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Imagine um labirinto. Um daqueles complexos em que manter a mão sempre na parede da direita e andar em frente não é garantia de que vá encontrar a saída. É esse caminho, cheio de obstáculos e contradições, que é preciso fazer para perceber, afinal, o que aconteceu em Reguengos de Monsaraz e de quem estaria António Costa a falar quando, numa conversa em off que acabou por se tornar viral, falou de médicos que não fizeram o que lhes competia no lar onde morreram 18 pessoas, vítimas de Covid-19. E, ao mesmo tempo, perceber se eles existem de facto e quem terá dado essa informação ao primeiro-ministro.

Sete semanas depois de o Observador ter noticiado que os médicos dos hospitais recusaram reforçar a equipa na residência para idosos — notícia que nunca foi desmentida — várias vozes vieram dizer que, afinal, o lar nunca esteve sem médicos. Bastonário e sindicatos garantem-no e o próprio diretor da ARS Alentejo, que em julho garantia ter tido de cortar um médico na equipa inicial de três por recusa dos médicos, diz agora que não houve falhas no cumprimento das escalas.

A verdade é que as declarações, às vezes dúbias, foram alimentando uma polémica que se transformou rapidamente em guerra política. E em que ficamos, então? O segredo está nas palavras. Médico hospitalar não é o mesmo que médico de família. Recusar prestar cuidados de saúde dentro de um lar não é o mesmo que recusar tratar um doente. E não cumprir de forma voluntária não é o mesmo que desobedecer. Estas terão sido algumas das questões que o bastonário dos Médicos quis esclarecer junto do primeiro-ministro esta terça-feira, na reunião em São Bento.

Entremos no labirinto, com um novelo de lã na mão.

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