O Presidente da República garantiu que leu “os quatro relatórios” sobre o surto no lar de Reguengos de Monsaraz e que “o Ministério Público tem ali material para apreciar”. Depois de a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, admitir que não tinha lido o relatório da auditoria feita pela Ordem dos Médicos (conhecido há uma semana), Marcelo lembrou aos jornalistas em Alvor, onde inicia um período de férias, que leu não um, mas os quatro relatórios, que “não têm exatamente a mesma versão sobre os acontecimentos, mas em alguns pontos convergem”.

Depois lembrou que o caso “está entregue ao Ministério Público” e que por isso defende que não deve fazer nenhum comentário. Optou apenas por dizer:

O que é facto é que o Ministério Público tem ali muito material para se debruçar e para apreciar“.

O Presidente lembrou que foi “uma tarefa brutal de toda a gente olhar para os lares e ver qual era a resposta adequada”. E justifica: “Os planos de contingência mudavam de lar para lar, foram descobertos muitos lares clandestinos. Houve que tomar medidas em cima da hora e difíceis”. Reconhece que “é tudo muito novo” e que “por muito” que se estejam “a tomar medidas preventivas” — de abertura de escolas e nos lares, por exemplo — “depois descobre-se que há situações de falta de meios, de recursos, de debilidades de estruturas, de fragilidade na aplicação das normas”.

Ministra admite que não leu relatório sobre surto em lar de Reguengos e desvaloriza impacto da pandemia em lares de idosos

Marcelo reforçou ainda que “todos os relatórios são importantes”, apesar de serem “muito técnicos”. “Têm matérias diferentes. Há que cruzá-los”, defendeu. O relatório mais mais conhecido é o que resulta da auditoria feita pela Ordem dos Médicos, mas há também documentos produzidos pela autarquia de Reguengos de Monsaraz, pela fundação que é proprietária do lar e pela Administração Regional de Saúde do Alentejo.

E não se opõe ao uso generalizado de máscara: “Tento sempre que é possível usar”

Questionado sobre se teme uma segunda vaga da Covid-19, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “aquilo que se tem chamado segunda vaga é a mesma vaga com altos e baixo e neste momento com um alto” ou ainda um “agravamento numa vaga que nunca deixou de existir”.

Marcelo Rebelo de Sousa comentou depois o caso das económicas como a Alemanha que “estão a tentar conviver com esses fenómenos e a encontrar medidas como o uso da máscara de forma intensiva na via pública” para “não parar a atividade economia”. “Não é possível estar a fazer um novo confinamento integral”, apontou.

Questionado sobre se defende o uso generalizado das máscaras, Marcelo Rebelo de Sousa diz que essa “é uma decisão das autoridades sanitárias”, lembra que “é uma onda que está a crescer na Europa e no mundo” e reconhece que “depende da situação vivida”. “Eu pessoalmente tento sempre que é possível no exterior — com exceção do automóvel que guio e só eu ando com ele e Belém ou a minha casa — usar máscara”, disse apontando que algumas autoridades sanitárias na Europa “estão a caminhar para isso progressivamente, a começar na vizinha Espanha”.

Avante! Presidente espera que a DGS explique todas as regras e diz que devem ser iguais para todos os casos

Questionado sobre a Festa do Avante!, o Presidente da República disse que espera que Direção-Geral de Saúde e as autoridades sanitárias “expliquem todas as regras” sobre o evento.

Marcelo adiantou ainda que espera que “sejam regras aplicáveis a todas as situações semelhantes: não pode ser para um caso, tem de ser para todos“, “que isso corresponda à situação vivida em termos de epidemia na altura” e “que as pessoas vejam em todas as intervenções da DGS um exemplo motivador para o futuro”. “Parece-me que há de haver o momento em que há uma explicação global das regras: vai sendo conhecido aos poucos o ajustamento”, disse ainda.