As imagens são do final de novembro de 2019, mas mais de dois anos depois estão agora a ser utilizadas totalmente fora de contexto para amplificar as publicações contra a vacinação para a Covid-19. Na descrição do vídeo pode ler-se que “10.000 tratores cercam Berlim para protestar contra o passaporte da vacina”, mas essa ideia está completamente errada.
O vídeo, que agora é utilizado fora de contexto, foi gravado de facto em Berlim, na Alemanha, mas antes sequer de o Sars-CoV2 ter sido sequenciado pela primeira vez (em janeiro de 2020, na China). No final de novembro de 2019, os agricultores alemães manifestaram-se no país contra um pacote de reformas na agricultura. O vídeo ainda está disponível nesta ligação, no Youtube.
Em causa estavam as medidas lançadas pelo governo alemão para reduzir a utilização de agrotóxicos, para tentar conter a morte de insetos e a contaminação de lençóis freáticos. Em resposta, cerca de 10 mil agricultores rumaram a Berlim para protestar e levar a cabo ainda uma manifestação silenciosa na escadaria da Siegessäule, ou Coluna da Vitória, onde colocaram centenas de galochas e calçado de crianças representando as quase 100 mil empresas de agricultura que tinham encerrado atividade entre 2009 e 2019 no país.
Os protestos foram notícia em vários países, como pode ver aqui, aqui ou ainda aqui, mas as imagens voltaram agora a ser utilizadas fora de contexto, procurando associar a manifestação a questões relacionadas com a pandemia da Covid-19.
Conclusão
Bastaria consultar a data da publicação original do vídeo na internet para se perceber que era impossível estar relacionada com assuntos da Covid-19. Em novembro de 2019, quando foi publicado o vídeo da manifestação, não tinha sido ainda identificado o novo coronavírus — mais tarde batizado como Sars-CoV2 pelos cientistas — que dá origem à doença Covid-19. Como vimos, as imagens são de uma manifestação de agricultores contra um pacote de medidas anunciadas pelo governo alemão em 2019.
Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:
FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.