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HUGO DELGADO/LUSA

HUGO DELGADO/LUSA

Que indústrias estão a ser mais afetadas? Quase todas e o pior vem aí, avisam as empresas

Levantamento junto das associadas da CIP revela que há muitas indústrias que estão já a sentir impactos fortes na queda de procura. Mas esperam que a situação piore e algumas admitem reduzir emprego.

O levantamento chegou ao Governo na quinta-feira e resulta do inquérito feito pela CIP (Confederação Empresarial de Portugal) às suas associadas. O retrato é devastador, não tanto pelas consequências já sentidas pelo efeito do surto de Covid 19, mas sobretudo pelas expetativas que as empresas industriais apresentam sobre o que aí vem.

A redução da procura é o principal impacto negativo esperado pelas empresas. E esse será forte ou muito forte nos setores da cerâmica, metalurgia e metalomecânica, curtumes, floresta, cortiça, tecnologias de informação e eletrónica, mobiliário, têxtil e vestuário, química, saúde privada e prestação de cuidados de saúde. Apenas os setores farmacêutico e a indústria conserveira — à boleia do enorme aumento de procura de alguns produtos que fabricam — antecipam impactos pouco significativos.

Nas respostas recebidas por região, as associações do Algarve e a Madeira são os que antecipam o pior efeito, o que será explicado pela forte dependência do turismo destas economias regionais. Mas em todo o país, são esperados efeitos negativos, apenas a associação da região de Santarém sinaliza um impacto moderado. É de Aveiro, onde em Ovar foi declarada em estado de calamidade pública, que surgem dados mais expressivos da suspensão de atividade laboral, com 66 empresas a encerrarem as suas linha de produção, o que afetava já cerca de 1900 trabalhadores.

Bloqueio em Ovar. Distrito de Aveiro, um dos mais industrializados, é dos mais afetados

ESTELA SILVA/LUSA

A CIP é a maior confederação empresarial portuguesa e um dos parceiros sociais com assento na concertação social onde têm vindo a ser discutidos os apoios às empresas. A confederação, segundo indica no seu site, representa mais de 114.000 empresas, que empregam 1,5 milhões de trabalhadores e são responsáveis por um volume total de negócios superior a 105 mil milhões de euros, ou seja, mais de 60% do PIB nacional. Fora destes inquéritos, estão as atividades do comércio, turismo, restauração e transportes, que foram as primeiras as sentir de forma direta as implicações das medidas de isolamento social.

De acordo com a informação que consta do documento, a que o Observador teve acesso, estas são as principais preocupações por setor.

Cerâmica. Impacto atual e esperado forte na procura. Os clientes estrangeiros estão a comunicar aos fornecedores portugueses enormes quedas na procura, o levará a cancelar todas as encomendas cuja entrega estava prevista para maio e junho. Já esta sexta-feira à noite, a Vista Alegre anunciou a suspensão da atividade de produção e comercial até 9 de abril.

Pedreiras. Impacto forte a muito forte na procura. O setor sinaliza que a China é um mercado muito importante para o calcário e as encomendas já estão a cair desde o início do ano. Há falta de financiamento aos clientes finais e insuficiência de contentores e transportes para exportar. Os fretes marítimos subiram de preço com a supressão de rotas. E estas dificuldades estão a piorar.

Metalúrgia e metalomecânica. Impacto para já pouco significativo, mas será forte. Maiores obstáculos no acesso a matérias-primas que ficam mais caras. Com o prolongamento da situação, as empresas antecipam queda da procura e das exportações, com consequências nas receitas. Empresários dizem que vão ter de reorganizar o trabalho e admitem redução do número de trabalhadores para ajustar ao nível de produção, lembrando que muitas multicinacionais estão a cortar a operação.

Curtumes (peles).  Impacto atual moderado, mas forte no futuro. Obstáculos em fazer entregas em mercados importantes, como Itália. Atrasos nas encomendas e no seu respetivo pagamento. Queda de vendas dos produtos acabados que têm como destino a China, que também está a limitar o acesso a matérias-primas.

Fileira florestal e cortiça. A cortiça reporta já um efeito forte que a prazo será muito forte. É uma indústria muito virada para as exportações que se vão ressentir. É já visível a queda de encomendas por causa da retração do consumo.

Tecnologias de informação e eletrónica. Impactos muito fortes. Recurso ao teletrabalho, mas empresas ainda não conseguem avaliar impacto na produtividade.

Têxtil e vestuário. Impacto ainda moderado, mas será forte, tal como no imobiliário. Redução da atividade com impactos graves na tesouraria que resultam do cancelamento de encomendas, a não receção de novas encomendas e o não pagamento das encomendas entregues.

Química. Começa por sofrer um efeito forte que será agravado. É um setor muito internacionalizado, dependente de exportações e com fortes exigências de regulação ambiental e de segurança. Algumas unidades trabalham em laboração contínua, pelo que as implicações de um shutdown (paragem) são muito graves. Há mercados de exportação fechados, com consequências a nível de perdas financeiras. Há também mercados de matérias-primas que estão encerrados ou com quebras de produção, fora alguns picos de procura por produtos pontuais.

As empresas alertam para a queda de cadeias de valor, gerando problemas de caixa e perdas financeiras. Está em causa a capacidade e até a continuidade da produção de alguns produtos. Problemas também na cadeia logística de abastecimento, falta de pessoal em funções chave e dificuldades em cumprir obrigações legais, nomeadamente a nível de reporte ambiental.

Produtos de marca. Há dificuldades de abastecimento, pressão dos clientes para serem compensados por falhas nas entregas. A queda do turismo terá impacto na procura e perda de espaço de armazenamento e exposição para dar lugar aos bens de consumo essenciais.

As indústrias de fundição, plástico, veículos de duas rodas, setor elétrico e eletrónico antecipam impactos mais moderados.

Turismo, comércio, restaurantes e TAP

A lista remetida pela CIP está longe de ser exaustiva, já que não representa as atividades mais penalizadas. As unidades hoteleiras já anteciparam perdas de 800 milhões de euros de receitas. Nos restaurantes fala-se em “situação catastrófica”, mas ainda sem números.

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) acenou com despedimentos depois de se lamentar “o desprezo” manifestado pelo Governo em relação ao setor nas linhas de crédito, que passou a poder beneficiar destes mecanismos, cujo valor vai até aos 3.000 milhões de euros.

O Governo já manifestou preocupação, mas não se conhece ainda uma solução para a tesouraria da TAP, cuja operação foi reduzida em 90%, sem um horizonte de retoma à vista. A Comissão Europeia já sinalizou que vai suspender regra que proíbe mais do que uma ajuda de estado às empresas do setor — e da qual a TAP já beneficiou nos anos de 1990.

Mas remeteu para os Estados-membros as propostas de solução e o Governo português ainda não revelou o que pretende fazer, enquanto a empresa vai já reduzindo emprego com a não renovação de contratos.  Há vários cenários em cima da mesa, desde empréstimos bancários com aval do Estado até à nacionalização, ou o reforço da participação do Estado na companhia com a entrada de capital.

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