1242,8kWh poupados 1242,8 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

i

ILUSTRAÇÃO INÊS CORREIA/OBSERVADOR

ILUSTRAÇÃO INÊS CORREIA/OBSERVADOR

Saúde mental. Porque gostamos — e precisamos — de rotinas?

Repetir gestos, horários, sítios e rituais não é apenas hábito: é uma forma de o cérebro lidar com a incerteza, regular emoções e poupar energia mental útil para outras coisas.

Para uns, a palavra “rotina” evoca segurança. Para outros, tédio. Há quem a associe a estabilidade e quem a veja como sinónimo de repetição. Mas, goste-se ou não, a rotina desempenha um papel central na organização da vida: ajuda a estruturar o tempo, a reduzir a incerteza e a criar um sentido de continuidade num quotidiano que, sem esses pontos de referência, seria mais exigente do ponto de vista mental e emocional. É por isso que, para muitas pessoas, acaba por trazer conforto.

A própria origem da palavra ajuda a perceber essa função. “A palavra ‘rotina’ deriva da palavra francesa ‘route’”, explica a psicóloga Sofia de Oliveira Major, remetendo para a ideia de trajeto ou caminho de ligação entre um ponto e outro. O conceito é usado para descrever padrões regulares e estabelecidos de atividades do quotidiano e, segundo a professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade dos Açores e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), as rotinas ajudam-nos a organizar não só o que fazemos, como também a forma como nos sentimos.

“A investigação mostra que, durante a execução de rotinas, podem emergir emoções agradáveis, como satisfação, ou desagradáveis, como frustração. Ainda assim, em momentos de maior ansiedade ou incerteza, as rotinas tendem a funcionar como reguladores emocionais. Ao introduzirem previsibilidade, ajudam a reduzir a sensação de imprevisibilidade — um dos elementos centrais da ansiedade.”

A pandemia de COVID-19 foi um exemplo claro deste efeito: vários estudos realizados durante esse período mostraram que a manutenção ou reconstrução de rotinas esteve associada a níveis mais baixos de ansiedade. “Num contexto marcado pela instabilidade e pela incerteza, as rotinas funcionaram como âncoras, devolvendo uma sensação de normalidade e segurança”, diz a psicóloga.

“Ao seguir uma rotina conhecida, o nosso cérebro entra num modo de ‘piloto automático’, com a utilização de menos recursos cognitivos, levando a uma poupança de energia mental”, diz a psicóloga e investigadora Sofia de Oliveira Major. Ao libertar estes recursos, o cérebro consegue conservá-los e alocá-los a tarefas mais complexas, que exigem atenção e flexibilidade — e que não podem ser feitas em piloto automático.

O cérebro humano tende a preferir um contexto previsível também por uma razão prática: gasta menos energia mental. Saber o que vai acontecer reduz a necessidade de vigilância constante e diminui o estado de atenção permanente. Em termos simples, quando o cérebro consegue antecipar o que vem a seguir, sente-se menos em alerta. “Ao seguir uma rotina conhecida, o nosso cérebro entra num modo de ‘piloto automático’, com a utilização de menos recursos cognitivos, levando a uma poupança de energia mental.”

Esta automatização reduz a fadiga de decisão, ou seja, o desgaste mental que resulta de tomar muitas decisões ao longo do dia. A ideia central é simples: a nossa capacidade de decidir não é infinita. À medida que vamos escolhendo — mesmo coisas aparentemente pequenas, como o que vestir, o que comer ou por onde começar uma tarefa — essa capacidade vai-se esgotando.

“As rotinas envolvem menor necessidade de tomada de decisão e menos incerteza, o que contribui para a poupança de energia [mental]”, diz Sofia de Oliveira Major. Ao libertar estes recursos, o cérebro consegue conservá-los e alocá-los a tarefas mais complexas, que exigem atenção e flexibilidade — e que não podem ser feitas em piloto automático.

Este efeito regulador das rotinas é muito óbvio na infância. “As rotinas assumem um papel essencial na regulação emocional, ao permitir à criança antecipar acontecimentos e aprender a regular as suas emoções”, frisa a psicóloga.

De forma geral, as crianças que crescem em ambientes com rotinas consistentes tendem a apresentar menos problemas de comportamento, relações mais seguras com os cuidadores e maior facilidade de adaptação. Alguns estudos mostram que “as crianças expostas a ambientes estruturados desenvolvem maior sensação de segurança e melhor capacidade de autorregulação, o que se traduz, na idade adulta, numa maior aceitação das rotinas e numa associação positiva entre previsibilidade e conforto emocional.”

Apesar de tudo isto, as vantagens da previsibilidade também tem limites. A monotonia pode ter impacto no funcionamento cerebral e na motivação, pelo que “o ideal é um equilíbrio entre estrutura e flexibilidade.” Rotinas suficientes para dar segurança; novidade suficiente para manter o cérebro ativo.

Mental é uma secção do Observador dedicada exclusivamente a temas relacionados com a Saúde Mental. Resulta de uma parceria com o Hospital da Luz e com a Johnson & Johnson Innovative Medicine e tem a colaboração do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Psicólogos Portugueses. É um conteúdo editorial completamente independente.

Uma parceria com:

Hospital da Luz Johnson & Johnson Innovative Medicine

Com a colaboração de:

Ordem dos Médicos Ordem dos Psicólogos

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.