização “já não é grande novidade para a área tecnológica”. “Ou a pessoa aprende coisas novas, reinventa-se e adapta-se, ou então vai ficar para trás. Em tecnologia sempre foi assim.” A diferença é que, agora, a “IA tem um impacto maior e mundial” e os ciclos de atualização estão a ser mais frequentes.

O diretor desta área de recrutamento tecnológico da Randstad Portugal refere que também deverão ser valorizadas “as pessoas que têm soft skills [competências sociais] e competências humanas mais aprimoradas”. Dá como exemplo capacidades como “o pensamento crítico, a resolução de problemas complexos, a criatividade, a comunicação… vão ser muito valorizados”.

Duarte Fernandes, CEO da Kwan, defende que tem de haver trabalho também por parte das empresas. “Têm de estar preparadas também para redesenhar funções, criar funções mais automatizadas, perceber o que é que são funções humanas que aportam valor e aquelas que vão ter mesmo de ser automatizadas”, afirma. Defende também a necessidade de “upskilling transversal”, ou seja, aumento de competências, e de requalificação.

Noutro patamar, “as capacidades de liderança de gestão vão continuar a ser essenciais, suplementadas pelas melhores ferramentas tecnológicas”, diz a académica Susan Schurman. “Digo aos meus alunos para se manterem a par de novas ferramentas tecnológicas em geral e, nas suas áreas, desenvolver competências que sejam difíceis de serem replicadas pela tecnologia — pensamento, planificação, colaboração em equipa, gestão de programas e de projeto, liderança, entre outras.”

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▲ Sebastian Siemiatkowski, CEO da empresa sueca Klarna, afirmou que a IA já permitiu reduzir o total de trabalhadores da empresa

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Klarna apostou forte na IA. Depois, voltou atrás (e às contratações)

Enquanto muitas empresas anunciam cortes devido à IA, a sueca Klarna, conhecida pelos pagamentos fracionados num regime ‘compre agora, pague depois’, passa por um estágio diferente. Numa primeira fase, o seu CEO Sebastian Siemiatkowski teceu elogios à IA e disse em várias entrevistas que os agentes de IA estavam a substituir os humanos nas funções de apoio ao cliente. Algum tempo depois, pôs um travão e voltou às contratações, justificando que o recurso à tecnologia tinha feito cair a qualidade do serviço.

Foi uma inversão considerável de discurso para uma empresa que até chegou a dizer que gostaria de ser o “porquinho-da-índia favorito” da OpenAI, a dona do ChatGPT. Em 2023, as duas empresas firmaram uma parceria que levou a Klarna a adotar a tecnologia desenvolvida pela OpenAI para ter um serviço de apoio ao cliente baseado em IA.

Numa publicação na rede social X, o CEO da empresa declarou no verão de 2024 que a IA permitia ter “menos” pessoas na empresa, o que também “significava um menor custo total” e que isso possibilitava à empresa “investir em salários mais altos por funcionário”, abrindo a porta à possibilidade de “atrair e reter o verdadeiro talento em IA”.

Alguns meses depois, já em dezembro de 2024, a Klarna tinha reduzido significativamente o total de funcionários. Segundo o prospeto da oferta pública inicial da empresa (IPO), tinha passado de 5.527 funcionários a tempo inteiro em dezembro de 2022 para 3.422 em dezembro de 2024 — uma redução de 38%.

Numa entrevista à Bloomberg, já este ano, o CEO avançou que a adoção da IA tinha permitido à Klarna ter a tecnologia a fazer o trabalho “de 700 agentes de apoio ao cliente”. Já à CNBC, na mesma altura, explicou que a redução de funcionários estava também ligada à habitual rotatividade de trabalhadores. “O atrito natural numa empresa como a nossa é de 15 a 20% por ano, portanto encolhemos naturalmente entre 15 e 20% só com as pessoas a saírem.”

A juntar a estes fatores a Klarna também decidiu parar de contratar devido à menor necessidade de trabalhadores. “Simplesmente comunicámos aos nossos funcionários que íamos encolher e que portanto iríamos também parar de contratar”, disse Siemiatkowski.

Até que o líder da Klarna, empresa que esta semana se estreou em Wall Street, decidiu reajustar a rota, dando a entender que os cortes teriam ido longe demais, ao ponto de a qualidade de serviço ao cliente ter caído. Mesmo mantendo o entusiasmo em relação à IA, Siemiatkowski explicou que a empresa quer dar a opção aos clientes de serem atendidos por um humano se assim desejarem. “De um ponto de vista de perspetiva de marca, de perspetiva de empresa”, declarou o CEO, “penso que é crucial que seja claro para o cliente que haverá sempre um humano se quiserem.”

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