Cidadãos, líderes políticos e autoridades de saúde oscilam entre dois desejos aparentemente antagónicos. Por um lado, a vontade de ter uma vacina disponível para os grupos de risco o quanto antes. Por outro, a necessidade de não se saltarem passos para haver garantias quando à segurança e eficácia dos produtos. Dan Staner, vice-presidente da farmacêutica Moderna e diretor para a região da Europa, Médio Oriente e África, assegura que a farmacêutica está a seguir todos os passos e explica como é possível conciliar estas duas realidades.

As agências reguladoras reorganizaram-se para tornarem o processo de avaliação mais célere: têm equipas dedicadas a cada empresa candidata para poderem fazer a análise do processo em contínuo, à medida que a farmacêutica fornece os dados, em vez de esperar que todo o processo esteja concluído para dar início à avaliação. E isto permite ganhar tempo. No caso da Moderna, depois de anunciar os resultados preliminares de eficácia, a empresa prepara-se para pedir uma autorização de uso de emergência nos Estados Unidos e está também a submeter pedidos de autorização na Europa e no Canadá, por exemplo.

Dan Staner, baseado na Basileia (Suíça), só está na Moderna desde agosto — antes disso trabalhou cerca de 25 anos numa grande farmacêutica (Eli Lilly) — e reconhece as vantagens de se trabalhar numa empresa mais pequena: as equipas são mais ágeis, são precisos menos passos para se tomarem decisões. Entre elas, pegar numa área completamente nova, de um momento para o outro, e trabalhar noite e dia para conseguir uma vacina candidata contra a Covid-19.

O facto de estar há tão pouco tempo na empresa deu-lhe uma boa razão para não responder ao Observador sobre a polémica gerada depois dos primeiros resultados da Moderna terem sido divulgados num comunicado de imprensa, com poucos dados, mas o suficiente para fazer mexer as bolsas. Depois disso, a empresa optou por mostrar uma postura mais transparente, divulgando inclusivamente os protocolos da experiência — um segredo normalmente bem guardado, como refere o jornal The New York Times.

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