Nas redes sociais corre uma fotografia que alegadamente mostra o funeral das alunas mortas num bombardeamento à escola de Minab, no sul do Irão. É possível ver dezenas de corpos envoltos em lençóis brancos colocados ao longo de duas filas. Entre as fileiras são visíveis algumas fotografias de meninas. Há mulheres em luto à volta dos corpos, destacando-se duas num plano mais próximo a abraçarem uma das vítimas.

“Nesta terça-feira (3), milhares de pessoas lotaram as ruas de Minab, no sul do Irã, para dar um último e multitudinário adeus às vítimas do ataque à escola Shajareh Tayyebeh no último sábado (28)”, escreveu um de vários utilizadores que partilharam a imagem.

“Enquanto carregavam os pequenos caixões envoltos na bandeira nacional, as pessoas entoavam slogans contra o intervencionismo estrangeiro e a política de extermínio”, continua o post. “Irã, o massacre de estudantes: mortas em uma escola em um ataque conjunto israelense-americano. Lágrimas de mães e um funeral gigantesco”, lê-se noutra publicação.

Fact Check Facebook

A 28 de fevereiro de 2026 os Estados Unidos da América (EUA) e Israel lançaram um ataque contra o Irão, que viria a desencadear uma retaliação de Teerão, em parte dirigida contra países do Golfo. O conflito arrasta-se há várias semanas, mas ainda no primeiro dia foi noticiado que um bombardeamento atingiu a escola de raparigas Shajareh Tayyebeh, em Minab.

O Irão responsabilizou os EUA pelo ataque. A reação inicial de Washington, através do Presidente Donald Trump, foi acusar Teerão de estar por trás do bombardeamento e de ter usado um míssil Tomahawk — armas de fabrico norte-americano que, segundo os especialistas, Teerão não possui. Em declarações mais recentes aos jornalistas, numa altura que têm sido noticiadas investigações internas que apontam os EUA como culpados, o líder norte-americano tem afirmado nada saber sobre o assunto. Morreram 175 pessoas, a grande maioria crianças que frequentavam a escola.

Quanto à imagem, a versão original foi partilhada pelo jornalista paquistanês Harmeet Singh na rede social X no dia 3 de março. O autor da publicação foi questionado sobre a veracidade da fotografia, revelando que gerou o conteúdo através de Inteligência Artificial (IA) para “refletir simbolicamente a escala da tragédia”. “Na realidade, a situação é ainda mais horrível — muitos corpos nunca foram encontrados intactos, alguns foram recuperados em pedaços”, escreveu.

“Mais de 160 estudantes foram mortas, segundo relatos. Isto não é apenas uma estatística; eram crianças com nomes, sonhos e famílias. Mais uma vez, Israel e os Estados Unidos são acusados, aos olhos de muitos em todo o mundo, de permitir ou realizar ações que resultam na morte de crianças inocentes. Nenhuma justificação política pode apagar a dor da perda de vidas jovens”, sublinhou.

Conclusão

Um ataque à escola de Shajareh Tayyebeh, em Minab, provocou mais de uma centena de mortes, mas a imagem que circula nas redes sociais não mostra o funeral das vítimas. O conteúdo foi partilhado a 3 de março pelo jornalista paquistanês Harmeet Singh, que reconheceu numa publicação posterior que criou a imagem com Inteligência Artificial para “refletir simbolicamente a escala da tragédia”, uma vez que “muitos corpos nunca foram encontrados intactos, alguns foram recuperados em pedaços”.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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